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Autor Tópico: Um projeto sem limites. Tornar a vela acessível a jovens com deficiência  (Lida 210 vezes)

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Um projeto sem limites. Tornar a vela acessível a jovens com deficiência



Ana Lemos sofre de espinha bífida, faz vela há quatro anos e participa em provas da modalidade  |  MARIA JOÃO GALA / GLOBAL IMAGENS


Sporting Clube de Aveiro apoia projeto gratuito para os velejadores com necessidades especiais e que funciona em regime de voluntariado. Psicóloga e terapeuta aplaudem estas iniciativas que promovem a autoestima

"Dá-me a sensação de que o vento hoje está muito bom." Com a ajuda dos treinadores, Ana Lemos passa da cadeira de rodas para o barco. Veste uma camisola cor-de-rosa, que combina com a cor do convés. É hoje uma velejadora confiante, de sorriso sempre no rosto, tanto que fica difícil imaginar que quando começou a praticar vela, há quatro anos, tinha fobia da água. "Nas primeiras vezes, com a inclinação do barco, era assustador." Com a prática - e a certeza de que o barco adaptado não vira -, perdeu o medo. "Tem sido uma experiência maravilhosa."

Ana tem 27 anos e estuda Bioquímica na Universidade de Aveiro. Sofre de espinha bífida, uma malformação congénita ao nível da coluna vertebral", que faz que viva presa a uma cadeira de rodas. Nunca tinha praticado desporto até ser desafiada a integrar o projeto Sem Limites, um programa de vela adaptada para pessoas com deficiência promovido pelo Sporting Clube de Aveiro (SCA). Faz parte de um grupo de cinco velejadores - juntamente com Jorge Ruivo, Ana Martin, Sofia Gonçalves e Gonçalo Gonçalves -, que participa em provas nacionais da modalidade.

Pontualmente, o SCA organiza ações com associações de pessoas com mobilidade condicionada e necessidades educativas especiais, que "beneficiam em muito"com iniciativas do género. "Antes de mais, a prática de exercício físico tem uma relação direta com o aumento do bem estar global. Depois, atividades como esta, dirigidas a pessoas com necessidades especiais, promovem a autoesti-ma - "nós também conseguimos fazer" - e isso tem um grande impacto na sua vida", afirma Inês Afonso Marques, coordenadora da área infantojuvenil da Oficina da Psicologia.

O programa Sem Limites nasceu em 2011, em parceria com os serviços sociais da Universidade de Aveiro e a Associação Académica, e conta com o apoio de entidades como o Rotary Clube de Aveiro e o Porto de Aveiro. "É um projeto de voluntariado. Tanto os treinadores como os colaboradores são voluntários e os velejadores não têm qualquer custo com a prática da modalidade", explicou ao DN Nuno Silva, responsável pela secção de vela do SCA. Segundo o mesmo, o clube "é o único com vela adaptada na região centro". A ideia é ter uma ria acessível para todos já que, normalmente, "a deficiência e a água não jogam muito bem", mas não é situação impeditiva para experiências do género. Aliás, existem alguns projetos com sucesso com desportos do mar, como o surf.

Músculos, equilíbrio e coordenação

"A prática de qualquer desporto exige que seja feita uma avaliação motora e cognitiva para perceber as necessidades e capacidades", começa por explicar a terapeuta Raquel Amado da Caso dos Marcos da Associação Raríssimas. "Mas na generalidade estas atividades, sobretudo ao ar livre têm resultados muito positivos. Os utentes têm ganhos físicos - musculares, no equilíbrio, na coordenação - e sociais, pois são atividades que possibilitam interagir com outro tipo de pessoas", salienta a terapeuta.

Em Aveiro, unem-se esforços para que os treinos aconteçam todos os sábados à tarde. A logística para entrar na água é demorada. Há casos de nanismo, paralisia cerebral, tetraplégica. João Gonçalo, anão, 32 anos, é o primeiro a velejar. Na água, quatro praticantes e um semirrígido que serve de embarcação de apoio. Para garantir a segurança dos velejadores, os barcos são mais estáveis do que aqueles que normalmente são usados na vela. "Têm um pavilhão de 70 quilos, que faz que não virem", esclarece Nuno Silva.

Outra diferença, adianta o treinador André Zúquete, é que "nos barcos convencionais os velejadores vão de lado, mas nestes vão de frente". Em vez de segurarem numa cana de leme, os jovens usam um joystick manual, o que facilita o controlo. Já a retranca (haste horizontal) está bastante mais subida do que o habitual, para não tocar na canela do velejador. "É fantástico para quem tem limitações. Nestes barcos, quase não se nota nada. Fazem vela sem grande esforço", diz o professor universitário, que pratica vela "desde miúdo".

Sofia Gonçalves, de 15 anos, veleja acompanhada pelo treinador Pedro Coutinho no único barco que tem capacidade para duas pessoas. São quatro, no total. Ao DN, a mãe explica que a filha "nasceu prematura e tem dificuldades de coordenação, algo que é trabalhado na vela, a coordenação visospacial". Para Laura Paiva, "existindo ria e vento, seria um desperdício se não existisse um projeto como este", até porque "muitos meninos não teriam a possibilidade de fazer qualquer outro desporto".

Antes de entrar na água, Sofia destacava o facto de já ter "aprendido muita coisa sobre a vela", uma modalidade "muito interessante". "Os barcos não viram, o que dá uma segurança completamente diferente", sublinhou. Letícia Martins esteve na génese do projeto e aproveita para fazer uma visita à equipa. "O desporto tem de ser para todos. Trata-se de transformar o que é feito para as massas", frisa. Para a responsável, a forma como treinadores e colaboradores abraçam o projeto é "um ato de amizade e companheirismo". É a prova, destaca, "de que são as pessoas que fazem a diferença, não é o dinheiro".

Segundo a velejadora Ana Lemos, o "ambiente que se vive no grupo é maravilhoso". Além de se juntarem para treinar, participam em provas fora de Aveiro e estão constantemente em contacto. "Já fomos aos Açores, Viana do Castelo, Cascais." Há só um senão: embora os balneários já estejam preparados para pessoas com deficiência, Nuno Silva diz que são necessários apoios para fazer mais algumas adaptações.

 
Fonte: DN
 

 



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