GREVE DE FOME POR UMA VIDA INDEPENDENTE
Irei estar em frente à Assembleia da República a partir do dia 7 de outubro, com o apoio do Movimento (d)Eficientes Indignados, a realizar greve de fome até forças o permitirem e ser humanamente possível para alertar os nossos governantes para a falta de dignidade que todas as pessoas com deficiência dependentes de 3ºs que vivem no nosso pais.
Exigimos o direito a uma VIDA INDEPENDENTE
Segundo Adolf Ratzka, fundador e Director do Instituto de Vida Independente, "Vida Independente é uma filosofia e um movimento de pessoas com deficiência que trabalham para a autodeterminação, igualdade de oportunidades e respeito por si próprio. Vida Independente não significa que queiramos ser nós a fazer tudo e que não precisamos da ajuda de ninguém ou que queiramos viver isolados. Vida Independente quer dizer que exigimos as mesmas oportunidades e controlo sobre o nosso dia-a-dia que os nossos irmãos, irmãs, vizinhos e amigos sem deficiência têm por garantidos. Nós queremos crescer no seio das nossas famílias, frequentar a escola do bairro, trabalhar em empregos adequados à nossa formação e interesses e constituir a nossa própria família.
Visto sermos os melhores peritos nas nossas necessidades, precisamos mostrar as soluções que queremos, precisamos de estar à frente das nossas vidas, pensar e falar por nós próprios - tal como qualquer outra pessoa. Com este fim em vista nós temos de nos apoiar e aprender uns com os outros, organizarmo-nos e trabalharmos por mudanças politicas que conduzam a uma protecção legal dos nossos direitos humanos e cívicos.
Nós somos pessoas profundamente comuns partilhando a mesma necessidade de se sentirem incluídas, reconhecidas e amadas.
ENQUANTO ENCARARMOS AS NOSSAS INCAPACIDADES COMO TRAGÉDIAS, TERÃO PENA DE NÓS.
ENQUANTO SENTIRMOS VERGONHA DE QUEM SOMOS, AS NOSSAS VIDAS SERÃO VISTAS COMO INÚTEIS.
ENQUANTO FICARMOS EM SILÊNCIO, SERÃO OUTRAS PESSOAS A DIZER-NOS O QUE FAZER.”
Todos sabemos que a maioria das pessoas com deficiência não podem viver sem assistência pessoal. Se não têm condições económicas para contratar cuidador e ou familiares que lhe possam dar assistência, ficam fechados em casa ou despejados em lares a viver condições de vida infra-humanas, como por exemplo:
- A Maria da Luz que depois de um acidente que a deixou tetraplégica é obrigada a viver num lar de idosos e afastada do seu filho, cuja maior dor é não poder acompanhar o seu crescimento e educá-lo como a maioria das mães;
- O Eduardo Jorge que ficou com a sua bexiga inutilizada para sempre por não ter um cuidador que lhe realizasse esvaziamentos de 4 em 4 horas;
- O Nelson Mendes totalmente dependente que é obrigado a passar todas as noites, fins-de-semana e feriados sozinho num bairro problemático de Lisboa porque só existe apoio domiciliário durante a semana;
- O Cláudio Poiares que vai ser obrigado a abandonar a sua casa e separar-se da sua mulher e filho porque não consegue apoio domiciliário 7 dias por semana e não tem condições monetárias para pagar cuidadores;
- O Carlos Pinto que depois da população da sua aldeia se ter unido e adaptado a sua casa na aldeia e onde vivia muito feliz na companhia da sua mãe, foi obrigado a ser institucionalizado por motivos de doença da sua mãe, sua cuidadora;
- O Manuel Luís que foi obrigado a abandonar o seu lar, na aldeia, porque sua mãe e cuidadora faleceu e além disso ainda é obrigado a comparticipar institucionalização num serviço de cuidados continuados através da sua pequena reforma ficando sem dinheiro para seu dia-a-dia;
- Carol Soares que lhe é recusado pelo Apoio Domiciliário uma simples depilação e maquilhagem por técnicas entenderem que não é algo importante e útil;
- Célia Sousa que foi obrigada a entregar o seu bebé e ir para um lar porque não poderia pagar cuidador para ela e bebé com os € 197,55 que é o valor da nossa reforma;
- Muitas mães que deixam sua carreira e vida em suspenso porque são obrigadas a abdicar de tudo em prol do seu filho. Ou isso, ou deixa-los partir para uma instituição onde passarão a ser números…
O que existe é mau e ainda por cima tem de se pagar, como é o caso do Apoio Domiciliário, CAOs, Cuidados Continuados e Programa de Famílias de Acolhimento.
A politica vigente é pela institucionalização em instituições sem qualidade e inadequadas.
O Estado e o utente gastam imenso dinheiro com programas e em instituições inadequadas quando o mesmo dinheiro poderia servir para assegurar a continuidade das pessoas em suas casas, e no seu ambiente familiar, com outra qualidade de vida e dignidade. Seriamos nós a gerir as nossas vidas.
Valores pagos pelo Estado ás instituições para nos tirar do nosso ambiente familiar:
- Lares residenciais: €951,53 acrescido da nossa comparticipação que pode atingir os 85% dos nossos rendimentos, fora extras como fraldas, medicação, etc.
- Centro de Atividades Ocupacionais: €482,45 mais 40% nossos rendimentos
- Familias de Acolhimento: €672,22 mais uma percentagem dos nossos rendimentos.
Chega-se ao cumulo de pagarem a uma família de acolhimento que pode ser a nossa vizinha para nos receberem e tirarem das nossas casas, mas nossa família se cuidar de nós recebe máximo de €177,79 para já não referir que pensão social de invalidez é de €197,55 e suspensa caso nos casemos, pois como casal não poderemos usufruir valores superiores a €251,53
Minha greve de fome terminará se os grupos parlamentares se comprometerem a apresentar uma lei de promoção da autonomia pessoal – vida independente.
Esta proposta de lei deverá ser discutida connosco e famílias de pessoas com deficiência, assim como demais organizações representativas de pessoas com deficiência.
Eduardo Jorge
Fonte:
https://www.facebook.com/dEficientes.Indignados