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Autor Tópico: GREVE DE FOME POR UMA VIDA INDEPENDENTE DO NOSSO AMIGO E MODERADOR EDUARDO JORGE  (Lida 4623 vezes)

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Online migel

 
GREVE DE FOME POR UMA VIDA INDEPENDENTE


 
 
 Irei estar em frente à Assembleia da República a partir do dia 7 de outubro, com o apoio do Movimento (d)Eficientes Indignados, a realizar greve de fome até forças o permitirem e ser humanamente possível para alertar os nossos governantes para a falta de dignidade que todas as pessoas com deficiência dependentes de 3ºs que vivem no nosso pais.
 
 Exigimos o direito a uma VIDA INDEPENDENTE
 
 
 Segundo Adolf Ratzka, fundador e Director do Instituto de Vida Independente, "Vida Independente é uma filosofia e um movimento de pessoas com deficiência que trabalham para a autodeterminação, igualdade de oportunidades e respeito por si próprio. Vida Independente não significa que queiramos ser nós a fazer tudo e que não precisamos da ajuda de ninguém ou que queiramos viver isolados. Vida Independente quer dizer que exigimos as mesmas oportunidades e controlo sobre o nosso dia-a-dia que os nossos irmãos, irmãs, vizinhos e amigos sem deficiência têm por garantidos. Nós queremos crescer no seio das nossas famílias, frequentar a escola do bairro, trabalhar em empregos adequados à nossa formação e interesses e constituir a nossa própria família.
 
 Visto sermos os melhores peritos nas nossas necessidades, precisamos mostrar as soluções que queremos, precisamos de estar à frente das nossas vidas, pensar e falar por nós próprios - tal como qualquer outra pessoa. Com este fim em vista nós temos de nos apoiar e aprender uns com os outros, organizarmo-nos e trabalharmos por mudanças politicas que conduzam a uma protecção legal dos nossos direitos humanos e cívicos.
 
 Nós somos pessoas profundamente comuns partilhando a mesma necessidade de se sentirem incluídas, reconhecidas e amadas.
 
 ENQUANTO ENCARARMOS AS NOSSAS INCAPACIDADES COMO TRAGÉDIAS, TERÃO PENA DE NÓS.
 
 ENQUANTO SENTIRMOS VERGONHA DE QUEM SOMOS, AS NOSSAS VIDAS SERÃO VISTAS COMO INÚTEIS.
 
 ENQUANTO FICARMOS EM SILÊNCIO, SERÃO OUTRAS PESSOAS A DIZER-NOS O QUE FAZER.”
 
 Todos sabemos que a maioria das pessoas com deficiência não podem viver sem assistência pessoal. Se não têm condições económicas para contratar cuidador e ou familiares que lhe possam dar assistência, ficam fechados em casa ou despejados em lares a viver condições de vida infra-humanas, como por exemplo:
 
 - A Maria da Luz que depois de um acidente que a deixou tetraplégica é obrigada a viver num lar de idosos e afastada do seu filho, cuja maior dor é não poder acompanhar o seu crescimento e educá-lo como a maioria das mães;
 
 - O Eduardo Jorge que ficou com a sua bexiga inutilizada para sempre por não ter um cuidador que lhe realizasse esvaziamentos de 4 em 4 horas;
 
 - O Nelson Mendes totalmente dependente que é obrigado a passar todas as noites, fins-de-semana e feriados sozinho num bairro problemático de Lisboa porque só existe apoio domiciliário durante a semana;
 
 - O Cláudio Poiares que vai ser obrigado a abandonar a sua casa e separar-se da sua mulher e filho porque não consegue apoio domiciliário 7 dias por semana e não tem condições monetárias para pagar cuidadores;
 
 - O Carlos Pinto que depois da população da sua aldeia se ter unido e adaptado a sua casa na aldeia e onde vivia muito feliz na companhia da sua mãe, foi obrigado a ser institucionalizado por motivos de doença da sua mãe, sua cuidadora;
 
 - O Manuel Luís que foi obrigado a abandonar o seu lar, na aldeia, porque sua mãe e cuidadora faleceu e além disso ainda é obrigado a comparticipar institucionalização num serviço de  cuidados continuados através da sua pequena reforma ficando sem dinheiro para seu dia-a-dia;
 
 - Carol Soares que lhe é recusado pelo Apoio Domiciliário uma simples depilação e maquilhagem por técnicas entenderem que não é algo importante e útil;
 
 - Célia Sousa que foi obrigada a entregar o seu bebé e ir para um lar porque não poderia pagar cuidador para ela e bebé com os € 197,55 que é o valor da nossa reforma;
 
 - Muitas mães que deixam sua carreira e vida em suspenso porque são obrigadas a abdicar de tudo em prol do seu filho. Ou isso, ou deixa-los partir para uma instituição onde passarão a ser números…
 
 O que existe é mau e ainda por cima tem de se pagar, como é o caso do Apoio Domiciliário, CAOs, Cuidados Continuados e Programa de Famílias de Acolhimento.
 A politica vigente é pela institucionalização em instituições sem qualidade e inadequadas.
 
 O Estado e o utente gastam imenso dinheiro com programas e em instituições inadequadas quando o mesmo dinheiro poderia servir para assegurar a continuidade das pessoas em suas casas, e no seu ambiente familiar, com outra qualidade de vida e dignidade. Seriamos nós a gerir as nossas vidas.
 Valores pagos pelo Estado ás instituições para nos tirar do nosso ambiente familiar:
 
 - Lares residenciais: €951,53 acrescido da nossa comparticipação que pode atingir os 85% dos nossos rendimentos, fora extras como fraldas, medicação, etc.
 - Centro de Atividades Ocupacionais: €482,45 mais 40% nossos rendimentos
 - Familias de Acolhimento: €672,22 mais uma percentagem dos nossos rendimentos.
 
 Chega-se ao cumulo de pagarem a uma família de acolhimento que pode ser a nossa vizinha para nos receberem e tirarem das nossas casas, mas nossa família se cuidar de nós recebe máximo de €177,79 para já não referir que pensão social de invalidez é de €197,55 e suspensa caso nos casemos, pois como casal não poderemos usufruir valores superiores a €251,53
 
 Minha greve de fome terminará se os grupos parlamentares se comprometerem a apresentar uma lei de promoção da autonomia pessoal – vida independente.
 
 Esta proposta de lei deverá ser discutida connosco e famílias de pessoas com deficiência, assim como  demais organizações representativas de pessoas com deficiência.
 
 Eduardo Jorge

Fonte: https://www.facebook.com/dEficientes.Indignados
« Última modificação: 01/10/2013, 22:59 por migel »
 

Offline Eduardo Jorge

 
Obrigado amigo.
Se quiseres podes ligar-me uma vez por dia e eu vou-te dando noticias.
Depois falamos nisso.
Fiquem bem
 

Offline 100nick

 
Parabéns por esta inicitiva tão nobre e corajosa.
 
 :palmas2: :palmas2: :palmas2: :palmas2:
 

Online Sininho

 
 

Esta é uma das atitudes simbólicas mais poderosas e sagradas na luta contra as injustiças e desigualdades sociais que o ser humano tem ao seu dispor. É poderosa por forçar de maneira não violenta os que detêm poder político, e esperemos que eficaz para com os mais injustiçados e dependentes. Esta é, certamente, também sagrada, porque é o sacrifício feito por pessoas inocentes para o benefício de muitos, muitos... sacrifício este que se levado às últimas consequências e sendo infrutífero pode inclusive trazer grandes desilusões...

Bem haja ao nosso valente amigo Eduardo por uma tão grandiosa acção e que esta alcance grandes feitos!!
  :abraco:
Queira o bem, plante o bem e o resto vem...
 

Offline Eduardo Jorge

 
Muito bonitas como sempre as tuas palavras Sininho.
Obrigado.
 

Offline Pantufas

 
Para o Eduardo muita força e saude para que possa levar avante os seus intentos ..... :bravo:








 

Offline Eduardo Jorge

 
Obrigado amigo.
 

Online migel

 
UMA LUTA DE TODOS.
 
 Esta é uma luta pela dignidade, pelo direito a viver.
 Apelamos a todos para nos acompanharem.
 O Eduardo Jorge luta por todos nós.
 Seremos muitos a estar com ele.

 
 
 
 
 


fonte: https://www.facebook.com/dEficientes.Indignados?fref=ts
 

Offline suscoelh@

 
Muita força Eduardo, que consigas tudo o que desejares. Estamos todos contigo.

"As maiores coisas do mundo e as mais belas não podem ser vistas e nem sequer tocadas. Devem ser sentidas com o coração."

(Helen Keller)
 

Online migel

 

Carta enviada aos grupos parlamentares sobre minha greve de fome    




Exmos Senhores
 
 O Estado Português subscreveu a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em 2009. A Convenção é muito clara:
 (...) “os Estados Partes comprometem-se a:
 a) Adoptar todas as medidas legislativas, administrativas e de outra natureza apropriadas com vista à implementação dos direitos reconhecidos na presente Convenção;”
 
 Passaram já 4 anos e o Estado não cumpriu o compromisso que assinou relativamente a inúmeros itens da Convenção, nomeadamente o estabelecido no Art.19º - Direito a viver de forma independente e a ser incluído na comunidade
 
 Neste Artº o Estado Português reconheceu “o igual direito de direitos de todas as pessoas com deficiência a viverem na comunidade, com escolhas iguais às demais” e comprometeu-se a tomar “medidas eficazes e apropriadas para facilitar o pleno gozo, por parte das pessoas com deficiência, do seu direito e a sua total inclusão e participação na comunidade, assegurando nomeadamente que:
 
 a) As pessoas com deficiência têm a oportunidade de escolher o seu local de residência e onde e com quem vivem em condições de igualdade com as demais e não são obrigadas a viver num determinado ambiente de vida;
 
 b) As pessoas com deficiência têm acesso a uma variedade de serviços domiciliários, residenciais e outros serviços de apoio da comunidade, incluindo a assistência pessoal necessária para apoiar a vida e inclusão na comunidade a prevenir o isolamento ou segregação da comunidade;
 
 c) Os serviços e instalações da comunidade para a população em geral são disponibilizados, em condições de igualdade, às pessoas com deficiência e que estejam adaptados às suas necessidades.”
 
 Recordamos ainda que na Lei n.º 38/2004,de 18 de Agosto sobre o regime jurídico da prevenção, habilitação, reabilitação e participação da pessoa com deficiência, no Artigo 7.º - Princípio da autonomia, se define que a “pessoa com deficiência tem o direito de decisão pessoal na definição e condução da sua vida.”
 
 O que observamos, passados estes anos é que a política dos sucessivos governos tem-se orientado no sentido da institucionalização das pessoas com deficiência.
 
 O Estado em vez de criar condições para as pessoas com deficiência se manterem nas suas residências, no seu enquadramento familiar e social centra a sua intervenção na comparticipação de soluções orientadas para o desenraizamento social e afectivo destas pessoas.
 
 Comparticipa por ex. os lares residenciais com 951,53€ por utente internado e no entanto, se a mesma pessoa estiver em casa, com a sua família, a comparticipação máxima que poderá ter para contratar alguém para o assistir, é de 177.79€.
 
 Existe mesmo a situação paradoxal de ser possível financiar com 672,22€ uma família de acolhimento na casa ao lado da família, que nas melhores das hipóteses, tem direito a 177,79€ para cuidar do seu familiar dependente.
 
 É de notar que quer na situação de internamento em lares quer nas famílias de acolhimento, as pessoas com deficiência ainda têm de comparticipar com parte dos seu magros rendimentos.
 
 Esta situação é anacrónica quer do ponto de vista do bem-estar emocional e social da pessoa, quer ainda do ponto de vista da despesa do Estado. Uma solução que passe por pagamentos directos à pessoa com deficiência, dando-lhe meios que lhe permitam escolher entre a permanência na sua residência ou o internamento, poderá, no nosso ponto de vista, ser também uma poupança para as contas do Estado.
 
 O conceito de vida independente é a saída para o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Estado quer na Convenção já referida, quer na legislação nacional existente. Cabe à pessoa com deficiência “o direito de decisão pessoal na definição e condução da sua vida.” Aliás, foi o próprio estado que na Estratégia Nacional para a Deficiência 2010-2013 (ENDEF) que inscreveu várias medidas que vão nesse sentido:
 
 Medida 63: Desenvolver projecto-piloto que cria o serviço de assistência pessoal.
 Medida 64: Executar o aumento da capacidade das residências autónomas (RA).
 Medida 66: Executar o aumento da capacidade do Serviço de Apoio Domiciliário (SAD).
 
 Nenhuma destas medidas, que têm como prazo de execução este ano, foi executada de uma forma expressiva, não havendo sequer notícia do projecto piloto que criaria o serviço de assistência pessoal, um dos pilares da vida independente.
 
 Está na altura de passar das boas intenções à prática. É necessária uma lei de promoção da autonomia pessoal, à semelhança da que existe por ex. em Espanha, que garanta o direito a uma vida independente para as pessoas com deficiência.

No dia 7, a partir das 18 horas, Eduardo Jorge, tetraplégico, irá estar junto ao Parlamento em greve de fome para chamar a atenção da opinião pública e dos Srs. Deputados para a necessidade desta lei.

Quando os grupos parlamentares assumirem o compromisso de a apresentarem a greve de fome cessará.

 

Contamos com o apoio do seu Grupo Parlamentar para acabar com esta greve. A urgência desta lei parece-nos evidente.
 
 Eduardo Jorge
 Movimento dos (d)Eficientes Indignados   

Publicada por   Nós Tetraplégicos   em http://tetraplegicos.blogspot.pt/2013/10/carta-enviada-aos-grupos-parlamentares.html   
 

Offline Fisgas

 
Não seria necessário se o governo abri-se os olhos a casos como o do Eduardo e de tantos outros que existem por esse Paìs a fora.
Mas como parece ser um mal necessário, muita força e coragem e estamos contigo.
 :greve:



 

Offline Oribii

 
Amigo muita força e saude para este teu evento tão NOBRE    :* :*
 

Online migel

 
Eduardo Jorge prepara greve de fome em frente à Assembleia da República





Eduardo Jorge, 52 anos, vive em Concavada, concelho de Abrantes, e a partir das 18h00 de segunda-feira, 7 de Outubro, promete que estará em frente à Assembleia da República onde dará início a uma greve de fome, aquela que diz ser, neste momento, a sua “única ferramenta” para lutar por uma vida independente e para ter direito a fazer escolhas.
Foi um acidente de carro, em 1991, que o deixou tetraplégico. Há mais de duas décadas dependente de terceiros, não se resigna às desigualdades e injustiças da sociedade e está determinado em lutar pelo direito a ter uma vida independente.
Entre as soluções possíveis defende os débitos directos das verbas que o Estado reserva para as intuições, uma forma de garantir a liberdade de cada um comandar as suas vidas. “Se existisse emprego também não seria necessário disponibilizar essa verba”, garante.




Notícia completa na edição semanal de O MIRANTE.
« Última modificação: 06/10/2013, 11:09 por migel »
 

Online migel

 
Tetraplégico inicia esta segunda-feira greve de fome em frente á Assembleia da República
[/c]Eduardo Jorge de 52 anos, teve um acidente de viação em 1991. Nunca mais foi o mesmo, pois o estado não ajuda. Inicia greve de fome ao fim do dia de segunda-feira. O Eduardo não desiste. O acidente de viação há mais de 20 anos não o desmotivou da luta.
 Actualmente mora a 20km de Abrantes, pertence À coordenação Movimento (d)Eficientes Indignados, direcção da Associação UDF- União Deficiente Fórum, moderador do único fórum português sobre deficiência e administro o blog Tetraplégicos. Faz actualmente um estágio profissional no espaço TIC e apoio á comunidade pertencente á Junta de Freguesia da Concavada e está no 3º e último ano de licenciatura em Ciências Sociais/Serviço Social na Universidade Aberta.
O Eduardo vai iniciar amanhã, a partir das 18h, uma greve de fome. Queixa-se pela inércia do estado e pela fraca qualidade de vida que os deficientes têm.
 
O Tugaleaks entrevistou o Eduardo e ficou a conhecer um pouco mais sobre a sua luta e a luta dos restantes deficientes em Portugal.
 
 O que esperas com este protesto e o que vais levar contigo amnhã? Espero alertar o poder político/opinião pública para a necessidade de sermos nós a decidir as nossas vidas. Queremos uma vida independente e não sermos institucionalizados compulsivamente em lares imundos e ilegais onde passaremos a ser somente um número, como acontece atualmente.
 O que vou levar? Tenho seguido o meu coração e não me preocupado com muitos pormenores e pensamentos. Mas já separei: o edredão para me proteger das noites frias; uns metros de plástico para me abrigar da chuva, lençóis para forrar o colchão da cama, máquina de barbear…acho que é só. Comida não vai ser necessária, água compro por lá.
 
 Quando houve um protesto semelhante há alguns meses o Governo recuou em algumas medidas para os deficientes. Esperas que aconteça o mesmo desta vez? Espero tudo e vou preparado para tudo, inclusive morrer á fome. Quanto ao cumprir promessas ou não, teremos de aguardar se primeiro as fazem.
 
 Como surgiu esta ideia? Os grupos minoritários não conseguem facilmente passar a sua mensagem. As nossas “armas” são poucas. A greve de fome é uma delas. Nada premeditado. Para mim é uma “arma” como outra qualquer.
 
 Vais ter alguém contigo a acompanhar-te?A realizar greve de fome parece-me que não. Mas terei o apoio e presença como sempre de quem cuida de mim, Movimento (d)Eficientes Indignados como sempre, das Associações Mithós e UDF, Homens da Luta, Ana Figueiredo e muitos outros amigos da causa.
 
 No teu dia a dia, como tetraplégico, o teu modo de vida podia ser melhor se houvessem mais apoios do estado? se sim, quais? Sem dúvida nenhuma. Isto não é viver. Viver não é só respirar. Como já disse quero comandar a minha vida e não serem os outros a decidir por mim. A partir do momento que adquires ou nasces com uma deficiência e se não fores rico ou não tenhas quem cuide de ti, o teu destino é ser despejado num lar de idosos. Não me venham com a conversa de conjunturas, crises…não se trata disso. Pois o Estado tem €951,00 para pagar aos lares, mais €482,00 para centro atividades ocupacionais, fora a nossa comparticipação que pode atingir os 85% dos nossos rendimentos e dos nossos familiares, a questão não é falta de verbas. Existe também um programa de acolhimento familiar que Estado comparticipa com €672,00 acrescido de 60% dos nossos rendimentos mas cujo programa as nossas famílias não podem concorrer. Ou seja, pagam ao nosso vizinho para nos tirar das nossas casas ou és enviado para centenas de quilómetros do teu ambiente familiar. Existe também o apoio domiciliário onde o Estado gasta mais uns bons milhões de euros, mas para nós não serve. Só funciona durante as horas úteis semanais. Não existe nos fins-de-semana, feriados, noites e Domingos. Para dar um outro exemplo absurdo: Em Portugal só existem dois lares para pessoas com deficiência física. Um só aceita candidaturas até aos 45 anos e só entras se algum utente falecer, e outro lar desde 2008 que órgãos de comunicação denunciam maus tratos aos seus utentes. O que existe é pouco e mau.

noticias  Tetraplégico inicia esta segunda feira greve de fome em frente á Assembleia da República height=357

 
 Para concluir… Lutamos para que no lugar de comparticipar as instituições e nos obrigar a ser despejados em lares, para que o Estado nos atribua esses valores e crie estruturas sociais adequadas á nossas necessidades e sermos nós a decidir e a fazer as nossas escolhas. Desejamos continuar a viver no nosso bairro ou aldeia, frequentar a nossa escola ou faculdade, conviver com amigos de sempre e viver no nosso meio familiar e não ser obrigados a ir viver num lar sem condições a quilómetros da nossa casa.
 
 Se pudesses deixar uma mensagem ao actual Governo, o que lhes dirias? Senhores governantes (nosso Presidente da República, com todo o respeito que merece fica fora porque segundo ele está proibido de opinar): deixem-se de nos ignorar e olhar como coitadinhos e merecedores das vossas esmolas. Somos tudo menos isso. Estou muito bem resolvido quanto á minha deficiência. O problema é tudo o que me rodeia. Nós detestamos os peditórios de tampinhas e festinhas solidárias com artistas para termos direito a algo que nos pertence por direito e os senhores nos negam. Preferimos trabalhar do que receber os vossos míseros €197,00 que nos dão de reforma. Os senhores criam excelentes leis, mas esquecem-se de as fazer cumprir e punir infratores. Pois conhecem bem a lei de quotas de emprego que ninguém cumpre. Pergunto-vos também se não se equivocaram sobre os €88,00 que nos atribuem para pagar a alguém que cuide de nós? Será que esses €88,00 não eram para recebermos diariamente? Ninguém no seu juízo normal acharia que €88,00 seriam suficientes para pagarmos cuidadores para nos acompanharem 24h por dia. Alguns dos senhores até me parecem ser inteligentes. Mas… Enviei aos senhores uma comunicação onde explicava tudo isto tim-tim por tim-tim, e escrevia também que estou disponível para conversar e suspender a minha greve de fome caso me mostrem garantias de que estas situações não vão continuar e vão criar condições para termos uma vida digna e independente, caso contrário ficarei em greve de fome até morrer. Chantagem? Não, que ideia, os senhores não sabem o que é isso. Ah, mas nada de decidir sem nós. Nós sabemos o que queremos melhor que todos vós.
 
 
 

Online migel

 
Foto: BREVEMENTE NOTÍCIAS height=403
 

 



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