Centro de Atividades Ocupacionais da NECI conta com 30 utentes de ambos os sexos, dos 16 aos 42 anos, residentes nos concelhos de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur.
Quando, em Janeiro 1991, entrou em funcionamento, a NECI – Núcleo de Educação da Criança Inadaptada contava apenas com meia dúzia de utentes, com idades a partir dos 16 anos, integrados no Centro de Atividades Ocupacionais (CAO). Hoje, são trinta (capacidade máxima) e estão em lista de espera mais seis.
«São jovens portadores de deficiência grave, motora e/ou cognitiva, que se encontram em regime de semi-internato e são ocupados, diariamente, com várias atividades, desde treino de competências pessoais, sociais e pré-profissionais, trapologia, artes plásticas, multimédia e dança, até às atividades exteriores, tais como aninoterapia (com burros), hipoterapia, hidroterapia, que servem como forma de terapia e relaxamento», explica José Manuel Campos, dirigente da NECI.
A azáfama na instituição começa a partir das 9 horas, de segunda a sexta-feira, com a chegada dos utentes do CAO, em quatro carrinhas que se deslocam aos seus locais de residência para lhes assegurar o transporte, desde Odeceixe até Sagres, passando por outras localidades dos concelhos de Lagos, Vila do Bispo e Aljezur. Pequeno-almoço, almoço e lanche são as três refeições servidas na NECI. Depois das 16 horas, é o regresso a casa.
«O que é isto?» - pergunta uma técnica a uma jovem. «É um quadro com flores», responde esta, num ambiente de descontração, indicando com o dedo onde está a sua casa, onde se encontram os pais e ela própria.
Num outro quadro podem ver-se peixes no mar. Uma outra jovem diz que, naturalmente, são «para comer» e admite que se trata de sardinhas, por sugestão de uma técnica.
Na mesma sala destinada à pintura, estão patentes azulejos e telas para exposição e venda em certames, cujas receitas reverterão a favor do desenvolvimento das suas próprias atividades.
«Quero abraçar-te», «Neci is nice», «Sou Feliz e quero que tu sejas também» são algumas das frases escritas em quadros. Já na sala de trapologia, dedicam-se a fazer «necitas» (bonecos), sacos, carteiras e tapetes, entre outras peças. «Há trabalhos que demoram uma semana e outros mais tempo.
Têm aceitação no mercado», disse ao «barlavento» a técnica Maria Manuela, admitindo que, mesmo assim, muitos olhem de lado para este tipo de artesanato, «não dando valor quando tem a sua potencialidade».
Na sala «Snozzelen», uma cama de água, num ambiente musical suave e colorido, que mais se assemelha a uma discoteca, serve de descontração na terapia de denvolvimento dos sentidos.
O Centro de Atividades Ocupacionais tem também um ginásio com matraquilhos e outro equipamento que permite desenvolver atividades de dança e desporto adaptado.
Noutra área existe a zona dos gabinetes técnicos com uma sala de fisioterapia e psicomotricidade, outra destinada a sessões de psicologia e ainda uma sala da terapia da fala.
Mais adiante funciona um «snozzelen aquático», com uma “piscina” recheada de bolas e também um ambiente musical e colorido, que ajudam a sentir vibrações e a estimular os sentidos, para além de um «jacuzzi», no qual decorrem as terapias dos mais pequenos.
«Nota-se uma evolução por parte dos clientes, pois têm melhorado a sua maneira de estar, a sua alegria, alguns deles também ao nível da sua fase física e de aproximação. O convívio entre eles é bastante interessante», congratula-se o responsável da instituição José Manuel Campos.
Por outro lado, a NECI dispõe, desde o ano de 2000, de uma valência designada por Intervenção Precoce na Infância (IPI). É um apoio integrado, centrado na criança e na família, mediante ações de natureza preventiva e habilitativa, designadamente no âmbito da educação, saúde e ação social.
Destina-se a crianças dos 0 aos 6 anos, com prioridade dos 0 aos 3 anos, que apresentem deficiências e se encontrem em situação de risco, passíveis de originarem atrasos graves de desenvolvimento, por fatores de natureza ambiental e suas famílias.
Trata-se de um serviço gratuito para um total de 98 crianças, que se encontram integrados em amas, creches, infantários ou em casa.
Quando necessário, deslocam-se à instituição para serem acompanhadas por técnicos especialistas, num projeto que envolve os ministérios da Educação, da Saúde e do Trabalho e Segurança Social.
Dificuldade na fala, motores, paralesias cerebrais e Trissomia 21 são algumas das deficiências detetadas nessas crianças ao nascerem. São encaminhadas para a NECI pelo Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio, em Portimão, e pelos Centros de Saúde da área geográfica de intervenção da NECI.
Fonte: Barlavento