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Autor Tópico: Surf adaptado: "Fábrica de Sorrisos" visita Matosinhos  (Lida 34 vezes)

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Online pantanal

Surf adaptado: "Fábrica de Sorrisos" visita Matosinhos
 
Foto Artur Machado

Projeto de surf adaptado, pioneiro a nível europeu, corre anualmente o país entre os meses de abril e outubro. Surfistas especiais vivem um dia inesquecível, enquanto a associação SURFaddict luta por praias com acessibilidades. Matosinhos foi ponto de paragem pela terceira vez

Neste agosto, a SURFaddict voltou a passar por Matosinhos, reunindo 60 praticantes em torno de um projeto de surf adaptado pioneiro na Europa.


Na praia, desde bem cedo, Nuno Vitorino, mentor do projeto, orientava, como sempre, a "Fábrica de Sorrisos" e a O JOGO, orgulhosamente, explicou: "Não temos uma base. Nós é que nos deslocamos às praias de norte a sul, incluindo ilhas, e levamos pessoas com deficiência para dentro de água, ao mesmo tempo que temos a missão de sensibilizar as autarquias para a importância das acessibilidades nas praias."


"As pessoas com deficiência têm o direito de surfar como uma "pessoa cem por cento" e transformar o impossível, derrubando a barreira da areia e os constrangimentos de entrar no mar. Queremos tornar tudo simples. Entre abril e outubro, conseguimos montar seis/sete eventos e, este ano, já estivemos no Alentejo, Madeira e Tocha. Desde que nascemos, já colocámos mais de 1500 pessoas com deficiência a surfar", detalhou o dirigente que concretiza sonhos: "Pomos um sorriso nos lábios e não queremos saber se é possível ou impossível, por isso temos uma placa aqui na praia que diz "Fábrica de Sorrisos". Isto é para as pessoas com deficiência e para as famílias que cuidam delas. Por um dia, elas não precisam de se preocupar. Nós fazemos tudo."

A luta da SURFaddict, a de levar inúmeras autarquias a criar acessibilidades, conta oito anos, já esbarrou na comum falta de vontade política, mas Nuno Vitorino não é de desistir e, por isso, afirmou: "Temos uma posição de força, se não fizerem as alterações, vamos estar na praia à mesma. No caso da Figueira da Foz, há uns tempos, um vereador confidenciou que era muito difícil, mas o passadiço apareceu. É só um exemplo do que tem acontecido pelo país inteiro. As coisas não são fáceis. Estamos a mudar mentalidades e paradigmas. Quem são os loucos que põem pessoas com deficiência a surfar? Nós."

Graças a um shaper de Peniche (Refresh Boards), a SURFaddict consegue o material necessário para levar surfistas especiais para dentro de água e com perseverança vai chegando mais longe, como contou Nuno Vitorino: "Tivemos de fazer esse trabalho também junto de seguradoras, mostrando fotografias e despertando-as para uma nova realidade. Isto transforma o dia das pessoas que passam a acordar a pensar no surf que se torna um vício. A deficiência não tem de ser um fim em si mesmo e a sensibilização passa pelo exemplo. Uma vez, numa conversa com uma vereadora, disse-lhe que ela não estava a fazer uma rampa para mim, mas para ela, porque um dia ela ia ser velhinha."

Para a SURFaddict, os voluntários são essenciais - é o desporto dos ricos porque isto sai do bolso [risos], diz Nuno Vitorino - e são eles que, ano a ano, contribuem para que o projeto cresça: "Uma vez disse numa entrevista ao "Expresso" que um dia íamos ser 200 na praia e a malta achou esquisito. Hoje, somos 1500 e vamos ser mais. Mais tarde ou mais cedo, o surf adaptado vai ser uma realidade em todas as escolas do país."

Para ele, "Matosinhos é uma das melhores praias nacionais para o surf adaptado". "Só falta uma casa de banho de excelência, como as acessibilidades, mas, por enquanto, temos o Vagas Bar, que abriu mais cedo para ajudar", frisou.

Na praia, os participantes apareceram de todo o país, como Pedro Carregado, que viajou de Coimbra: "Foi uma experiência maravilhosa. Os monitores transmitem confiança. Não há frio, não há medo, nada. É para repetir." Com o verão a chegar ao fim, todos terão de esperar até 2018 para voltar a surfar.

"Esta orquestra não pode desafinar"

Natural de Lisboa, Nuno Vitorino, 40 anos, dirigente da SURFaddict, iniciou o projeto em 2009, motivado pela paixão pela água. "Fiz bodyboard, mas, depois do acidente, vendi o meu material longe de imaginar que isto seria possível", contou Vitorino que, aos 18 anos, perdeu a mobilidade por causa de um acidente com uma arma de fogo.

"Na brincadeira com um amigo, a arma disparou e fiquei de cadeira de rodas", recordou ele que foi atleta paralímpico de natação antes de regressar às ondas: "Um dia, estava em Carcavelos a olhar o mar e senti borboletas na barriga e não era fome [risos], era vontade de ir para dentro de água. Aí nasceu a ideia da SURFaddict. Trabalho para que todas as mães como a minha tenham uma vida mais fácil."

Foi em fóruns que se pôs em contacto com projetos pioneiros no mundo, como os Estados Unidos e Brasil, nascendo assim o projeto português, pioneiro na Europa. "Hoje, vêm aqui ver como funcionamos. É uma logística enorme que tem de funcionar como uma orquestra para não desafinar", rematou.

"Queremos crianças interventivas"

Dos cinco aos 60, há participantes de todas as idades e todos rendidos à arte de domar as ondas. Os monitores ajudam a abrir uma nova janela para o mundo, criando laços com os surfistas especiais, tal como Francisco, de cinco anos, um voluntário singular atento a tudo o que o rodeia, certificando-se que nada falta, não fosse o filho de Nuno Vitorino o atual presidente da SURFaddict. "Há sempre uma criança que é presidente da associação por um ano e, no final desse ano, é ele a escolher o presidente seguinte, que será sempre uma criança. Queremos crianças interventivas", esclareceu Nuno Vitorino.


Fonte: O Jogo 
 


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