“Câmara de Tavira sem elevadores” 04 Maio 2011
Falta de acessibilidades e de transportes públicos adaptados a deficientes preocupam Elsa RamosPasseios e edifícios sem rampas, falta de respeito pelos lugares de estacionamento para deficientes e caixas prioritárias nos supermercados e os difíceis acessos às praias são alguns dos problemas apontados por Elsa Ramos, de 35 anos, residente em Tavira, no Algarve, e paraplégica desde 2004.
"Têm grande impacto em pessoas com deficiência. A falta de uma rampa ou elevadores na Câmara de Tavira e em tantos outros edifícios públicos e particulares, impede-me de lá ir sozinha resolver qualquer assunto", explica Elsa. Contactado pelo CM, José Graça, adjunto do presidente da câmara, Jorge Botelho (PS), garante que "esses problemas vão ser solucionados, com obras que decorrerão no próximo ano".
Elsa Ramos queixa-se ainda da dificuldade em trabalhar na sua profissão. "Antes do acidente trabalhava num estúdio fotográfico, em Tavira, e era considerada boa profissional. Quando me apresentei numa cadeira de rodas, o patrão disse-me que já não me queria", revela Elsa, que actualmente trabalha por conta própria, fotografando em casamentos, baptizados e festas: "Nos baptizados, tenho de ser levada pelo meu irmão, pois a cadeira de rodas não cabe na sacristia". Apesar das dificuldades, Elsa não desiste e está agora a tirar um curso de Multimédia.
"TIVE DIFICULDADE EM ACEITAR"Uma semana antes de completar 28 anos e do tão desejado exame de condução, em 2004, Elsa Ramos comprou um automóvel. No dia 7 de Janeiro desse ano, resolveu treinar a sua condução e meteu-se no carro novo. Dirigiu--se para um caminho secundário, perto da sua casa, na Luz de Tavira, cortado por uma passagem de nível sem guarda, onde acabou por sofrer um violento acidente.
"Não me lembro de nada. Contam-me que o comboio colheu o carro na parte de trás, que capotou e ficou totalmente destruído", recorda Elsa, hoje com 35 anos: "Parti as vértebras da T1 à T12, omoplata, clavícula, seis costelas, a bacia e sofri um derrame torácico. Ninguém dizia que sobrevivia". Após 20 dias em coma e seis meses no hospital, Elsa regressou a casa. "Tive dificuldade em aceitar a nova situação. Discutia com toda a gente e só acalmei quando fui viver sozinha", diz Elsa, que garante ser agora "totalmente autónoma e independente".
TETRAPLÉGICO MORRE E DEIXA FILHO SOZINHOVítor Hugo Costa, 28 anos, tetraplégico apoiado pela Associação Salvador, faleceu ontem na sequência de problemas respiratórios.
A morar em Matarraque, Cascais, Vítor deixa um filho Fábio, com 9 anos. Por concretizar fica o sonho de ter uma casa adaptada e o desejo de "ver eliminadas todas as barreiras arquitectónicas do País", como expressou ao CM domingo passado. As exéquias fúnebres têm hoje lugar às 13h00, na Igreja de São Domingos de Rana. O corpo é cremado, às 15h00, em Rio de Mouro.
CM