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Casal descobre que está esperando quádruplos após adotar 4 irmãos


Maxine e Jacob Young, da cidade de Reading, na Pensilvânia, sempre sonharam em ter uma família grande, mas nunca pensaram que ela seria tão imensa quanto é. Aos 30 e 32 anos, respectivamente, eles são pais de nada menos do que nove crianças: quatro adotivas e cinco biológicos — sendo quatro deles, quadrigêmeos.


Max e Jacob e os cinco primeiros filhos do casal: Elliot, Aiden, Parker, Connor e Henry.

“Ter nove filhos é desafiador em alguns momentos, mas, além disso, está a beleza em ter tanto amor ao redor”, diz Maxine, em entrevista ao “Bored Panda”. A descrição da mãe de nove crianças no Instagram resume bem: “A nossa família cresceu de duas para 11 pessoas em menos de três anos.”

Ela e Jacob se casaram em 2016 e logo quiseram adotar duas crianças. Ainda antes do processo de adoção se completar, os dois receberam uma ligação se por acaso poderiam receber mais uma, irmã dos dois já adotados. Maxine concordou sem nem antes falar com Jacob. Quando o telefone tocou pela segunda vez, o casal topou abraçar o quarto irmão, que iria crescer longe dos outros três se Maxine e Jacob não topassem a jornada.
Se para a maioria dos casais, quatro já seria bom número, para Max e Jake ainda não era o suficiente. Após dois anos tentando engravidar, o casal descobriu que seria pai de um bebê biológico também. A criança número cinco nasceu em outubro de 2018. Na mesma época, o processo de adoção dos quatro filhos se concretizou e tudo parecia inteiro. Até que veio uma nova gravidez… De quádruplos!
Os quadrigêmeos nasceram em julho deste ano, completando o time de nove filhos do casal Young. “As crianças se amam muito e são melhores amigos, isso é algo lindo de se ver. É difícil arrumar tempo e ter certeza que todos eles estão recebendo atenção especial, mas eu e Jake nos esforçamos para garantir que cada um deles se sinta amado e especial como eles são”, conta Max.

Para ninguém se perder, atenção para a chamada da família. Além dos pais, Maxine e Jacob, os Youngs são os quatro filhos adotivos Aiden (8), Parker (5), Connor (4) e Elliot (3), seguidos por Henry (2) e fechando com os quadrigêmeos Beck, Silas, Theo e Cecilia, de três meses



Os nove filhos do casal Young.

Ela diz que a rotina da família não é muito diferente do que aquelas de famílias com duas ou três crianças. A diferença, segundo ela, é só que são mais corpos para ocupar os espaços. As avós das crianças costumam estar sempre por perto para dar apoio ao casal, às vezes levando algumas das crianças para um passeio, mas o casal se vira como dá na maior parte do tempo. “O caos da nossa família enorme funciona para a gente. Onde há mais caos, há também mais risadas, sorrisos e amor incondicional.”


Jacob e Maxine Young: pais de nove aos 30 e 32 anos, respectivamente.

Fonte:Hypeness
Fotos:Maxine Young/Instagram


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Noticias / Saca fortuna de milhões a irmão com doença grave
« Última mensagem por casconha em 22/10/2020, 13:31 »
Saca fortuna de milhões a irmão com doença grave


Familiar, mulher, cúmplice e advogada detidos pela Polícia Judiciária. Falsificaram procurações para se apoderarem de 20 apartamentos.

Aproveitou-se do facto de o irmão estar gravemente doente e correr risco de vida para se apoderar de uma fortuna de cerca de cinco milhões de euros em imóveis. Com a ajuda de um cúmplice e de uma advogada falsificou procurações e passou todos os bens do irmão, entretanto falecido, para empresas que controlava.

Mas o esquema acabou por ser descoberto pela Polícia Judiciária (PJ), que deteve os três, mais a mulher do familiar. Estão indiciados por crimes de furto qualificado, falsificação e contrafação de documentos, burla qualificada e branqueamento.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, o caso começou em 2017, quando a vítima, um empresário do ramo imobiliário, multimilionário e debilitado por uma doença prolongada, se queixou às autoridades de que o irmão lhe tinha furtado dinheiro, bens e sobretudo um importante acervo documental.

Os papéis, onde constava abundante informação sobre os negócios de empresário, permitiram ao irmão estar a par de tudo o que ele possuía. Usando a mesma documentação, conseguiu também falsificar a assinatura do irmão e, a partir daí, começar a desviar o património da vítima, que seria destinado aos seus herdeiros.

A PJ apurou que, "de facto, esses suspeitos vieram a apropriar-se do património do queixoso, vendendo uma pequena parte dele em benefício próprio e transferindo o restante, de forma fracionada, através da celebração de contratos que titulavam a transmissão do direito de propriedade, para sociedades controladas por eles", explica a Judiciária em comunicado.

Com a ajuda de uma advogada do Porto, que reconheceu as assinaturas nas procurações falsas, o grupo conseguiu desviar 20 propriedades. No total apropriou-se de mais de cinco milhões de euros.

Irmãos de Cascais

Os dois irmãos eram naturais de Cascais. A vítima fez fortuna no imobiliário, mas também teve negócios na construção civil.

Em liberdade

Levados a tribunal, os quatro arguidos ficaram com apresentações periódicas, proibição de contactos entre si e proibição de ausência para o estrangeiro.

Fonte: jn.pt

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Poemas / Heróis da vida real
« Última mensagem por casconha em 22/10/2020, 13:01 »



Eu acredito em heróis
de carne, osso e suor.
Heróis que acertam e erram,
heróis de uma vida só,
heróis de alma e de corpo
que um dia vão virar pó.

Os verdadeiros heróis
vivem histórias reais,
não são estrelas famosas,
não estampam os jornais,
são como eu e você,
seres humanos mortais.

É aquele professor,
que ensina o aluno a ler.
É alguém que mata a fome
de quem não pode comer.
Herói é quem faz o bem
sem nenhum superpoder.

É aquele que trabalha
todo dia honestamente,
o agricultor no campo
debaixo de um sol quente,
o médico no consultório
salvando seu paciente.

É um bom policial
arriscando a própria vida
pra que a sociedade
esteja bem protegida,
um voluntário na guerra
distante de sua terra
cuidando de uma ferida.

É quem dá um bom conselho
a quem tá desesperado,
é quem indica um emprego
pra qualquer desempregado,
é quem simplesmente abraça
quem tem que ser abraçado.

Herói é o diferente
que luta por igualdade,
é quem cobra dos políticos
respeito e honestidade,
é quem enfrenta a mentira
com o poder da verdade.

Não espere por medalhas,
homenagens de ninguém.
A consciência tranquila,
de que você fez o bem,
é muito mais valiosa
que os aplausos de alguém.

Pra ser um super-herói
não é preciso voar,
tampouco ser imortal.
Essa vida vai passar,
e é cada gesto seu
que vai lhe imortalizar.

Herói sou eu, é você,
é essa gente do bem,
que peleja todo dia
para se salvar também.
Que entende que a união
talvez seja a solução
e que isso nos conforte.

Que esse povo unido
consciente e destemido
é um herói bem mais forte.

BRÁULIO BESSA
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Sete equipamentos culturais vão adaptar-se a visitantes com necessidades especiais


Sete equipamentos culturais vão adaptar-se a visitantes com mobilidade condicionada. A Direção-Geral do Património Cultural disponibilizou 105 mil euros para o efeito.


Agência Lusa
Texto
22 out 2020, 00:49 
   

▲Todas as intervenções deverão estar concluídas até ao final de 2020

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

De acordo com este organismo do Ministério da Cultura, o financiamento atribuído à execução de 10 projetos através do Programa de Acessibilidades aos Serviços Públicos e na Via Pública (PASPVT), vai permitir melhorar a capacidade de receber visitantes com necessidades especiais.



Os equipamentos beneficiados com apoio financeiro, em Lisboa, são o Palácio Nacional da Ajuda (PNA), para aquisição de uma plataforma elevatória, e o Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), para remodelação das instalações sanitárias do público no átrio da rua Serpa Pinto.

Também foi beneficiado o Museu Nacional do Traje (MNT), na acessibilidade aos pisos 0, das exposições temporárias, e piso 1, da exposição permanente, e o Museu Nacional do Teatro e da Dança (MNTD), para remodelação funcional de instalação sanitária para utilização por pessoas com mobilidade condicionada.

https://bordalo.observador.pt/900x,q85/https://s3.observador.pt/wp-content/uploads/2020/10/22001708/img_9860_770x433_acf_cropped.jpg

Ainda na capital, são contemplados o Panteão Nacional, com execução de rampa e de corrimão para acesso à galeria Norte, e o Museu de Arte Popular (MAP), com remodelação das instalações sanitárias e rampa e portas de acesso e aquisição de elevador de escadas portátil.

Neste grupo de dez instituições está igualmente incluído o Museu Monográfico de Conímbriga — Museu Nacional (MMC), em Condeixa-a-Velha, junto a Coimbra, para instalação de duas rampas.



Todas as intervenções programadas no âmbito do PASPVT são financiadas a 100 por cento, e deverão estar concluídas até ao final de 2020, adianta a DGPC.

O PASPVP tem por objetivo “promover a acessibilidade aos cidadãos com mobilidade condicionada, mediante a eliminação de barreiras arquitetónicas no edificado afeto aos organismos da administração pública, na forma direta e indireta, que realize atendimento ao público ou que receba público, perspetivando a criação de espaços com condições de acesso para todos”, segundo a entidade.

Este Programa é operacionalizado pela Estrutura de Missão para a Promoção das Acessibilidades.

Observador
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Manual "A participação cultural de pessoas com deficiência ou incapacidade: Como criar um plano de acessibilidade"

A Acesso Cultura elaborou o manual "A participação cultural de pessoas com deficiência ou incapacidade: Como criar um plano de acessibilidade" que será lançado, online, no dia 22 de outubro às 15h, na página de Facebook do Polo Cultural Gaivotas | Boavista, com tradução simultânea em Língua Gestual Portuguesa.

Com este manual, escrito em linguagem clara e inclusiva, a Acesso Cultura pretende ajudar as organizações culturais a planear e executar o trabalho que as tornará mais acessíveis - não só para o público, mas também para as suas próprias equipas e colaboradores.

Após o lançamento, o manual ficará disponível para download no website da Acesso Cultura​.

Fonte: INR
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Educação Especial e Inclusiva / Equidade no ensino escolar na Europa
« Última mensagem por Sininho em 22/10/2020, 11:49 »
Equidade no ensino escolar na Europa



Este relatório fornece uma visão geral das estruturas e políticas de educação que influenciam a equidade no ensino escolar. Conecta estas características a nível do sistema ao desempenho dos estudantes em provas internacionais de avaliação de estudantes (PISA, PIRLS e TIMSS).
Olhando para 42 sistemas educativos europeus, o relatório identifica quais as políticas e estruturas que estão associadas a níveis mais elevados de equidade no desempenho dos estudantes.
O relatório examina as seguintes características do sistema educativo: participação na educação e cuidados na primeira infância, financiamento escolar, diferenciação e tipos de escola, escolha da escola, políticas de admissão, sistemas de acompanhamento, repetição de notas, autonomia escolar, responsabilidade escolar, apoio às escolas desfavorecidas, apoio aos alunos com baixo aproveitamento e oportunidade de aprender.
Acesso ao relatório, em língua inglesa, aqui.

Traduzido com a versão gratuita do tradutor - www.DeepL.com/Translator
Publicada por João Adelino Santos
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Afectividades / A sexualidade dos deficientes
« Última mensagem por Sininho em 22/10/2020, 11:47 »
A sexualidade dos deficientes


O direito à saúde sexual das pessoas com deficiência ou incapacidade está consagrado. Na prática, é negado. Negligenciado. Enquanto o tema for tabu para um deles, será problema, com consequências sérias, para todos nós.

Escolheu um vestido preto com bolinhas brancas. Formal, ajustado ao corpo. Não muito. Juntou-lhe uns saltos altos, a fingir verniz. Enfeitou as mãos com anéis. Pintou os lábios de carmesim. Tudo por entender que o "assunto é importante". Andreia, na casa dos 60 anos, mente no nome, não na idade. E aceita falar. Mas, antes, um dos telemóveis toca. A brasileira ignora. Toca novamente. "Desculpe", atende. "Sim querido, faço massagem e convívio." Mas faz mais. Faz o que muitas outras profissionais do sexo, como ela, dizem não conseguir: atender deficientes e pessoas com paralisia cerebral. "Não me incomoda. São seres humanos como todos nós." Antes dela, várias aceitaram dar uma entrevista. Algumas chegaram mesmo a fazê-la. No fim, arrependeram-se. Andreia não. E assim, no quarto onde dorme e trabalha, conta, sem pedir nada em troca, como foi aquela primeira experiência com alguém "que não tinha mais problemas do que qualquer um de nós".

"Perguntou se eu não tinha problema em atender pessoas com deficiência." Na chamada, descreveu o cenário. "Dificuldade na fala, paralisia num dos braços e numa perna." Andreia garantiu-lhe que só não partilhava a cama com o preconceito. No dia e hora, X apareceu. "Não só fiz a massagem, como depois do convívio, vendo o estado das unhas dele, grandes, tanto as dos pés como das mãos, perguntei se podia arranjar. E comoveu-me quando ele lamentou: "ó dona Andreia, eu não tenho mais dinheiro, só os 40 euros". "Meu querido, não se preocupe, está tudo incluído"." O valor acordado era para uma hora. X ficou mais de duas. "Só tratei de uma pessoa que estava precisando. Dando afeto e atenção."

Andreia não tem ideia do impacto que esse acolhimento provocou. Mas Y, com paralisia cerebral, pode explicar. Há três anos que não recorria à prostituição. Este ano, voltou a fazê-lo por encontrar alguém que não o "explora" por ser "diferente". A última mulher que aceitou recebê-lo cobrava-lhe 40 euros por 15 minutos. Agora, consegue que uma hora de companhia tenha o mesmo valor. "As pessoas com deficiência também devem ter uma vida sexual ativa e normal como as outras. Um corpo "torto" também tem prazer. Também quer prazer. Estes preconceitos existem e o pensamento de que enquanto deficientes somos seres assexuados é algo que apenas está na cabeça de alguns. Erradamente." Com 43 anos, Y já só quer mimos, não sexo. "Estar com quem se importe, porque ir às meninas já não me diz nada." Ainda assim, dada a sua condição, recorrer à prostituição foi quase sempre a única solução. E nem era fácil. Ou porque precisava que algum amigo concordasse em ajudá-lo, levando-o. Ou porque corria o risco de ser rejeitado por elas. "Por preconceito ou por medo."

Aos 37 anos, Liliana Viana olha a sua vida amorosa e sexual em perspetiva. Para a poetisa com paralisia cerebral, amante de arte e de viagens, a adolescência foi "absolutamente pavorosa". Razões? A primeira vez que os seus lábios tocaram os de um rapaz, "ao de leve", foi durante um joguinho entre amigos. "Calhou-me a criaturinha mais feia da turma." Ainda assim, admite, "foi uma oportunidade". Uma situação embaraçosa que se repetiu, não por azar, "mas porque era sempre a deficiente". Lembravam-lhe com frequência. "A sexualidade para mim foi e é um problema." Romântica desde que se conhece, sonhou com o príncipe encantado. Com o casamento, com os filhos. "E eu era gira e magra, mas aos 20 continuava sem ter dado um beijo a sério. Foi um desespero."

"Se fosses uma mulher normal..."

Nessa altura, já na faculdade, começaram a surgir os amigos coloridos. Um termo usado por estigma. "Sim, eles não assumiam uma namorada com deficiência." Termo que lhe foi condicionando a forma de ver os relacionamentos. De se entender enquanto mulher. Um desses amigos coloridos manteve o rótulo por sete anos. "Na verdade, foi uma relação longa, mas ele só aparecia de vez em quando." Hoje, percebe, era manipulada. "Tinha uma necessidade tão grande de afeto e de encontrar alguém, e no meu caso não é propriamente fácil, que eles usavam isso contra mim." Esse em específico dizia-lhe: "Se fosses uma mulher normal os homens faziam fila". Liliana sentia que era.

Mais à frente, passou a frequentar discotecas. E, brinca, "às escuras os defeitos mal se viam". Os convites para cafés que se seguiam obrigavam-na a preparar terreno. Contava que tinha paralisia cerebral. "Um dia, um quis saber se ainda assim eu era mulher." Nada por mal, mas as frases gravadas na memória. Pior quando eram ditas pelos amigos. "Ó Lili, já que não vais ter família, filhos, nem essas preocupações, podes estudar até ao fim da vida." O problema é que Liliana queria viver. Apaixonar-se, ser feliz. Mas a lista de deceções é grande. "Eu tenho hipertonia muscular, não se vê, mas causa-me bastante sofrimento." Dores pavorosas. Espasmos sem fim. Um desses "namorados" não percebia. "Chegou a olhar-me nos olhos, enquanto fazíamos amor, e perguntou: "porque é que estás a fazer essa cara?"." A vergonha prolonga o silêncio.

Recentemente, voltou a ter uma relação. Iludiu-se, achou que ia resultar. O namorado era atencioso, assumiu-a, passeavam, mas depois... "Ele queria uma dona de casa."A vida sexual também não encaixava. "Até porque eu própria ainda estava a perceber este corpo em mudança." Voltou a experimentar a sensação do fracasso. "Gente como eu dá trabalho." E agora só pensa: "Eu vou ficar pior, um dia vou precisar que tomem conta de mim. Quem vai querer ficar com uma pessoa como eu? Eu sei o que é ser um peso para outra pessoa. Se ficar sozinha, que seja. Já chorei muito, mas não vale a pena."

Inês Braga e Ricardo Alves vivem uma realidade oposta, navegam na esperança. Mesmo que a paralisia cerebral a ela lhe taxe com 95% de incapacidade e a ele com 85%. O que lhes falta em mobilidade compensam em amizade, amor e boa-disposição. Conheceram-se na Villa Urbana de Valbom, unidade da Associação do Porto de Paralisia Cerebral (APPC), um edifício que acolhe, entre outras valências, um regime de habitação permanente, em apartamentos individuais, com mais de 30 pessoas. É lá que o casal vive. Cada um no seu canto. Por opção. A jovem, de 34 anos, conta que conquistar o amor foi uma tarefa difícil. "Agora costumo dizer, na brincadeira mas a sério, só o largo quando virar lésbica."

A relação dura há quatro anos. O pedido de namoro seguiu os preceitos. Com champanhe e alianças. Estão comprometidos. Entregues um ao outro. Em tudo. Aos 44 anos, Ricardo confessa que foi preciso Inês chegar à sua vida para descobrir todo um outro mundo, sem tabus. "Foi a primeira mulher que eu vi como veio ao mundo. Foi a minha primeira parceira sexual. Com quem aprendi, muitas coisas." No sexo, como no resto da vida, complementam-se, sabendo das suas limitações. Inês fala pelos dois. "A sexualidade vai muito para além do ato sexual, da penetração. A atenção e o abraço são mais fortes. Os laços afetivos valem mais do que cinco minutos de prazer."

Não há coitadinhos

Para tudo é preciso uma aprendizagem e adaptação. "E se não dá para a direita dá para a esquerda. Temos de nos aceitar tal como somos." Esse é que é o desafio: como é que um casal de namorados reage à limitação do outro? "Eu sou o complemento do Ricardo. Há coisas que eu não consigo fazer e o Ricardo ajuda-me. Há coisas que o Ricardo não consegue fazer e eu ajudo." A ideia que como pessoas com deficiência querem passar é clara. "Não há coitadinhos", acentua Inês. "Há duas pessoas que têm vontade de ter momentos íntimos, mesmo que isso queira dizer que não seja o habitual sexo. É um complemento. Tem é de haver aceitação plena", acrescenta Ricardo. Primeiro deles, depois dos outros. Até porque, para estarem juntos, precisam da ajuda de uma terceira pessoa. Tem sempre de haver quem os dispa, quem os ponha na cama. Quem trate deles a seguir. Isto depois de terem o selo de aprovação da APPC.

Ali na Villa, o contacto sexual obedece ao cumprimento de alguns trâmites. Primeiro, as pessoas solicitam a vontade de estar juntas. Depois, ativa-se um protocolo, com entrevistas, consultas e avaliações, para que a equipa técnica e os psicólogos possam assegurar que há real vontade dos dois e que nenhuma das partes está a sofrer abuso ou a ser coagida a fazer algo que na verdade não queira, ou para a qual não está preparada. "No nosso caso, esse processo durou mais ou menos seis meses", esclarece Ricardo. No fim, depois de preparados, ficaram a sós. "Cientes que íamos fazer o que conseguíssemos fazer sozinhos, que é mínimo, mas é o que nos satisfaz." E ajuda não sentirem julgamento no olhar de quem está ali para os apoiar.

João, auxiliar, entende-os perfeitamente. Esconde-se atrás de um nome fictício para se proteger, para não expor a unidade em que trabalha, nem os utentes que, de certa forma, acabam por se tornar amigos. No que toca aos encontros íntimos, ele próprio já ajudou a "preparar casais". No início ficava reticente: "Não me queria envolver muito quando nos puseram a hipótese". Depois, refletiu. "Ao trabalhar ali, estava a fazer o que eles não conseguiam. Senti-me na obrigação." Até porque, como admite, "será sempre pior para eles do que para quem os ajuda". A solução é usar algum humor, "desanuviar o ambiente"". "Atualmente já é mais descontraído. Depois eles ficam na vida deles e só lá vou levantá-los de manhã." O assunto é, inevitavelmente, tema de conversa com os colegas. Porque todos reconhecem que "pedir para ter relações sexuais é constrangedor, mas necessário". No caso de João, a ajuda até ultrapassa o expediente. "Apoio no que posso. No que consigo." Nesse contexto, chegou a facilitar o contacto entre deficientes e prostitutas. "Mas há mulheres que se recusam por achar a condição deles repugnante. Têm nojo." João suspira. "O tema é delicado. Para já, a prostituição é a saída, principalmente para os homens. No caso das mulheres, nem sequer se ouve falar."

O presidente da Federação das Associações Portuguesas de Paralisia Cerebral, Abílio Cunha, põe o dedo na ferida. "O sexo feminino é mais fustigado pela família no que à sexualidade diz respeito. É tabu. E depois há o medo de que engravidem." Dos filhos serem também deficientes. De não saber como podem cuidar deles. "Criando nas pessoas grande angústia." O casal citado acima, por exemplo, já discutiu o tema. Quer Inês quer Ricardo gostavam de ser pais. Mas ambos chegaram à mesma conclusão. "Se já sozinhos é difícil, devido às nossas dificuldades físicas, imagine-se com um bebé. Teria de ser mais um encargo para alguém, pelo menos até a criança ter alguma autonomia."

Por estar a par desse género de receio, Abílio Cunha fala também na qualidade de marido e de pai, com paralisia cerebral. "As consultas de planeamento familiar existem para as pessoas com deficiência. Mas nem sempre elas vão." No seu caso, tal não foi preciso. Com Mónica, animadora sociocultural, teve dois filhos, um rapaz e uma rapariga. A paternidade foi como nas outras áreas da sua vida algo extraordinariamente normal. "Ou não faria sentido partilharmos uma vida. A dois", salienta Mónica. Mas, antes de aí chegar, Abílio estudou, até onde quis. Trabalhou na mercearia da família, tirou a carta, inseriu-se cedo nos movimentos associativos. Foi assim que em 1987 a conheceu na APPC. Não foi amor à primeira vista, reconhecem os dois. O relacionamento foi evoluindo naturalmente "como acontece com qualquer pessoa". E para Abílio o "ai, eu sou deficiente, nunca vou conseguir conquistá-la" nem lhe passou pela cabeça. O amor àquela rapariga fê-lo descobrir novas sensações, como o desejo sexual. "Não foi logo. Enquanto pessoa não sinto necessidade do ato sexual propriamente dito. Tem de ser conjugado com os sentimentos, com a afetividade, com o respeito." O namoro avançou. Em dois anos casaram-se. Passados mais dois, tiveram o primeiro filho. E em todas essas etapas houve quem se espantasse. Uma ou outra amiga que não compreendia como é que Mónica conseguia. A obstetra convencida que a grávida levava o irmão às consultas e não o pai dos seus filhos. Vizinhos que achavam que os amigos do casal que tinham paralisia cerebral só podiam ser irmãos de Abílio - "Coitadinha da vossa mãe, teve tantos assim".

Também houve episódios caricatos nas famílias, embora de forma mais ténue. "Para os meus pais, o meu casamento nunca foi uma hipótese, inconscientemente pensaram que eu ou viveria numa instituição ou na residência de algum familiar. No entanto, fui o primeiro dos meus irmãos a casar", goza Abílio. E Mónica também assume: "Mentiria se dissesse que nunca tive bloqueios". Como no dia em que contou quem era o namorado. "Foi um choque", que passou mal o conheceram. E quando o primeiro filho nasceu, a avó de Abílio tinha urgência em ver o bebé. Disse alto e bom som: "Deixa-me ver se não tens os pés e as mãos tortas do teu pai". Recordações que guardam com humor. "Temos de levar a brincar. Mas, coitadinha da velhinha, não sabia, achava que a paralisia cerebral era hereditária." Não é.

A afetividade e a autonomia da sexualidade na deficiência são quase sempre ignoradas e negligenciadas. "A começar pela família." A frase pertence à terapeuta ocupacional Daniela Lopes, que fez uma tese de mestrado na área. No fim, concluiu que as pessoas mais próximas, nomeadamente a família, acabam por constituir uma grande barreira à participação dos deficientes na sexualidade. "Muitas vezes porque negam durante muito tempo que a pessoa com algum tipo de limitação possa vir a ter interesse sexual em alguém." Por norma, o foco dos pais durante o crescimento de uma criança está muito voltado para as questões da aprendizagem, para a escola, para o andar, para a fala. "Durante toda a primeira infância até à adolescência, tudo o que devia ser trabalhado para preparar as pessoas para esta realidade não existe." E, no caso da deficiência, os técnicos também acabam por ir respondendo às dificuldades e necessidades que os pais apresentam, que estão muito no plano do que é visível, esquecendo-se a afetividade e a sexualidade. O problema é que, quando for abordado para ter uma relação sexual, "não vai perceber o que isso significa, o que implica". E assim se chega aos 17 e aos 18 anos com comportamentos imaturos face à sexualidade, "por ser uma novidade", porque o que descobrem por eles mesmos "não têm com quem partilhar". O que era evitável, defende Daniela Lopes. "Porque não é uma área à qual devemos dar um tratamento diferenciado. Devemos falar sobre ela como falamos sobre qualquer outro aspeto da vida. Entendendo quais são as necessidades que cada população tem. O nosso papel aqui é ir acompanhando toda esta evolução e ir facilitando dentro daquilo que é possível nas diferentes situações."

No que respeita ao contexto institucional, tem havido melhorias, mas ainda há muito a fazer. Principalmente na privacidade e no conforto dos utentes para que vivam a sua sexualidade de forma autónoma. Em contexto residencial, isso é mais evidente. "São várias as instituições residenciais que apenas têm quartos partilhados. E como é que podemos facilitar a vivência plena da sexualidade da pessoa quando não conseguimos garantir privacidade?" Mais. "Se eu em minha casa deixo entrar quem eu quiser, e se queremos que as pessoas neste caso com deficiência ou incapacidade tenham a sua casa, tenham a sua autonomia, porque é que elas não podem levar para dentro das suas casas quem elas bem quiserem?"

Questões que, confessa Abílio Cunha, estão longe de ter resposta. "Estamos no mesmo ponto de há 20 anos. O que é grave se pensarmos que nalguns casos, as pessoas nem masturbação conseguem fazer. É terrível. Tenho colegas que acabam os cursos superiores, superam muitas dificuldades, mas depois dizem: "a minha vida não faz sentido porque ninguém gosta de mim"." Mónica aproveita para lembrar que, no seu caso, se apaixonou por Abílio como podia ter-se apaixonado por outro rapaz. "Ele estava no grupo de amigos. Não é só com teses de mestrado na sexualidade, seminários e palestras que vamos lá. Porque isso não chega à realidade das famílias. A afetividade e o namoro vêm do contacto que temos uns com os outros. Faltando isso não pode haver o resto."

A crise na adolescência

No Mundo, aproximadamente 15% da população tem algum tipo de deficiência ou incapacidade. Em Portugal, estima-se que mais de 600 mil pessoas vivam com limitações a nível físico ou mental. A saúde sexual é considerada uma das dimensões centrais da saúde em geral e consagrada como um direito de todas as pessoas pela Organização Mundial de Saúde. No dia a dia falha.

Isabel Monteiro e Hélder Campos, os pais de Martim, que já conta 12 anos, andam preocupados. O filho tem uma "raríssima" que os próprios médicos ainda não conseguiram definir. Como ele, sabe-se que há mais sete casos no Mundo. À parte disso, acabaram de despertar para a sexualidade do filho. Mas, ao contrário de outros progenitores, não a negaram. Nem esconderam. Pelo contrário. Partilharam-na com a família, para que ninguém fosse apanhado desprevenido. Avisaram a escola, para que haja compreensão e até proteção. E pediram orientações à médica das doenças metabólicas, para facilitarem a vida do filho. "Temos vindo a procurar respostas desde que percebemos que ele está muito desenvolvido sexualmente", conta o pai, que já lhe tentou explicar e ensinar "o que deve fazer". Uma tarefa que não se tem revelado fácil. "Ele não nos deixa chegar perto, está a descobrir à maneira dele", constata Hélder.

As dúvidas são muitas e legítimas. O próprio menino entende que algo de novo se passa. E tem vergonha do que desconhece. "Inicialmente enfiava-se na cama", confidencia a mãe. "Aos poucos, fomos dizendo que era normal, mas que só podia acontecer no quarto, na casa de banho, à noite", para que não sofra, por exemplo, em ambiente escolar. "Como anda na natação e tem de se despir e tomar banho, há essa preocupação. Não sabemos se mais para a frente não vai ceder a impulsos e queremos ajudar." Terá apetite sexual certamente, mas como vai fazer para o aliviar? Conseguirá perceber que da prática do ato poderá haver consequências? "Não sabemos. " Como não sabem que recursos terão para o ajudar à medida que a criança se desenvolve. "Pode vir a precisar de acompanhamento, mas essa figura para já não existe. Devia ser um assunto mais abordado, principalmente com os pais. Estamos assim com um menino de 12 anos, imagine-se quando tiver 30", questionam-se.

Essa é a luta que Rui Machado trava há anos. Por informação, por esclarecimento, por soluções. O ativista dos direitos das pessoas com deficiência, membro da comissão coordenadora dos "(d)Eficientes Indignados" e da direção do "Centro de Vida Independente", tem uma doença neuromuscular genética e evolutiva. Só em adulto percebeu que a sua sexualidade tinha sido cortada da agenda das prioridades. Socialmente, o assunto compete com as questões do emprego, das acessibilidades e das muitas reivindicações legítimas deste grupo de pessoas. "Então optámos pela criação de um movimento isolado, próprio." Cuja missão é trazer para o espaço público português um debate negligenciado academicamente, institucionalmente, politicamente. À "Notícias Magazine" resume os três pontos que sustentam essa guerra. Um, somos um todo e esse todo tem de ser considerado. "É a normalização daquilo que é absolutamente normal, que duas pessoas estejam juntas por um sentimento, seja em que contexto surgir e tenham as pessoas as características que tiverem." Dois, é preciso conscientizar. A começar pelas próprias pessoas com diversidade funcional. "Para que percebam que têm o seu direito a uma vida sexual e afetiva. Ao longo do tempo, foi-lhes incutido padrões de incapacidade, de incompetência, de invalidez, como desvantagem. Por incrível que pareça muitas delas aceitam o facto de não poderem ter uma vida afetiva." E, por último, denunciar e provocar o debate acerca das grandes dificuldades e entraves que vivenciam as pessoas com deficiência, na tentativa de se realizarem a nível sexual e afetivo. "Claro que para resolver um problema temos de o conhecer, quais são as barreiras que existem? Só assim podemos contribuir com soluções reais, sejam elas quais forem. Temos de perceber a realidade do país e implementar alternativas."

A assistência sexual é uma direção. Contudo, antes importa saber o que é. Já há vários modelos lá fora. Dinamarca, Holanda, Suíça, Espanha, República Checa. E em todos a figura de assistente sexual se revela distinta. "Por isso, é importante discuti-los, saber o que se adequa ao nosso país." No movimento em que Rui tem voz ativa, há uma preferência pela ideia de um ativista catalão, Antonio Centeno, que defende a figura de assistência sexual como facilitador do acesso ao próprio corpo. "Ter alguém formado a ajudar em situações de masturbação, quando a pessoa não é capaz sozinha. Ou a ajudar casais com deficiência, que precisam do apoio de um terceiro elemento. Esta visão não estigmatiza a pessoa com deficiência, já que se distancia da prostituição, que não deixa de ser uma escolha possível, como é para qualquer pessoa." Aliás, defende Rui, "seria desejável que se acabasse com o vazio legal existente no nosso país sobre a prostituição, legalizando-a para segurança e dignidade de profissionais e clientes".

Não viver a sexualidade "tem implicações sérias e diretas no desenvolvimento pessoal de cada um, na autoestima, nas relações diárias", salienta Rui. O que é válido para quem não tem limitações como para quem tem. E para que não restem dúvidas de que os deficientes e as pessoas com paralisia cerebral não são assexuados, foi dado um nome bem polido a este movimento que trabalha por soluções. Chama-se "Sim, Nós Fodemos".

Fonte: JN
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Duvidas & Ajudas / Cadeira de rodas
« Última mensagem por migel em 22/10/2020, 10:54 »
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Notícias de saúde / Re: Tudo relacionado com o Coronavírus
« Última mensagem por migel em 22/10/2020, 08:38 »
Quando é que uma pandemia acaba?


Foto: Getty Images

Sabemos que a Covid-19 está a propagar-se por todo o mundo desde 11 de março de 2020. Já decretar o seu fim pode ser bem mais complicado

“Quando é que a pandemia acaba? Vai ser muito parecido àqueles filmes em que, depois da palavra ‘fim’, ainda demora uma série de tempo até passarem todos os créditos…”. A imagem que nos é revelada por Carlos Matias Dias, médico de saúde pública e coordenador do departamento de epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge –INSA, representa na perfeição a resposta à pergunta que ecoa nas nossas cabeças há algum tempo. Perante uma doença infecciosa que se dissemina por todo o mundo, saber quando é que uma pandemia acaba é a resposta que todos procuram. Os exemplos da história dão uma ajuda, mas…

Sabemos, antes de mais, que nem vale a pena pensar que já dura há uma eternidade, sobretudo quando a realidade insiste em devolver-nos um retrato pior a cada dia. O mais avisado, repetem-nos especialistas e indicadores matemáticos, é prepararmo-nos para pelo menos mais ano e meio de máscaras, álcool-gel e distanciamento social. Já os menos otimistas apostam que, ao ritmo atual de infeções, arriscamo-nos a ter pandemia para os próximos dez anos. 

A grande questão é que, agora tal como ao longo dos tempos, foi sempre muito mais rápido e fácil determinar quando se está perante um agente infecioso que se espalha por todo o mundo. Declarar o seu fim, isso, pode ser bem mais complicado. As dúvidas são mais do que muitas. Isto acaba quando o vírus perder força ou será só quando houver vacina? E se isso não chegar a acontecer? 

Diz que é uma espécie de terrorismo sanitário
Há anos que a OMS, e outros especialistas e interessados no tema, como Bill Gates, avisavam para o cenário de uma pandemia, um inimigo que o filantropo comparava a um tipo de terrorismo que, se negligenciado, seria muito mais difícil de deter. Um aviso não foi propriamente levado a sério – ou pelo menos foi menos escutado do que poderíamos imaginar. Agora que a Covid-19 já cá está, oficialmente, há sete meses, e as populações começam a acusar a fadiga de viver com restrições constantes, a pergunta ainda sem resposta começa a fazer um eco constante e regular. Afinal, quando é que isto acaba? 

Oficialmente, há duas maneiras de descrever o fim de uma pandemia. Uma é a erradicação clara, permanente e completa de um agente infeccioso – mas nisso poucos acreditam, como o médico de saúde pública do INSA. “Provavelmente, vai tornar-se sazonal, tal como aconteceu com outros coronavírus conhecidos”, acrescenta Carlos Matos Dias, a lembrar que, segundo esta definição, uma pandemia termina quando o vírus já não é predominante em todo o mundo – ou em múltiplos países. 

A outra, a tão almejada imunidade de grupo, essa, obriga a um processo que é bem mais moroso e complicado. “Sabemos que há imunidade quando uma boa percentagem da população já não desenvolve – nem transmite doença”, segue o especialista, sublinhando que é também por isso que damos tanta atenção ao valor do Rt, como se tornou, entretanto, conhecido o risco de transmissibilidade – e aí, remata, “o ideal é que esteja abaixo de 1. Neste momento, por exemplo, há regiões do país com um Rt de 1.3, muito perto do 1.4”.   

Valores certos sobre a percentagem da população que já contactou com o vírus ainda ninguém sabe ao certo. Uma perspetiva muito otimista foi anunciada há uns meses – segundo o modelo matemático de Gabriela Gomes, epidemiologista na Liverpool School of Tropical Medicine, a imunidade de grupo atinge-se quando 10% da população tiver sido infetada. Agora, o valor mais consensual entre especialistas situa-se entre os 40 e os 60%, embora haja quem considere que é preciso que o vírus chegue a 75% da população… E nós, como acrescenta ainda Ricardo Mexia, o epidemiologista que é também presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, estamos ainda nos 3%, segundo os dados dos testes serológicos já realizados.   

10 anos também é manifestamente exagerado
Alcançar a imunidade de grupo para fazer corta-mato e decretar o fim da Covid-19 mais rapidamente foi, alegou-se já por diversas vezes, a estratégia de países como a Suécia, em que o vírus circulou de uma forma mais livre. Mas perante o receio de um colapso sucessivo dos sistemas de saúde, concordam os especialistas, o mais razoável será aguentar a respiração mais um bocadinho (e não deixar o vírus alastrar à sua vontade…) até chegar a dita vacina. Anunciada já para o final de 2020, início de 2021, esta terá, ainda assim, mais uma série de obstáculos a ultrapassar. 

“Por exemplo, mesmo meses depois, ainda podemos estar longe do fim da pandemia. O mais expectável é que haja uma eliminação – ou redução de atividade – progressiva”, considera Carlos Matos Dias, que lembra o caso da varíola, a última doença pandémica considerada erradicada pela humanidade há 40 anos. A última pessoa a contraí-la foi um cozinheiro de um hospital na Somália em 1977, mas só em 1980 se considerou o seu fim. “Vai parecer muito aqueles filmes em que, depois da palavra ‘Fim’, ainda demora uma série de tempo até acabar o genérico…”, compara aquele epidemiologista – não falando da ironia de o tal cozinheiro, de seu nome Ali Maow Maalin (com direito a página na Wikipédia e tudo), depois de recuperado por completo, ter acabado por morrer de malária em 2013, com perto de 60 anos. 

É que, a dificultar ainda mais o processo, há ainda a já conhecida mutação periódica deste tipo de coronavírus, o que pode obrigar a que a vacina também tenha de ser regularmente atualizada. E será que depois as pessoas aderem à vacinação? Esse é mais um receio de quem estuda estes processos – afinal, o crescendo de movimentos anti-vacinas não é propriamente despiciente. “Veja-se o caso da gripe. Nem nesse caso, relativamente pacífico, a população adere em massa”,  remata Matos Dias, o que explica as campanhas públicas anuais a apelar à vacinação. Agora também deduzir disto tudo que nem daqui a dez anos nos livramos do SARS-CoV-2 é, aos olhos daquele médico de saúde pública, “algo manifestamente exagerado”. 


Fonte: Visão
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Anedotas / A idade sexual do homem comparada aos aviões
« Última mensagem por casconha em 21/10/2020, 20:39 »


Homem até aos 20 anos:
Avião de Papel
Apenas voos rápidos, de curto alcance e duração. Em geral, descola com o auxílio da mão do dono.

Dos 20 aos 30 anos:
Avião de Caça Militar
Sempre a postos, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ataca qualquer objectivo.
Capaz de executar várias missões, mesmo quando separadas por curtos intervalos de tempo.

Dos 30 aos 40 anos:
Aeronave Comercial de Voos Regionais
Mantém horários regulares. Destinos bastante conhecidos e rotineiros.
Os voos nem sempre saiem no horário previsto, o que demanda mudanças e adaptações que irritam a clientela.

Dos 40 aos 50 anos:
Aeronave Comercial de Voos Internacionais
Opera em horário de luxo. Destinos de alto nível. Voos longos, com raros sobressaltos.
 A clientela chega com grande expectativa; no final, sai cansada, mas satisfeita.

Dos 50 aos 60 anos:
Aeronave de Carga
Preparação intensa e muito trabalho antes da descolagem.
Uma vez no ar, manobra lentamente e proporciona um menor conforto durante a viagem.
A clientela é composta maioritariamente por malas e bagulhos diversos.

Dos 60 aos 70 anos:
Asa Delta
Exige excelentes condições externas para alçar voo. Dá um trabalho enorme para descolar e,
depois, evita manobras bruscas para não cair antes da hora. Após a aterragem, desmonta e guarda o equipamento.

Dos 70 aos 80 anos:
Planador
Só voa eventualmente e com auxílio. O repertório de manobras é extremamente limitado.
Uma vez no chão, precisa de ajuda até para voltar ao hangar.

Depois dos 80 anos:
Aeromodelo
Só serve para enfeite


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