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Autor Tópico: TUDO EM RELAÇÃO » NUMA CAMA E ENJAULADO EM FRENTE A ASSMBLEIA DA REPUBLICA » POR UMA VIDA INDEPENDEN  (Lida 18431 vezes)

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Tudo leva a crer que fica por aqui ...  sinal que há boas novidades.   ;)




 

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Tetraplégico em protesto na Assembleia da República desmobilizou e vai reunir-se 3.ª feira com o governo

3 dez 2018 12:25
MadreMedia / Lusa



Tetraplégico que esteve em protesto no fim de semana à porta do parlamento suspendeu a iniciativa no domingo à noite e vai reunir-se na terça-feira com o Governo para tentar encontrar uma solução para o problema.
Tetraplégico em protesto na Assembleia da República desmobilizou e vai reunir-se 3.ª feira com o governo

Em declarações à agência Lusa, explicou que foi visitado ao final do dia de domingo pelo Presidente da República (PR), Marcelo Rebelo de Sousa, e pela secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, a quem explicou os motivos do protesto e pediu alterações na legislação para que os problemas detetados fossem resolvidos.

"O Presidente apareceu e disse que estava ali para me ouvir e eu expliquei que tinha também convidado a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência (...). Entretanto, ela chegou, dirigiram-se a mim e eu expliquei aquilo que eram as minhas maiores preocupações, que é a demora da implementação deste projeto de vida independente e o facto de não haver a transição que sempre propusemos para que nós, pessoas institucionalizadas, pudéssemos da melhor maneira optar pela vida independente", explicou à Lusa Eduardo Jorge.

Eduardo Jorge diz que desmobilizou "graças ao PR", que, com a secretária de Estado presente, disse que era preciso "conversar e [ver] se não se poderia alterar o decreto-lei ou fazer uma adenda". "Aí, então, marcou-se esta reunião", sublinhou.

Apontou ainda a dificuldade que têm as pessoas na sua condição, que estão em lares/ERPI (Estrutura Residencial para Idosos), em poder optar por continuar lá, mas, ao contrario do que a lei define, não terem assistência 24 horas/dia no exterior.

"Se eu à noite sair do trabalho, ou da instituição, em posso querer ir para minha casa, ou até, por exemplo, durante um periodo de férias, mas o lar não nos dá esse apoio fora", explicou, apontando igualmente as verbas disponibilizadas para este tipo de apoios.

"Estou inscrito num Centro de Apoio à Vida Independente [CAVI] no distrito de santarém e a grande preocupação é: se houve 1,4 milhões para cada CAVI, uma vez que eles têm outras valências - lares, apoio domiciliário, centros de apoio ocupacional - e têm vários utentes, vão querer disponibilizar a resposta ao maior número possível de utentes (...) e as verbas não vão chegar", afirmou.

Para Eduardo Jorge, todos os que estão em condições idênticas à sua, que por lei teriam direito a até 24h/dia de apoio, não o vão poder ter porque as verbas serão insuficientes.

"Conheço pelo menos quatro CAVI na minha zona que se candidataram a apoio 24h/dia e o dinheiro não vai chegar e, claro, vão ter de optar por um ou dois", lamentou.



Fonte: Sapo
 

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O jovem que comoveu Eduardo e a rosa que simboliza esta luta


Eduardo Jorge esteve durante dois dias sem comer, em vigília em frente à Assembleia da República. Dizia que só aceitaria ajuda do Presidente da República, primeiro-ministro ou ministro do Trabalho. Na véspera do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, Marcelo apareceu.


A noite não foi fácil. No segundo dia de protesto, "o frio e o barulho” impediram Eduardo Jorge de pregar olho. Deitado dentro de uma gaiola em frente à Assembleia da República, o ativista tetraplégico, de 56 anos, luta pela implementação do projeto de Vida Independente.

Reportagem em video:  https://rr.sapo.pt/especial/132803/visita-de-marcelo-poe-fim-a-protesto-de-ativista-tetraplegico-em-gaiola

Foi um acidente de carro, em 1991, que lhe roubou a mobilidade. 27 anos depois, recusa-se a cruzar os braços e exige o direito a um assistente pessoal “que será, no fundo, os nossos braços e as nossas mãos”.

Com 90% de incapacidade, Eduardo desafiou o Presidente da República, o primeiro-ministro e o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social a cuidarem dele, “para que no terreno verificassem as dificuldades que nós enfrentamos e o trabalho que damos”.

António Costa e Vieira da Silva não responderam ao desafio. O Presidente da República “confundiu o estatuto do cuidador com o projeto Vida Independente”, garantia Eduardo à Renascença na tarde deste domingo.

Horas mais tarde, já de noite, e sem que a agenda do Presidente o fizesse prever, Marcelo Rebelo de Sousa apareceria junto à Assembleia, acompanhado somente da secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes. Conversou longamente com Eduardo e o ativista abandonaria a jaula e local pouco depois, terminando assim o protesto.

“Eu vi que tinha leis e direitos. Isso transformou-me completamente”

Depois do acidente que o deixou numa cadeira de rodas, frequentou vários centros de reabilitação e regressou a casa, ao fim de um ano, “sem apoio”. Durante vários meses assim permaneceu, sozinho. Desconhecia os seus direitos.

Tudo mudou quando “a internet chegou ao interior”. Eduardo navegou no mundo digital e descobriu que nem só de deveres se faz a legislação. Criou o seu próprio blog, “Nós Tetraplégicos”, e rapidamente começou a partilhar as “descobertas”.

“Hoje eu entendo que a Constituição me defende como defende os outros cidadãos. Eu sou um cidadão de plenos direitos”, explica.

Formado em serviço social, o ativista trabalha no lar onde está institucionalizado. Quer regressar a casa, onde se "sente bem", mas para isso é preciso que o governo avance com o projeto Vida Independente.

“É uma violência psicológica muito grande. Eu não gosto desta exposição. Detesto esta humilhação, tipo um animal de circo. É horrível”, garante.

Não é a primeira vez que protesta. Em 2013 fez uma greve de fome em frente ao Parlamento. Há cinco anos a luta era mesma.

No ano seguinte, 2014, percorreu 180 quilómetros, de Abrantes a Lisboa, na sua cadeira de rodas.

"Antes de me virar para estas formas de protesto radicais, eu já fiz tudo. Já reuni com os grupos parlamentares, já contactei os canais normais. Só que como não há resultados eu opto pela única ferramenta que tenho: o meu corpo e a minha exposição", esclarece.

"Só os deputados Jorge Falcato, do Bloco de Esquerda, e Idália Serrão, do Patido Socialista, é que me contactaram", acrescenta.

O jovem que comoveu Eduardo e a rosa que simboliza esta luta

Eduardo Jorge não está sozinho. Durante a noite de sábado, e ao longo deste domingo, esteve sempre acompanhado por amigos que “lutam pela mesma causa”. “Há muita gente boa que me acompanha. É muito muito interessante”, garante.

Muitos deles enfrentam diariamente os mesmos desafios, outros veem neste ativista, natural de Concavada, em Abrantes, uma resiliência admirável.

Francisco Maio, de 28 anos, veio de propósito para lhe agradecer. Com algum esforço, coloca a mão dentro da gaiola para entregar uma rosa vermelha a Eduardo. Francisco não é capaz de falar, mas o gesto emocionou o homem que protesta há já dois dias.

“Oh Chico, agora emocionou-me”, diz o ativista, que repete agradecimentos. “Não é por nada, é para saber que não está sozinho”, reponde a mãe de Francisco, Rosa.

[Notícia atualizada às 23h15 com a informação de que Marcelo Rebelo de Sousa se encontrou com Eduardo Jorge e o protesto terminou].

Fonte: Rádio Renascença
 
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PCP assinala votação de resolução sobre mulheres com deficiência


Esta segunda-feira, dia 3 de dezembro, assinala-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. Nesse sentido, o PCP assinala a votação, em sede de Parlamento Europeu, de uma resolução sobre a situação das mulheres com deficiência.



© Global Imagens

Notícias ao Minuto
08:20 - 03/12/18 POR ANABELA DE SOUSA DANTAS

POLÍTICA PARLAMENTO EUROPEU

   
No âmbito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinala esta segunda-feira, o PCP destacou a sua intervenção na votação de uma resolução sobre a situação das mulheres com deficiência no Parlamento Europeu, pela voz do deputado do PCP naquela instância, João Pimenta Lopes, membro da Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade de Géneros.

"Registamos que a maioria do Parlamento Europeu chumbou qualquer referência às políticas de austeridade e aos impactos nefastos evidentes que daí resultaram de corte de direitos sociais e laborais, com particular impacto sobre as franjas mais vulneráveis, onde se incluem as pessoas com deficiência, onde as mulheres são discriminadas multiplamente", pode ler-se num comunicado do PCP enviado às redações.

O documento, indica o mesmo comunicado, versa ainda sobre a "necessidade de políticas públicas como elemento fundamental para a integração das pessoas com deficiência em todas as esferas da sociedade, o combate à discriminação, a garantia dos direitos e liberdades, em particular em domínios como o emprego, a educação, a saúde, a proteção social, a habitação, a mobilidade, o acesso à justiça, a cultura, o desporto, o lazer e a participação na vida social e política".

O comunicado dá conta da existência de dois capítulos distintos no que diz respeito às acessibilidades: "Um capítulo dedicado às acessibilidades, abordando a necessidade de superar barreiras arquitectónicas e de garantir o direito à mobilidade, nomeadamente através de transportes públicos. Um outro capítulo dedicado às relações laborais e no local de trabalho, pugnando pela integração laboral das pessoas com deficiência, a adequação da legislação laboral e da regulação dos horários de trabalho às suas necessidades e especificidades, a protecção da gravidez e maternidade e a defesa da aplicação do princípio de salário igual para trabalho igual dando combate à discriminação salarial".

O PCP destaca também a necessidade da integração das crianças com deficiência, nomeadamente ao nível escolar, incluindo-se aqui a igualdade de acesso e o número de professores disponíveis para acompanhar estas crianças.



Fonte: https://www.noticiasaominuto.com/politica/1129561/pcp-assinala-votacao-de-resolucao-sobre-mulheres-com-deficiencia
 

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REUNIÃO PROPOSTA PELO GOVERNO.

Terá lugar amanhã, 5ª feira, pelas 11h da manhã, a reunião com a Srª Secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, em Lisboa, para continuarmos a debater os assuntos que me levaram a realizar o protesto junto á Assembleia da República. Embora me tenham convidado só a mim, irei me fazer acompanhar pela Diana Santos, representante do Centro de Vida Independente de Lisboa, pois esta luta não é só minha e para mim, mas por todos nós. NADA

SOBRE NÓS, SEM NÓS.



Fonte: Facebook tetraplegicos
 

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O Eduardo podia ser eu. Ou o meu filho.



    Laurinda Alves

4/12/2018


Qualquer um de nós pode ficar tetraplégico hoje mesmo! E nenhum de nós quer ser obrigado a lidar com essa realidade e, ao mesmo tempo, ser forçado a sair de casa para ir morar num lar de idosos.

Agora que o Eduardo Jorge foi resgatado da rua pelo (a)braço de Marcelo Rebelo de Sousa, que antes de ser Presidente da República, já era um homem que teria que nascer outra vez para conseguir dormir descansado sabendo que um tetraplégico estava ao relento na rua, dia e noite, a lutar por direitos fundamentais para ele e para outros como ele, dizia eu que agora que o pior já passou todos podemos dormir também um pouco mais descansados. Confesso que me foi difícil conciliar o sono na primeira noite, pois a única imagem que tinha era a daquele homem cheio de dignidade e de razões, deitado numa cama entre grades, no meio da rua, exposto ao frio dos dias e ao gelo das noites.

Estive lá com ele, mas também conversamos por telefone nas vésperas e quando ia a caminho. Voltamos a falar depois, quando regressou ao lar onde mora. Percebo-o e respeito-o em toda a linha. Fiquei contente por saber que houve argumentos sérios que o demoveram no momento em que o PR e a Secretária de Estado da Inclusão foram ter com ele. Esperemos agora para ver os resultados práticos desta ação, que tinha como objetivo chamar a atenção para a situação em que se encontram muitos deficientes e tetraplégicos, que não só têm que lidar com a fragilidade da sua condição e com a frustração decorrente de incontáveis barreiras e obstáculos que encontram no quotidiano, como muitos ainda são obrigados a morar em lares de idosos, onde partilham a vida com pessoas muito velhas e muito dementes. Lares de onde não podem sair por não terem como pagar a um assistente pessoal para os ajudar nas tarefas básicas e os levar à rua quando precisam.

Acredito que a seriedade com que o PR e a secretária de Estado da Inclusão se dirigiram à ‘gaiola’ onde Eduardo Jorge esteve deitado durante 24h (alimentado única e exclusivamente a água e tapado com dois edredons), para conversarem com ele e lhe darem não apenas uma palavra de conforto, mas também palavras de esperança e de compromisso no sentido de influenciarem novas decisões, vai colher bons frutos no futuro próximo. Mesmo que seja necessário um certo tempo para rever a lei, para a reescrever ou fazer uma adenda, não será tempo perdido nem poderemos falar de recuos ou prejuízos para ninguém. Tudo será ganho se daqui em diante todos, absolutamente todos, percebermos que o Eduardo poderia ser cada um de nós ou algum dos nossos filhos. Qualquer um de nós pode ficar tetraplégico hoje mesmo! E nenhum de nós quer ser obrigado a lidar com essa realidade e, ao mesmo tempo, ser forçado a sair de casa para ir morar num lar de idosos.

Tenho uma consciência muito real da facilidade com que a vida muda por estar muito próxima de amigos que ficaram em cadeira de rodas. Um por acidente de mota, outra por ter caído de um segundo andar quando estava a tirar roupa que estava estendida na corda, outro na sequência de uma queda de cavalo, outro ainda por ter feito uma carreirinha no mar, mais outro que se despistou na estrada, uma que foi atropelada numa passadeira de peões (!) e ainda outra por ter entrado às arrecuas num elevador por estar a carregar caixas (como voluntária, para ajudar uma causa!) sem se aperceber que as portas se abriram sem o elevador estar lá. Caiu no fosso do elevador e ficou paraplégica. Revejo-me em todas as situações porque qualquer uma podia ter acontecido comigo. Ou com algum dos meus.

E por ter uma consciência aguda de que num instante a vida muda mesmo (por vezes radical e irreversivelmente para muito pior!), hoje aproveito a boleia do protesto do Eduardo Jorge para protestar também eu contra duas atitudes que considero levianas por poderem gerar acidentes tão graves como os que ele sofreu. Falo da loucura que é agora termos trotinetes elétricas a circularem no meio da estrada, no trânsito caótico da cidade, mas também falo da sempiterna tendência para escrever mensagens ao telemóvel a conduzir.

Primeiro as trotinetes: quem é que nesta cidade controla esta gente? Quem são as autoridades que multam e apitam a torto e a direito, mas se abstêm de mandar parar uma trotinete que atrapalha colossalmente o trânsito de uma avenida central, à hora de ponta, obrigando carros e autocarros a parar ou a abrandar porque uma excelsa e ufana pessoa vai infantilmente empoleirada na sua trotinete sem sequer usar capacete? E, já agora, quem é que na Emel se desperdiça a controlar tudo e todos, até à náusea, mas deixa de fora esta casta de veículos de diversão, de duas pequeníssimas e frágeis rodas rentes ao chão, uma à frente e outra atrás, sem proteção nenhuma nem capacidade de acelerar em situação de ultrapassagem, que ainda por cima estacionam onde querem, chegando a ocupar lugares reservados a carros de moradores?

Este inferno começou há pouco tempo, eu sei, mas é inacreditável que se deixem circular brinquedos nas estradas. Ideais para passeios e passeatas, não tenho nada contra o seu uso, desde que limitado a percursos fora de estrada. Ora não é isso que acontece e todos os dias vejo gente ridiculamente feliz por circular de pé, encavalitada nestas trotinetes, a atravancar as ruas e a impedir o trânsito. A última que vi subia a Avenida Alexandre Herculano (para quem não é de Lisboa, enquadro: via absolutamente central que sobe da Avenida da Liberdade para o Rato e Amoreiras e pode, depois, descer para São Bento ou subir para a Estrela e Lapa) a passo de caracol, no centro da via, mesmo sabendo que estava a provocar um verdadeiro caos. A menina ia de cabelos ao vento, toda ela radiante pela ecologia da sua pegada, contentinha da vida por ser quem era e fazer o que fazia. Não olhava para ninguém, ignorando as travagens bruscas que provocava em carros e autocarros, cujos condutores só davam pela sua presença no minuto em que, ou havia um acidente ou evitavam o pior com uma travagem a fundo.

Irritou-me a indiferença desta rapariga, como me irritam todos os que pegam nas trotinetes elétricas e silenciosas (mais ecológicas, é certo, mas por isso ainda mais perigosas na estrada porque não se vêm nem se ouvem) para circularem extraordinariamente devagar em ruas e avenidas destinadas a carros, motas, autocarros, camiões e outros veículos autorizados. A rapariga de que falo continuou impante o seu caminho, fingindo não perceber que houve condutores que travaram à força para a proteger (desprotegendo-se a si mesmos dentro do carro e podendo provocar um acidente em cadeia!) e nos semáforos nem sequer respeitou verdes e encarnados. Atravessou a estrada como se fosse um peão, sem respeitar ninguém, porventura convencida de que é invencível. E até invisível. Na verdade, conseguiu a proeza da invisibilidade pois no Rato há uma esquadra de polícia, mas ninguém a deteve. Sem capacete e àquela velocidade no meio da via devia ser parada, multada e ver a trotinete confiscada.

Pergunto-me: se esta miúda for atropelada por quem não a viu a tempo ou, ainda pior, se alguém sofrer um acidente por sua causa, de quem é a culpa? Há Lei para regular isto? E se há, o que é que diz? Se ela ficar tetraplégica ou com sequelas para vida, também nós ficaremos com esse peso para sempre. Mas se me deixar paralisada ou se alguém morrer por sua causa, a quem podemos recorrer? Insisto: quem controla esta gente? Quem para esta moda? E quem multa os que realmente devem ser multados?

A outra mania já todos conhecemos e, porventura, experimentámos: atender o telemóvel ou, pior, escrever mensagens enquanto guiamos. Se as trotinetes elétricas são uma moda nova, esta inclinação é tão antiga como os telemóveis e só multas pesadas, mas mesmo muito pesadas, ou uma consciência individual arduamente formada podem inverter a tendência. Prometi a mim mesmo não o fazer, sobretudo depois de o meu próprio filho ter estado entre a vida e a morte por ter sido vítima de um acidente provocado pela distração de quem conduzia e teclava ao mesmo tempo. O meu filho esteve um dia e uma noite em risco de vida, com uma embolia pulmonar decorrente de uma fratura grave. Depois de passar o perigo máximo ficou internado durante um longo e penoso tempo, seguido de fisioterapia e uma nova cirurgia para retirar ferros, também ela seguida de novo ciclo de fisioterapia. Desde esta altura que prometo a mim própria não atender o telemóvel e, muito menos, escrever sms enquanto estou a guiar, mas sei como por vezes se torna difícil cumprir a promessa, dada a quantidade de urgências diárias e de imperativos imediatos.

Estamos a um mês do início de um novo ano, tempo de propósitos e de recomeços. Olho para os meus amigos tetra e paraplégicos (onde incluo o Eduardo Jorge, também ele vítima de um acidente de viação) com a certeza de que amanhã posso ser eu. Seja porque provoquei um acidente, um atropelamento ou uma morte, seja porque fui vítima de uma situação imprevista. Um dos meus mais fortes propósitos continuará a ser não atender o telemóvel enquanto guio. Usar sempre o kit mãos livres e não ver mensagens! Porque num instante a vida muda e toda esta situação agora denunciada pelo Eduardo Jorge tem que nos interpelar e convocar a uma nova consciência e a uma nova atitude.


Fonte: Observador
 

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CONCLUSÕES DA REUNIÃO


A lei vai ser alterada e a partir de agora todas as pessoas que se encontrem institucionalizadas poderão participar no Modelo de Apoio á Vida Independente, e candidatarem-se a um Assistente Pessoal.
Haverá 6 meses para a desinstitucionalização.



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Offline Claram

Um Eduardo Jorge, entre muitos, neste país

Posted: 15 Dec 2018

Eduardo Jorge é tetraplégico. Cansou-se de ser tratado como alguém que é menos importante para o Estado do que tudo aquilo que o Estado decida fazer por ele.


No essencial, cansou-se que seja considerado normal que para ter alguém escolhido por si, para tratar de si, o Estado lhe entregue no máximo 93 euros, mas se estiver ao cuidado de terceiros, longe da sua casa, por exemplo, numa instituição, o Estado já pague mil euros à dita cuja. Não se trata, portanto, de uma questão de falta de dinheiro, apenas de uma escolha nossa. Trata-se de uma forma de ver o mundo.

E quando o Estado, perante tão evidente aberração, começa a ceder e a pensar na hipótese de talvez lhe entregar os tais mil euros e deixá-lo escolher se prefere estar numa instituição ou em sua casa, aos cuidados de quem quiser, o mesmo Estado começa a impor regras absurdas, como escolaridades mínimas e outras que tais.

Por isso, Eduardo Jorge resolveu fazer um protesto que, no limite, poderia colocar a sua vida em risco, à porta da Assembleia da República, até que os poderes públicos olhassem com sensatez para o seu problema. Lá apareceu Marcelo, no seu habitual “show” televisivo, levando consigo uma secretária de Estado. Os resultados práticos foram nulos, como de costume. António Costa não apareceu, tal como sempre faz nestas circunstâncias. Ferro Rodrigues, na sua irrelevância, manteve-se assim mesmo, irrelevante.

O que verdadeiramente nos deveria preocupar resume-se a uma questão central: montar e aplicar um sistema de apoio à deficiência envolve centenas, quando não milhares de pessoas, desde técnicos, financeiros, decisores, etc.

Assim sendo, como é possível que nós todos, como sociedade, não sejamos capazes de produzir uma solução melhor, uma solução que entenda que mais importante do que a vontade do Estado em cuidar à sua maneira das pessoas diretamente interessadas, é a vontade própria dessas pessoas que necessitam de ajuda?

É verdadeiramente deprimente que seja precisa a imensa coragem de Eduardo Jorge para nos confrontar com o imenso conforto da nossa pequena cobardia, a cobardia de não levantarmos ondas, de não questionarmos os pequenos poderes instituídos no dia-a-dia, a cobardia e o comodismo que nos levam a aceitarmos coisas que qualquer pessoa de bem considera evidentemente inaceitáveis, só porque nos parecem pequenas e de menor importância quando comparadas com outros problemas mais generalistas.

Seríamos um país bem mais decente se fôssemos mais exigentes em casos como o do Eduardo; em casos como o de uma criança deficiente que não tem uma educação adaptada ou os cuidados de saúde de que precisa; em casos como os das pessoas idosas que não têm uma vaga num lar. Uma sociedade evoluída e madura preocupa-se muito mais com todas estas pessoas e problemas do que com os prémios de turismo, a entrada de animais nos restaurantes, os vencimentos dos jogadores de futebol, os “reality shows” ou o IVA das touradas.

A civilização consiste, por definição, numa realidade específica, num modelo de interpretação da história e da sociedade, num processo de transformações dos padrões sociais de autorregulação. Caminha rumo a uma direção específica, a algo que nos caracteriza e nos define aos olhos dos outros.
Eduardo conseguiu demonstrar como esse processo é não linear e como depende de impulsos e de contra impulsos alternados, de como o maior perigo para qualquer civilização é a inércia das estruturas.

Conseguiu demonstrar como a civilização é, antes de mais nada, vontade de convivência. Mas, mais do que isso, conseguiu demonstrar como estamos condenados a ela e como precisamos de progredir para não desaparecermos. Em suma, Eduardo conseguiu demonstrar que as civilizações, quando não se adaptam, também sofrem de algum tipo de tetraplegia…

Por Jorge Noutel - Jornal o Interior
 

 



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