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AINDA SOBRE TRABALHO:

O Governo chama reforma e progresso à regressão e cancelamento de direitos.
Nos últimos meses tem-se falado muito das alterações ao Código do Trabalho.
Mas permanece o silêncio em torno do que a proposta “Trabalho XXI” altera no direito das pessoas com deficiência.
Desde agosto de 2025 que venho a alertar...
Na minha última passagem pela Assembleia da República - entre 24/10/2025 e 21/04/2026-, assumi estas matérias como prioridade. Lamentavelmente encontrei uma maioria fechada, pouco disponível para ouvir e (muito menos) para corrigir.
👉🏻 O que está em causa:
– Baixar o limiar de incapacidade de 60% para 33%
– Contar trabalho precário como se fosse inclusão
Significa que será muito fácil:
- Cumprir” quotas com tendinites e ligeiras perdas de visão.
- Apresentar números de exceção sem que se cumpra a inclusão de quem é sistematicamente excluído.
Trata-se de maquilhagem estatística que reforça a exclusão.
Quem enfrenta maiores barreiras — pessoas com incapacidades mais elevadas, trajetórias marcadas por exclusão ou perfis fora dos padrões do mercado — ficará ainda mais para trás. Uma medida de política que melhora indicadores sem resolver problemas.
Tal como está, a proposta não passa de um truque de ilusionismo ao estilo de Houdini e Luís de Matos. No caso dos mestres ilusionistas é expectável e desejado. Já no caso do Governo é deslealdade inaceitável.


🔗 Partilho o artigo de opinião onde, em setembro de 2025, aprofundei este alerta:
https://www.publico.pt/.../desprotecao-deficientes...


Fonte: Facebook Deputada do PS
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Atletismo / Morreu Alex Zanardi, antigo piloto de F1 e campeão paralímpico
« Última mensagem por hugo rocha em 02/05/2026, 15:17 »

Alex Zanardi venceu maratona de Roma em 2017

Morreu Alex Zanardi, antigo piloto de F1 e campeão paralímpico

Herói do desporto italiano morre aos 59 anos; acidente grave em 2001 levou à amputação de ambas as pernas, mas italiano encontrou sucesso paralímpico; novo acidente em 2020 deixou-o debilitado
Alex Zanardi, antigo piloto de Fórmula 1 e campeão paralímpico, faleceu esta sexta-feira aos 59 anos.


Zanardi em 2016


Depois de disputar 44 GPs na F1 entre os anos de 1991 e 1994, e em 1999, com passagem por equipes como a Jordan, Minardi, Lotus e Williams, não obteve resultados expressivos e passou para as corridas CART nos EUA.

A vida de Zanardi foi marcada por um trágico acidente em 2001, durante uma corrida na categoria CART, no qual perdeu ambas as pernas.

A 15 de setembro, durante uma corrida na Alemanha, a vida de Alex mudou para sempre. Após um pião à saída das boxes, o carro foi atingido lateralmente a altíssima velocidade. O impacto do acidente foi devastador: o carro ficou partido em dois e Alex sofreu a amputação de ambas as pernas. Chegou ao hospital em estado grave, mas contra previsões médicas, sobreviveu e começou outra história de vida.

A força de vontade levou-o a voltar à competição desportiva, e regressou aos automobilismo com um carro adaptado, mas em 2007 mudou radicalmente e optou pela modalidade de handbike.

Foi neste desporto que alcançou um sucesso notável, conquistando 3 medalhas nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012 e 3 nos Jogos Rio 2016, além de vários títulos mundiais.


Alex Zanardi no Rio 2016

A 19 de junho de 2020, o destino voltou a ser cruel com Zanardi. Durante uma estafeta de beneficência em handbike, organizada para apoiar a luta contra o coronavírus, sofreu um novo e grave acidente. Perto de Pienza, perdeu o controlo do seu veículo e colidiu com um camião que circulava em sentido contrário.

Após o acidente, Zanardi recuperou a consciência em janeiro de 2021 e, em dezembro do mesmo ano, regressou a casa. Passou os últimos anos da sua vida junto da mulher, Daniela, e do filho, Niccolò, longe dos holofotes mediáticos.


A família deu conta da morte num comunicado, na manhã deste sábado: «É com profundo pesar que a família comunica o falecimento de Alessandro Zanardi, ocorrido de forma súbita na noite de ontem, 1 de maio. Alex faleceu serenamente, rodeado pelo carinho dos seus entes queridos. A família agradece, de coração, a todos aqueles que nestas horas têm manifestado a sua proximidade e pede respeito pela sua dor e privacidade neste momento de luto.»

A primeira-ministra Giorgia Meloni deixou uma mensagem de pesar:

«A Itália perde um grande campeão e um homem extraordinário, capaz de transformar cada prova da vida numa lição de coragem, força e dignidade. Alex Zanardi soube reinventar-se a cada momento, enfrentando até os desafios mais difíceis com determinação, lucidez e uma força de espírito fora do comum. Com resultados desportivos, com o exemplo e com a sua humanidade, deu a todos nós muito mais do que uma vitória: deu esperança, orgulho e a força de nunca desistir. Em meu nome e em nome do Governo, endereço um pensamento comovido e a mais sincera proximidade à sua família e a todos aqueles que lhe quiseram bem. Obrigado por tudo, Alex.»

O presidente da República, Sergio Mattarella, deixou também um comentário: «Sinto uma profunda dor pela morte de Alex Zanardi, amado e admirado também pela sua coragem, resiliência e capacidade de transmitir entusiasmo.»

Fonte: A Bola
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De um Portugal de analfabetos no salazarismo à falta de professores em democracia: está o direito à Educação ameaçado?

Quando se assinalam os 50 anos da Constituição de 1976, a TSF revisita alguns dos direitos conquistados e consagrados pela lei fundamental do país. Neste primeiro episódio de "Direitos (Re)Constituídos", olhamos para o direito à Educação e ao Ensino. Como era a realidade antes? O que mudou após a Constituição de 76? E estará este direito, hoje, em risco?

Domingas Maria liga o rádio todas as manhãs. "Gosto muito da rádio", revela. É assim que Domingas se informa do que se passa no mundo. Não pode ler jornais. Não pode ler notícias na internet. Não pode ler. Nunca aprendeu.

"Não sei ler nem escrever", lamenta. Domingas tem hoje 95 anos, nasceu na década de 30, tal como a ditadura portuguesa do Estado Novo. Um regime em que o direito à Educação e ao Ensino era para muitos uma miragem.

"A minha mãe tinha sete filhos. Nenhum foi à escola. Era só trabalhar", conta. "Eu guardava os porcos e umas ovelhinhas que eram do meu pai. Era dali que a minha mãe fazia queijos. E dali é que a gente se governava."

As crianças eram, no antigo regime, "importantes para contribuir para o rendimento das famílias". "O trabalho infantil era uma coisa naturalizada", explica Licínio Lima, professor da Universidade do Minho, agregado em Sociologia da Educação e Administração Educacional, especialista em Organização e Administração Escolar.

Licínio Lima faz o retrato da Educação em Portugal antes da mudança para o regime democrático: "Em meados da década de 1970, encontramos uma situação de descaso relativamente à educação pública. É uma educação elitista. Democratizar o ensino era muito complicado num contexto que não era ele próprio democrático, no plano político, no plano social, cultural, etc."

"Um quarto da população portuguesa era analfabeta. Se recuarmos 30 ou 40 anos, essa percentagem era ainda muitíssimo maior. A educação pré-escolar cobriria 3 a 3,5% da população. A escolaridade obrigatória durante o Estado Novo tinha subido de quatro para seis anos em 1964, embora este processo fosse sempre muito longo, muito difícil e muito diversificado em termos discriminatórios."

O especialista refere também que grande parte da população não tinha acesso ao ciclo preparatório do ensino secundário. Pior ainda era o acesso ao ensino superior. "O segundo ciclo, apesar de tudo, tinha quase um quarto da população. No terceiro ciclo, em 1973, tínhamos 16% da população. No ensino secundário, 5% (...) e o ensino superior, estava nos 3% em 1970."

Números que se traduzem em vidas reais, como a de Domingas Maria e a da maioria dos vizinhos desta em idade escolar, na altura. "Todos os que viviam ali no campo, era tudo a mesma coisa, não iam à escola. Não podiam perder tempo, tinham dinheiro a ganhar", frisa Domingas.

Um instrumento de doutrinação

Já no caso das crianças para quem a escola era uma hipótese, o ensino servia também como instrumento de doutrinação. Isso mesmo previa a Constituição de 1933, então em vigor.

"Dizia que o ensino ministrado pelo Estado visava - e agora começa a linguagem típica do Estado Novo - todas as virtudes morais e cívicas orientadas pelos princípios da doutrina e moral cristãs tradicionais do país", refere Licínio Lima, citando a lei fundamental do regime salazarista.

"Há aqui uma dimensão de doutrinação, de programação, que depois era muito explícita na política do livro único. Eu fiz essa escola primária do Estado Novo e recordo que se conseguia até nos exercícios de aritmética falar do Salazar!", aponta. Os exercícios do manual escolar traduziam também "um padrão feminino, o que é que se esperava do papel do homem, do papel da mulher, da obediência, num contexto em que o homem é o chefe da família".

"Ao contrário do regime democrático, que é incompatível com a doutrinação dos alunos, e que tem, aliás, muitas dificuldades em fazer uma educação para a democracia, uma educação cívica - e quando o faz, também é sempre contestado, como se viu com a questão da disciplina de cidadania -, os regimes autoritários nunca tiveram dúvidas nenhumas, tiveram sempre instrumentos apuradíssimos de doutrinação dentro dos valores do respectivo regime."

Portugal atrás dos países de Leste

O cenário da Educação em Portugal no Estado Novo colocou o país muito atrás de outros vizinhos europeus à época. A situação tinha "pouco paralelo na Europa, mesmo na Europa de Leste".

"Os países da Europa de leste - hoje, uma boa parte deles na União Europeia - tinham estatísticas muitíssimo mais favoráveis [do que Portugal], uma vez que a Educação e o Ensino, como de resto a Cultura, não obstante os regimes também autocráticos (embora de outro signo político), nunca deixaram para trás essa vertente", explica o investigador Licínio Lima.

Portugal era "um país absolutamente atrasado a vários níveis", constata o especialista. "Um país que viu na Educação durante o Estado Novo um certo potencial de modernização na sua última fase, mas sempre em tensão, em contradição com a abertura a novas ideias e os novos valores que uma educação generalizada sempre traz. Mesmo durante a sua última fase, no Marcelismo, com Veiga Simão a ministro da Educação, a tensão é sempre esta."

Portas abertas à pluralidade: a Assembleia Constituinte

Com a revolução de 25 de Abril de 1974, Portugal protagoniza uma mudança de regime. A ditadura do Estado Novo dá lugar a uma democracia que precisa de uma nova Constituição para funcionar. A missão de criá-la foi confiada aos deputados constituintes.

"Nós tínhamos de erguer um regime democrático de raiz", afirma Alberto Arons de Carvalho, um dos 250 eleitos para a Assembleia Constituinte em 1975.

Desde estabelecer o regimento da Assembleia Constituinte, os termos de intervenção e a instalação da mesma, a edificar o regime democrático, através da sua lei fundamental. "Estava em causa tudo: o regime eleitoral; a organização da administração pública; as leis eleitorais, a representação, isto sem falar depois nos direitos dos cidadãos,... Tivemos que edificar um regime democrático de novo", sublinha o deputado constituinte.

Na altura um jovem com 25 anos, Arons de Carvalho recorda o sentimento enquanto deputado numa democracia recém-nascida. "Sentia-se uma grande responsabilidade, por um lado, mas também uma grande satisfação de estarmos ali, já não numa luta contra o regime anterior, mas para tentar edificar uma democracia."

"Cerca de dois anos antes do 25 de Abril, tive a curiosidade de saber como é que funcionava a Assembleia Nacional, então fui, uma tarde, assistir. Não havia espectadores públicos nas bancadas, mas era possível aceder. E vi como é que aquilo funcionava: não havia microfones na sala, não havia debate, não havia pluralidade de vozes. Os oradores faziam as suas intervenções, depois eram felicitados por muita gente que nem sequer tinha ouvido o discurso, e não havia qualquer discussão. Era uma assembleia perfeitamente monocórdica."

Para Alberto Arons de Carvalho, chegar ao mesmo local noutra perspectiva - "já não na bancada, mas lá em baixo, entre os deputados - foi "muito estimulante" e "uma enorme satisfação".

Arons de Carvalho foi eleito pelo Partido Socialista, uma das sete forças políticas representadas na Assembleia Constituinte. Da esquerda à direita, tiveram de se conciliar diferentes vontades para convergir num documento único.

"Havia pluralidade, havia discussão, havia vozes diferentes. Havia necessidade de negociar, de debater com outras forças políticas. Foi uma experiência muito interessante. Estávamos longe da Assembleia monocórdica fechada que havia antes do 25 de Abril."

"Não temos uma varinha mágica democrática que resolve todos os problemas"

Depois de dez intensivos meses, nascia a Constituição de 1976. Mas o que significou esta nova Constituição para a Educação e o Ensino? O investigador Licínio Lima explica que a lei fundamental do país veio adotá-los como "direitos fundamentais", o que não acontecia na anterior Constituição de 1933, que vigorou durante o Estado Novo.

"Fala até na liberdade de ensino", assinala o especialista. "A área da educação é possivelmente a área mais extraordinária quanto ao que conseguimos realizar. Nós conseguimos realizar, em 50 anos, coisas que noutros países demoraram muitíssimo mais tempo", apesar de "partirmos tarde e mal".

Quer isto dizer que os problemas do antigo regime foram assim eliminados de uma vez? Licínio Lima esclarece que não. "Há um antes e depois óbvio, em termos jurídicos, em termos legais, em termos de direitos - isso é claro. Mas, depois, a realidade social e escolar não acompanha esse mesmo ritmo."

"É mais fácil democratizar, apesar de tudo, o regime, as instituições, o Parlamento, os partidos políticos, do que mudar a realidade", explana. "Não podemos dizer que, a partir da Constituição de 1976, temos uma varinha mágica democrática na mão que vai resolver os nossos problemas todos. Nós, na verdade, passámos a ter mais problemas, porque passámos a ter objetivos muito mais ambiciosos, porque democráticos, porque mais universais, e passámos a ter os problemas endémicos que a sociedade portuguesa tinha: baixa escolarização dos pais e das mães, baixa valorização da cultura escolar, necessidades de trabalho infantil."

É um "erro profundo" isolar a Educação e o Ensino da Cultura e de outras políticas sociais, frisa o especialista. Já o deputado constituinte Arons de Carvalho lembra que cabe ao poder executivo concretizar os direitos estabelecidos pela Constituição.

"A Constituição é apenas a trave-mestra da democracia, deve apenas abranger os princípios gerais. Não se pode esperar da Constituição que venha definir os traços gerais dos direitos dos cidadãos e, simultaneamente, concretizá-los. Isso também seria errado", defende Arons de Carvalho.

Acesso à escola para todos, mas literacia de adultos ainda é problema

António Sampaio da Nova, antigo candidato à Presidência da República, embaixador na Unesco e reitor honorário da Universidade de Lisboa, aponta o que diz ser o maior sucesso de Abril e da Constituição de 76: "Houve uma generalização do acesso. Praticamente todas as crianças estão na escola".

"A escola portuguesa, a escola pública, é uma escola bastante acolhedora e que procura ter práticas de inclusão, e esse aspecto foi nitidamente o mais conseguido nestes últimos 50 anos", refere o especialista em Ensino.

Mas, como nota o investigador Licínio Lima, assegurar o acesso à escola não basta. "É preciso garantir a permanência dentro da escola, porque os alunos abandonam. E, mais do que isso, (...) o objetivo último é garantir o sucesso escolar dos alunos. Parece simples, mas é muito difícil."

No entanto, Só em 1986, dez anos após a Constituição, é que o ensino obrigatório foi alargado até o 9º ano. Seriam precisas ainda mais de duas décadas para que subisse até o 12º ano. No início dos anos 90, 50% dos alunos deixavam a escola sem terminar o ensino secundário, hoje são apenas 6%.

"Portugal estava na cauda da Europa. Era o país mais atrasado, do ponto de vista de todos os indicadores em relação aos temas da Educação. Cinquenta anos depois, estamos num patamar médio no plano europeu", refere António Sampaio da Nóvoa, para quem esta evolução "representa, obviamente, um avanço extraordinário". Ainda assim, assinala, há áreas onde "o país tem falhado".

"Há dois aspectos que são menos conseguidos. Um tem a ver com as aprendizagens efetivas dos alunos. Há muitos indicadores que ainda apontam para uma grande desigualdade na aquisição das aprendizagens básicas escolares, e esse é um problema grave das nossas escolas. E, depois, há um segundo problema que não tem propriamente a ver com as escolas, tem mais a ver com o nível educacional, que ainda é um problema grave da alfabetização."

Aos olhos de Sampaio da Nóvoa, há ainda "um défice" na alfabetização da população adulta, a qual tem ainda "um longo caminho a percorrer". Também Licínio Lima aponta a educação de adultos como o maior calcanhar de Aquiles.

"Achamos hoje que não é um problema ter 3% da população adulta a não saber ler. Vivemos dos 23%, nos anos 70, então estamos satisfeitos. Só os países pobres é que se interessam por essas coisas da educação de adultos, como a Alemanha, a Suécia, a Dinamarca. É uma brincadeira. Mas é uma brincadeira muito séria. Esses países há mais de 100 anos que se preocupam com essas populações. Nós preocupamo-nos pouco."

O investigador critica a ausência de um sistema de educação de adultos global, integrado, diverso, que seja "efetivamente dirigido à população adulta e não apenas aos jovens adultos que se não sucedem na escola e que passam de um lado para o outro".

Um "elevador social" encravado?

Outro problema, admite António Sampaio da Nova, é a proveniência socioeconómica do aluno continuar a ser central no sucesso ou insucesso escolar. "É muito determinante. É um fator muito decisivo."

O especialista em Ensino fala numa "reprodução das desigualdades" e lamenta o facto de a escola "nem sempre consegue cumprir aquela que, num certo sentido, é a sua missão histórica: a mobilidade social". Sampaio da Nóvoa desejaria que a Educação fosse capaz de "levar crianças de todas as origens a patamares de aquisição da cultura ao seu mais alto nível".

Licínio Lima mostra-se mesmo cético quanto a este conceito de "elevador social". O investigador aponta que não há necessariamente uma relação direta entre a qualificação escolar e as condições sociais e profissionais de um cidadão.

"Nós sabemos que a vida dos jovens licenciados em Portugal não está nada fácil. Eu sei onde é que encontro os meus alunos a trabalhar, com frequência. É em lugares que não têm nada a ver com a formação, com as capacidades e com os sonhos que eles têm", lamenta.

"A juventude portuguesa é, historicamente, em quase nove séculos, a mais habilitada que já tivemos. Mas verificamos que não é a educação nem as qualificações que criam empregos".

Se a economia não corresponder, em momento de crise, "os nossos melhores na juventude vão embora. Esse movimento continua."

Falta de professores: um problema incontornável

A falta de condições salariais atrativas em Portugal tem afastado profissionais qualificados. E os professores não são exceção. É incontornável: a falta de docentes é hoje um dos maiores problemas da escola portuguesa.

Duarte tem 8 anos e está no 3.º ano do ensino básico. Neste ano letivo, ainda não teve professor atribuído. Na mesma situação estão dezenas e dezenas de crianças do Agrupamento de Escolas Ruy Belo, em Monte Abraão, no município de Sintra, onde, segundo a Federação Nacional dos Professores (FENPROF), no último mês, havia nove horários de professores por preencher desde o início do ano letivo.

"Não sei como é que estas crianças estão a ser acompanhadas em termos de escolaridade", admite António Batista, pai de um aluno do 1.º ano que também não tem professor.

Para que não fiquem sem aulas de todo, a solução encontrada pela escola tem sido distribuir estes alunos por outras turmas, mesmo que sejam de anos de escolaridade diferentes. "Houve um aluno já teve sete professores só este ano", conta António.

"Nós estamos a menos de três meses do final do ano. Portanto, professores colocados, este ano, não vai haver. Eu pergunto é se já vai haver professores colocados para o próximo ano."

Na mesma circunstância, está a filha de Vera Fernandes, aluna do 3.º ano. "A minha filha está com falta de professor. Só quatro crianças da turma é que foram para [turmas de] 3.º ano. Os restantes foram distribuídos pelo 4.º e pelo 2.º ano."

A encarregada de educação adianta que, para tentar colmatar a ausência de docentes do 1.º ciclo do ensino básico, a escola arranjou agora "dois professores do 2.º ciclo". Uns dias são acompanhados por professores do 2.º ciclo, outros dias voltam às turmas de outros anos de escolaridade do 1.º ciclo por onde foram distribuídos. Uma situação que está a pôr em causa as aprendizagens das crianças.

"Vejo o futuro deles muito mau, como é óbvio. Sem bases, sem nada. Não sei o que é que vai acontecer. É que estamos quase já no final do ano letivo. Vai começar mais um e muito provavelmente sem professores", afirma Vera Fernandes.

Além dos efeitos nas aprendizagens, as circunstâncias estão também a causar frustração a estes alunos. "Vejo o desânimo deles. A minha filha está sempre a dizer que quer ser veterinária. E eu digo-lhe que para isso tem de estudar muito. E ela responde: "Mas eu não tenho professora, mãe". E eu fico sem saber o que lhe dizer", relata Vera.

António Batista não tem dúvidas: o direito do filho a aprender, como estabelecido pela Constituição, está posto em causa.

"O Ministério da Educação tudo controla, mas pouco prevê"

O especialista Licínio Lima diz que a carência de professores é um problema que se antecipava há muito. "Temos um aparelho administrativo tradicional do Ministério da Educação que tudo controla, mas pouco prevê. E, portanto, não viu uma coisa óbvia, que todas as pessoas que conhecem a educação por dentro sabiam", atira.

Licínio Lima fala num "recuo histórico" e acredita que no futuro se acentuará o recurso a professores sem habilitações profissionais. "A falta de professores é um problema. Nós sabemos, por vários estudos, que vamos precisar de 38 mil a 40 mil professores na próxima década."

Os professores são mesmo, no olhar de António Sampaio da Nova, a peça-chave no plano da educação. "É o grande problema que existe em Portugal. O envelhecimento da profissão, a maneira como os professores foram tratados nos últimos 20 anos, por sucessivos ministros da Educação, por sucessivos primeiros ministros, por políticas absolutamente erradas - [conceções] de que havia professores a mais, de que não era preciso investir na formação de professores -, pela maneira, 'mea culpa', como as universidades têm tratado a formação de professores e não têm sido capazes de renovar as políticas de formação de professores,...", lamenta.

Sampaio da Nóvoa fala ainda na transição entre a fase de formação e a fase profissional dos professores, na integração e no acolhimento destes nas escolas. Temas que considera que deveriam ser centrais na discussão da Educação.

"Se não conseguirmos dignificar a profissão docente e voltar a trazer os melhores de uma determinada geração para dentro da profissão, se não conseguirmos dar aos professores a capacidade de trabalhar em conjunto, de poderem ensaiar novos métodos pedagógicos, sem estarem sujeitos a uma burocracia infindável e a uma prestação de contas insuportável (...), se não conseguirmos criar uma outra dinâmica dentro das nossas escolas, teremos muita dificuldade em superar estes problemas", declara. "Claro que há muitas outras coisas importantes, mas a peça-chave são os professores."

Também os encarregados de educação reconhecem aos professores este papel essencial. "Há uma coisa que toda a gente sabe na nação: os professores são a base do ensino. Seja para que profissão for, são precisos. Olhamos para um aviador, ele andou na escola. Olhamos para um polícia, ele andou na escola. Olhamos para um médico, andou na escola. Se não olharmos para os professores com mais realidade, estamos a apostar no cavalo errado", afirma António Batista.

"Quem é que quer ser professor? O ensino não é uma carreira atrativa. Se eu tenho um professor que me avaliou durante um dia e depois há 'numerus clausus' para ser aumentado e as carreiras estão congeladas, não há cidadania que resista."

Este pai de um aluno do 1.º ano que não tem professor desde o início do ano letivo considera que terá de haver "mais auxílios para os professores", por exemplo, para conseguirem arrendar um quarto nas redondezas das escolas. Embora, reconheça, isso talvez tenha de sair "do bolso dos contribuintes".

"Quem é que, na sua imaginação, vem, de algum lado, alugar um quarto aqui, hoje em dia, por 800 euros? Mais de 50% do meu salário vai para a renda de um quarto. Isso tem de ser pensado. Aí parte do Governo. E não é no final da legislatura, como campanha para a próxima", assinala.

"Tem de ser pensado a 50 anos. Porque são as crianças de hoje, os nossos filhos, que vão pagar a Segurança Social de alguém. Se lhes estão a negar o direito à aprendizagem, eles vão ter problemas de base na Educação (...) e, se calhar, não estamos a caminhar para um bom futuro para Portugal."

"A palavra-chave é esperança"

Será possível dar a volta ao atual panorama, voltar a chamar profissionais para o Ensino e reformar a Educação? "Sou bastante pessimista. O mundo está num estado tal que é impossível ser otimista. Mas, paradoxalmente, sou um pessimista que cultiva a esperança. E, portanto, acredito profundamente que é possível", responde António Sampaio da Nóvoa.

"Vai necessitar de uma energia enorme: política, social, profissional, associativa, etc.", avisa. "Temos todas as condições para trilhar um caminho diferente nas escolas públicas. Esperemos que o consigamos."

Um caminho diferente porque a própria escola, constata Licínio Lima, é ela hoje diferente. "As nossas escolas hoje são multiculturais. Nós temos 40, 50, 60 nacionalidades diferentes nas escolas. A diversidade nunca foi tão grande. Isso é um potencial enorme para o país, para a democratização da educação, para a democratização da sociedade portuguesa, para o trabalho, para a economia", realça.

"Mas estamos a insistir cada vez mais numa formação de professores que se parece centrar nas dimensões técnicas. A formação do educador é muito mais do que isso. Se não sabemos dar conta, nem interpretar esta dimensão da grande diversidade social, cultural, étnica, religiosa,..., creio que os novos professores estarão como peixes fora d'água", refere.

"O objetivo maior e último da educação, numa educação democrática, é a humanização dos seres humanos. E nós estamos a esquecer isto. Nós queremos um futuro, uma nova geração que transforme este mundo. Uma cultura de paz. Não precisamos de ajustamento ao paradigma, ao modelo dominante de regimes não democráticos. Portanto, essa formação democrática, humanista, é uma questão absolutamente central. A palavra-chave é esperança."

Para Sampaio da Nova é necessária uma transformação pedagógica mais rápida. "A pedagogia, na maioria dos casos, está ainda como era há 50 anos, e essa é uma pedagogia que tem muita dificuldade em incluir, no seu sentido mais amplo e, portanto, em ser um fator não de exclusão, mas de inclusão, em ser um fator de abertura de oportunidades de educação a todos os alunos."

"O grande problema que nós temos é a transformação das nossas práticas pedagógicas." Para isso, será preciso recuperar aquele que é o maior valor de Abril e da Constituição de 76: a liberdade.

"Não consigo encontrar na minha vida, nem na sociedade, nenhum valor mais importante", declara Sampaio da Nóvoa.

A liberdade de um Portugal que Domingas Maria experimentou, pela primeira vez, através da rádio, há 52 anos. "Estava a amassar, para fazer pão. Acendi o rádio e ouvia dizer assim: "Houve um golpe de Estado". Foi o 25 de Abril. Ficámos todos contentes."

Rita Carvalho Pereira

Fonte: TSF por indicação de Livresco
Publicada por João Adelino Santos
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Mentalidade de crescimento e literacia matemática: Uma influência que depende mais das características do país do que do aluno

A mentalidade de crescimento, conceito desenvolvido por Carol S. Dweck e Dennis L. Eggett, é definida como a crença de que a inteligência e a capacidade intelectual não são características fixas e imutáveis e, pelo contrário, podem expandir-se e aumentar através do esforço e da prática. Vários estudos têm indicado que alunos com uma maior mentalidade de crescimento tendem a estar mais motivados e ter maior êxito escolar, e que a mentalidade de crescimento dos professores também parece levar a melhores resultados. No entanto, esta relação entre crenças sobre a maleabilidade da inteligência e o desempenho escolar é complexa e depende de vários fatores, como refere um estudo de David Yeager e Carol Dweck, de 2020.

Por exemplo, a relação positiva entre a mentalidade de crescimento e o êxito académico parece necessitar de uma sala de aula também alinhada com estes conceitos, com professores que têm esse tipo de mentalidade e um sistema de recompensas que promove o esforço e a estratégia como etapas de crescimento e oferece ajuda quando necessário. Contudo, mesmo nestas circunstâncias, fatores como o estatuto socioeconómico dos alunos ou o seu nível inicial de êxito escolar parecem influenciar o impacto da mentalidade de crescimento, como refere um estudo liderado por Victoria F. Sisk, de 2018.

É também importante salientar que vários investigadores, como numa investigação liderada por Alexander P. Burgoyne em 2020, têm criticado o conceito de mentalidade de crescimento, quer por os seus efeitos no êxito académico nem sempre serem replicados, quer por se revelarem pouco impactantes. De facto, a investigação aponta para efeitos muito heterogéneos da mentalidade de crescimento, sendo difícil prever exatamente sob que condições poderá levar a um melhor desempenho escolar.

Assim, e segundo o trabalho liderado por Victoria F. Sisk em 2018, o efeito das intervenções para o aumento da mentalidade de crescimento nas escolas é também demasiado heterogéneo para que se possa concluir que estas trazem benefícios generalizados. Importa também salientar que, muitas vezes, a mentalidade de crescimento tem sido confundida com a ideia de que aumentar o esforço é sempre suficiente para se atingir os objetivos, ignorando diferenças contextuais entre os alunos. Outra ideia errada sobre a mentalidade de crescimento é que esta significa que o esforço, mesmo que falhe, deve ser reconhecido tal como se reconhece o êxito. Pelo contrário, investigadores como Carol S. Dweck, em 2015, e Milad Memari, em 2024, têm vindo a alertar para esta «falsa» mentalidade de crescimento, que mascara problemas de aprendizagem em vez de ajudar a resolvê-los. Por exemplo, a crença de que todos os alunos têm as mesmas capacidades e de que, se todos se esforçarem de igual forma, podem atingir os mesmos objetivos mascara a necessidade de usar as estratégias de aprendizagem mais eficazes e oferecer apoio aos estudantes consoante as suas capacidades e o seu contexto.Precisamente para avaliar como o contexto dos alunos pode influenciar os efeitos da mentalidade de crescimento no seu desempenho escolar, os investigadores Pimmada Charoensilp, Hanjoe Kim e Suppanut Sriutaisuk, da Tailândia e da Coreia do Sul, examinaram se o estatuto socioeconómico influencia a relação entre a mentalidade de crescimento e a literacia matemática. No estudo, publicado na revista científica Plos One, usaram os resultados do PISA 2022 (Programme for International Student Assessment) para alunos de 15 anos em matemática, que incluem 507 588 alunos de 74 países. O PISA é uma avaliação de larga-escala do desempenho escolar, conduzida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que não só caracteriza os níveis de literacia dos alunos como também inclui variáveis como pensamento criativo, mentalidade de crescimento, autoeficácia e características sociodemográficas e da escola, entre outras.

Os resultados indicaram que, em 50 dos 74 países da amostra, alunos que tinham uma mentalidade de crescimento tendiam a ter melhores resultados em literacia matemática. Este foi o caso de países como Portugal ou os Estados Unidos. No entanto, em 5 países, incluindo a Polónia e as Filipinas, verificou-se a relação contrária; e em 19 países, como França, Itália, ou Grécia, a mentalidade de crescimento e a literacia matemática não estavam relacionadas. O estatuto socioeconómico dos alunos moderou a relação entre a mentalidade de crescimento e a literacia matemática em 33 países. No entanto, o efeito do estatuto socioeconómico não foi o mesmo nestas 33 nações. Em 7 delas, como a Croácia e a Sérvia, alunos de um estatuto mais elevado beneficiavam menos de uma mentalidade de crescimento do que os alunos de um estatuto mais baixo; mas, em 26 países, como a Malásia e o Qatar, eram os alunos de estatuto mais elevado que mais beneficiavam de uma mentalidade de crescimento. Em Portugal, assim como em mais 40 países, o impacto do estatuto socioeconómico na relação entre mentalidade de crescimento e literacia matemática não foi significativo.

Estes resultados apontam, mais uma vez, para uma grande heterogeneidade do efeito da mentalidade de crescimento no desempenho escolar, neste caso especificamente na literacia matemática. No entanto, mostram também que na maioria dos países o efeito é positivo ou nulo, o que poderá justificar um investimento na promoção de mentalidades de crescimento. Ainda assim, na maioria dos países em que o estatuto socioeconómico afetou a relação entre mentalidade de crescimento e literacia matemática, foram os alunos com estatuto mais elevado que mais beneficiaram por terem uma mentalidade de crescimento.

Tal efeito contradiz alguns estudos anteriores, feitos sobretudo com alunos estado-unidenses, mas é consistente com outras investigações que indicaram igual padrão de resultados nas mesmas áreas geográficas: Sudeste Asiático e América Latina. Nos países onde se verificou este efeito existem grandes desigualdades socioeconómicas, e os autores do artigo sugerem que, nestes casos, os alunos mais pobres não têm as oportunidades e o suporte necessários para que beneficiem de uma mentalidade de crescimento. Pelo contrário, em países mais desenvolvidos e com sistemas educativos que privilegiam a equidade, como a Alemanha e a Áustria, os alunos com um estatuto socioeconómico mais baixo foram os que mais beneficiaram de uma mentalidade de crescimento.

O estudo que analisamos neste texto dá um contributo importante para a compreensão da mentalidade de crescimento e de como as variáveis contextuais influenciam o impacto que esta pode ter na literacia matemática. Apesar de ter várias limitações, como, por exemplo, o facto de a mentalidade de crescimento ser medida apenas por um item, e de não permitir o estabelecimento de relações causais entre as variáveis estudadas, a investigação indica que as intervenções para o aumento da mentalidade de crescimento só serão bem-sucedidas se se garantir que todos os alunos têm acesso a oportunidades de aprendizagem semelhantes. Isto é, uma mentalidade de crescimento só resulta em maior êxito escolar num contexto em que se permite a maleabilidade da inteligência e das capacidades cognitivas.

Ludmila Nunes

Fonte: Iniciativa Educação
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O “sexto sentido” dos animais: como cães e gatos preveem tempestades

Patrícia Moura Pinto
Maio 1, 2026 - 19:30




O seu cão começa a ficar nervoso antes de chover? Ou o seu gato desaparece horas antes de uma tempestade? Este aparente “sexto sentido” tem uma explicação científica — e está longe de ser um mistério.

Em muitas casas, há um fenómeno curioso que se repete: cães e gatos começam a comportar-se de forma diferente horas antes de uma tempestade. Ficam inquietos, escondem-se ou vocalizam mais do que o habitual. Aquilo que muitos descrevem como um “sexto sentido” tem, afinal, explicações científicas bastante concretas.

Segundo o site de notícias Terra, esta capacidade não está relacionada com qualquer intuição mística, mas sim com uma combinação de sentidos altamente desenvolvidos, que permitem aos animais captar alterações no ambiente muito antes de estas serem perceptíveis para os humanos.

Antes de uma tempestade, a pressão atmosférica sofre alterações significativas. Esta diminuição pode ser detectada pelos cães e gatos através do ouvido médio, uma estrutura particularmente sensível nestes animais.

Tal como acontece com os humanos em viagens de avião ou em zonas de altitude, também os animais sentem diferenças de pressão. No entanto, devido à sua maior sensibilidade auditiva, esse desconforto é mais intenso. Esse estímulo pode activar mecanismos de alerta no organismo, levando a mudanças de comportamento.

Ao longo do tempo, os animais aprendem a associar esta queda de pressão a eventos como chuva intensa, vento forte ou trovões, reagindo antecipadamente como forma de autoprotecção.

A capacidade de “ouvir” o que os humanos não ouvem

Outro factor determinante é a audição. Cães e gatos conseguem captar frequências sonoras muito mais baixas do que os humanos, incluindo infrassons — sons abaixo dos 20 hertz.

As tempestades geram este tipo de ondas sonoras ainda a grande distância, através do movimento de massas de ar e descargas eléctricas. Estas vibrações percorrem longas distâncias e chegam aos animais muito antes de qualquer trovão ser audível para nós.

O cérebro dos animais interpreta estes sinais com base em experiências anteriores. Quando os infrassons se combinam com outras alterações ambientais, o corpo entra em estado de alerta, podendo provocar ansiedade, respiração acelerada ou comportamentos de fuga.

O papel da electricidade estática

Antes de uma tempestade, o campo eléctrico da atmosfera também sofre alterações. A acumulação de electricidade estática pode afectar directamente o pelo dos animais.

O pelo dos cães e gatos funciona como uma espécie de sensor natural, reagindo a variações eléctricas. Pode arrepiar-se ou provocar sensações de formigueiro na pele, algo semelhante aos pequenos choques que os humanos sentem em determinadas situações.

Estes estímulos são captados pelo sistema nervoso e desencadeiam respostas fisiológicas típicas de alerta, como aumento do ritmo cardíaco ou dilatação das pupilas. Como resultado, os animais podem parecer nervosos, agitados ou procurar esconderijos.

“Sexto sentido” ou adaptação natural?

Apesar da expressão popular, não existe um verdadeiro “sexto sentido”. O que acontece é uma combinação de audição, tacto, percepção de pressão e sensibilidade a campos eléctricos, todos a funcionar com elevada precisão.

Segundo o site de notícias Terra, esta hipersensibilidade tem uma função adaptativa. Na natureza, antecipar uma tempestade pode ser essencial para encontrar abrigo, proteger crias e evitar perigos.

Em ambiente doméstico, esses mesmos mecanismos continuam activos, mas sem necessidade real de fuga, o que pode resultar em comportamentos que os donos interpretam como ansiedade.

Como ajudar os animais durante tempestades

Perceber a origem deste comportamento permite também agir de forma mais adequada. Criar um ambiente seguro e tranquilo é fundamental para reduzir o stress dos animais.

Um espaço confortável, afastado de janelas e com menos estímulos externos pode ajudar. Reduzir ruídos, manter uma rotina estável e evitar repreender o animal são atitudes essenciais para garantir o seu bem-estar.

Quando o medo é muito intenso, pode ser importante procurar aconselhamento junto de um médico veterinário ou especialista em comportamento animal.






Fonte: executivedigest.sapo.pt                      Link: https://executivedigest.sapo.pt/o-sexto-sentido-dos-animais-como-caes-e-gatos-preveem-tempestades/?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques
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Pirilampo Mágico regressa para iluminar causa da inclusão em todo o país

Notícias do Sorraia
01 Maio 2026 10:16


Pirilampo Mágico regressa para iluminar causa da inclusão em todo o país

A emblemática campanha do Pirilampo Mágico está de regresso entre os dias 8 de maio e 1 de junho, mobilizando centenas de voluntários e organizações em todo o país numa nova edição dedicada à promoção dos direitos das pessoas com deficiência intelectual e ou multideficiência. Inspirado na criação literária de Maria Alberta Menéres, o conhecido [...]
A emblemática campanha do Pirilampo Mágico está de regresso entre os dias 8 de maio e 1 de junho, mobilizando centenas de voluntários e organizações em todo o país numa nova edição dedicada à promoção dos direitos das pessoas com deficiência intelectual e ou multideficiência.

Inspirado na criação literária de Maria Alberta Menéres, o conhecido boneco solidário volta a ser o símbolo de uma iniciativa que, há quase quatro décadas, apela à solidariedade dos portugueses. Este ano, como já é tradição, a cor do Pirilampo mantém-se em segredo até à cerimónia oficial de abertura, alimentando o entusiasmo e a curiosidade dos apoiantes.


A campanha envolve 84 organizações de norte a sul do país, incluindo cooperativas de solidariedade social e instituições que prestam apoio a milhares de pessoas e famílias. Ao longo destas semanas, serão promovidas diversas ações de sensibilização, com o objetivo de reforçar a inclusão e a igualdade de oportunidades.

Segundo a organização, “espera-se vender cerca de meio milhão de exemplares da mascote”, cada um com o valor de 2,50 euros, revertendo as receitas para as CERCI e outras entidades que desenvolvem trabalho no terreno.

O Pirilampo Mágico estará disponível em escolas, bancas de rua, estabelecimentos autorizados e iniciativas locais dinamizadas pelas entidades participantes. A sua distribuição estende-se ainda a todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas, através da rede de balcões do Banco Montepio, das lojas CTT e dos supermercados Pingo Doce.

A Campanha Pirilampo Mágico, criada em 1987, resulta de uma parceria entre a FENACERCI, a Antena 1 e a RTP, que ao longo dos anos têm contribuído para dar visibilidade a esta causa.

Mais do que um símbolo, o Pirilampo Mágico continua a representar uma mensagem de inclusão, solidariedade e esperança, mobilizando comunidades e reforçando o apoio a quem mais precisa.


sapo.pt

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Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência promove seminário creditado


A Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência promove no dia 18 de março de 2022 o Seminário de Boas Práticas e Networking em Inclusão de Jovens pelo Desporto, na Escola Superior de Desporto de Rio Maior.

Este é um Multiplier Event do Projeto Europeu Sport Empowers Disabed Youth – SEDY2, cofinanciado pela União Europeia no âmbito do Programa Erasmus +, sendo uma ação de formação de seis horas creditada para a Formação Contínua de Treinadores de Desporto Adaptado e em processo de acreditação para  Professores.

Os trabalhos decorrem a partir das 9h30 e a inscrição pode ser feita aqui até dia 11 de março, sexta-feira.

Fonte: https://comiteolimpicoportugal.pt/configuracoes/lista-de-noticias/federacao-portuguesa-de-desporto-para-pessoas-com-deficiencia-promove-seminario-creditado/
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Famalicão: José Azevedo é campeão nacional de ciclismo ANDDI e garante presença no Europeu

Cidade Hoje
28 Abril 2026 15:19

Famalicão: José Azevedo é campeão nacional de ciclismo ANDDI e garante presença no Europeu


Garantida a presença no europeu
O atleta famalicense da Lobos AveroMar Cycling Team, esteve em destaque ao vencer o Campeonato Nacional de Ciclismo ANDDI, prova que decorreu no passado sábado, em Paredes.

Com esta prestação, José Azevedo assegura a presença no Campeonato da Europa, que será realizado na Polónia, entre os dias 3 e 12 de julho.


O famalicense venceu no escalão sénior. A prova contemplava 12 voltas, num total de 20 quilómetros.



Fonte; https://sapo.pt/artigo/famalicao-jose-azevedo-e-campeao-nacional-de-ciclismo-anddi-e-garante-presenca-no-europeu-69f0ca732d19ae237d7d8e2c
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Curiosidades & História / Re: Imagens com historia
« Última mensagem por casconha em 30/04/2026, 19:50 »


A despedida que ficou no coração


Nesta fotografia, o tempo parece suspenso.
Uma mãe despede-se do filho, chamado para a Guerra do Ultramar, sem saber se aquele beijo seria o último.


Entre 1961 e 1974, Portugal viveu treze anos de guerra nas então colónias africanas.
A Guerra do Ultramar mobilizou cerca de 90% da juventude masculina do país.
Partiram rapazes ainda com sonhos por cumprir. Muitos não regressaram.
Cerca de 10 mil morreram, 20 mil ficaram inválidos e mais de 100 mil civis perderam a vida nas terras onde o conflito se travou.
Mas aqui não vemos números. Vemos um abraço apertado.
Vemos uma mãe que tenta ser forte.
Vemos um filho que tenta sorrir para não a fazer sofrer.
Como em tantas aldeias de Portugal, ficaram portas entreabertas, cartas esperadas e silêncios pesados.
Ficaram mães a olhar a estrada, à espera de um regresso que nem sempre chegou.

Esta imagem é mais do que memória histórica — é dor contida, é amor incondicional, é a coragem silenciosa de quem ficou.
Porque, por trás de cada farda, havia um filho.
E por trás de cada partida, ficou sempre uma mãe




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Curiosidades & História / Re: Curiosidades diversas que podem ser úteis
« Última mensagem por casconha em 30/04/2026, 19:45 »


O segredo do calendário luna
Por cada lua combina com o tipo de Plantio


Muita gente que planta há anos acredita que a lua pode influenciar o desenvolvimento das plantas.
Essa tradição associa cada fase lunar a um tipo de cultivo,
de acordo com a parte da planta que estaria mais favorecida naquele momento.
Veja de forma simples:


Lua nova — raízes e descanso
Nessa fase, a crença popular diz que a força da planta fica mais concentrada na parte de baixo. Por isso, ela costuma ser ligada ao plantio de raízes, como batata, cenoura e rabanete.

Lua crescente — folhas e caules
Com o aumento da luz lunar, acredita-se que a planta favorece mais o crescimento da parte aérea. Por isso, essa fase é associada a cultivos como alface, coentro e espinafre.

Lua cheia — flores e frutos
Essa fase é tradicionalmente ligada a uma maior atividade na parte superior da planta, principalmente flores e frutos. Por isso, é muito associada ao tomate, milho e pimenta.

Lua minguante — bulbos e reservas
Quando a lua entra na fase minguante, a tradição diz que a energia se volta mais para estruturas de reserva e partes subterrâneas. Por isso, ela é associada a cebola, alho e mandioca.

Resumo final
A lógica do calendário lunar é simples:
quando a força está mais ligada ao solo, entram raízes e bulbos; quando está mais ligada à parte aérea, entram folhas, flores e frutos



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