Raios x autárquico
António Coelho - Vereador da Câmara Municipal de Paços de Ferreira
Num mandato marcado pela crise não só económica, com também social, António Coelho teria de assumir, obrigatoriamente, um papel importante na estrutura da Câmara Municipal de Paços de Ferreira. Líder dos pelouros da Acção Social e da Habitação Social e Cooperativa – e ainda do Desporto, Recreio e Lazer; Associativismo; Cultura e Património Cultural; Turismo e Juventude – o ex-advogado é um dos rostos de projectos como o cheque-renda ou a Capital Solidária. É também o pai do Experimentarte, ciclo artístico que pretende criar novos públicos e atrair mais gente para a cultura. No Desporto, Coelho admite que a grande medida passa por dar seguimento à política do passado e no Turismo confessa que ainda anda à procura de “um fio condutor” que torne o concelho uma marca atraente.
Pelouros: Habitação Social e Cooperativa; Desporto, Recreio e Lazer; Acção Social (em articulação com o Presidente da Câmara Municipal); Associativismo; Cultura e Património Cultural; Turismo; Juventude
"A resposta social na infância é muito satisfatória e na terceira idade Paços de Ferreira deve ser dos concelhos do Vale do Sousa com mais associações e com mais respostas para os utentes", garante o vereador.
Segundo António Coelho, o trabalho efectuado com as 16 instituições particulares de solidariedade social existentes no município permitiu que a rede de creches cubra todo o concelho. "Não temos lista de espera no que respeita a lares residenciais", assegura, lembrando os protocolos assinados com os centros sociais e paroquiais de Figueiró, Carvalhosa e Raimonada. Nesta última freguesia, a Câmara presta um apoio de 500 mil euros, enquanto em Carvalhosa a construção de uma creche, cozinha e lavandaria contou com 150 mil euros da autarquia. Na creche e centro de dia de Figueiró o investimento é de 90 mil euros.
"Faltam, no entanto, respostas ao nível do apoio domiciliário e, sobretudo, do apoio a pessoas com deficiência", consente António Coelho. A Obra Social e Cultural Sílvia Cardoso é a única instituição a trabalhar nesta área e viu a sua candidatura para a construção de um lar residencial para 30 deficientes ser reprovada duas vezes. Mesmo assim, o vereador compromete-se "a fazer os acessos ao futuro equipamento e a manter um protocolo que prevê o pagamento por parte da Câmara de 50 por cento do montante não financiado".Neste balanço feito a meio do mandato, António Coelho destaca, por fim, a introdução do cheque-renda, medida há muito anunciada e que o autarca frisa que "está pronta a entrar em funcionamento". "Neste momento, temos 50 famílias que vão receber 100 euros por mês para ajuda ao pagamento da renda de casa", sustenta.
100 mil euros para levar Cultura a novos públicos
No que diz respeito à cultura, António Coelho não tem dúvidas: os três grandes objectivos delineados no início do mandato – valorização do património local; promoção e valorização dos agentes locais; enriquecimento cultural para todos – estão a ser alcançados. E muito, refere, devido ao Experimentarte. "No ano passado, as oficinas excediam sempre o seu limite de inscrições e conseguimos que 16 jovens apresentassem o seu projecto de banda. Desses escolhemos oito e alguns deles já estão a ser agenciados", acentua.
Coelho dá, assim, por bem gastos os 40 mil euros afectos ao Experimentarte em 2010. Este ano, a verba vai aumentar, mas só porque o projecto está integrado na regeneração urbana que está a ser levada a cabo na cidade. "Serão escolhidos cinco projectos de artes plásticas para instalar em diferentes locais na cidade", explica o vereador de um pelouro que, por ano, absorve cerca de cem mil euros do orçamento municipal.
Continuidade no Desporto, dificuldades no Turismo
Num concelho onde a política desportiva é discutida no Conselho Municipal do Desporto, a tendência deste mandato tem sido a de dar seguimento às medidas que vêm de trás. É assim com o pagamento dos exames médicos e inscrições dos atletas federados. É assim com os protocolos com FC Paços de Ferreira, SC Freamunde e Juventude Pacense. "Foi assim que, em quatro anos e com um investimento de 433 mil euros em 2010, conseguimos mais do que duplicar o número de atletas federados, que agora são três mil", sintetiza o vereador.
António Coelho lembra, porém, que é neste mandato que estão a ser construidos os relvados sintéticos de Paços de Ferreira e Freamunde e que o piso do pavilhão municipal foi substituído. "O pavilhão do Parque de Feiras e Exposições também está em obra e foi lançado o concurso para o pavilhão da Escola Secundária de Freamunde", refere.
Menos resultados há no turismo. "É o pelouro em que tenho mais dificuldade em encontrar um fio condutor", confessa. Coelho quer afirmar Paços de Ferreira como um município de turismo de negócios, mas debate-se com a falta de alojamento. "O Hollyday Inn anunciado para a Seroa está suspenso", revela.
Mesmo assim, o vereador destaca as parcerias efectuadas com alguns operadores turísticos, a certificação do capão à Freamunde e a abertura, para breve, de uma Loja de Turismo com o apoio da Associação de Turismo Porto e Norte de Portugal.
O olhar da oposição
"Para além de um conjunto avassalador de promessas não cumpridas nas áreas que estão sob a sua alçada, designadamente na acção social, cultura, habitação social, desporto, juventude e associativismo, o actual mandato tem sido marcado por muita parra e pouca uva. Se retirarmos o show off investido em algumas iniciativas públicas, o que resta é muito pouco". É desta forma que o PS/Paços de Ferreira vê o mandato de António Coelho.
Pela voz da vereadora Filomena Silva, os socialistas lembram que "ao contrário do que outros nos querem fazer crer", Paços de Ferreira "não é nenhum oásis e sofre com a violenta crise económica e financeira que se abateram sobre Portugal e o Mundo". Por isso, era fundamental um vereador que não revelasse "um total desconhecimento do que significa uma verdadeira política social, confundindo assistencialismo sócio-caritativo com acção social". "Para além da tendência de querer mostrar a mão na miséria dos outros, o vereador em causa é incapaz de confiar nas instituições particulares de solidariedade social, as quais deviam gerir o programa Capital Solidária conforme foi proposto pelos vereadores do PS na Câmara Municipal, despolitizando de uma vez por todas a política social concelhia, que devia estar ao serviço dos mais carenciados e não dos interesses partidários de quem governa", critica Filomena Silva.
O PS/Paços de Ferreira sustenta ainda que qualquer balanço do trabalho desenvolvido por responsáveis do PSD ao nível autárquico "jamais poderá ser feito sem uma responsabilização política pelo estado miserável das contas municipais".