Deficiente luta contra barreiras arquitectónicas na Benedita
Escadas dificultam entrada em edifícios públicos“Tenho feito palestras em colaboração com a Associação Salvador sobre a acessibilidade e integração de pessoas com deficiência e as pessoas ficam um bocado incrédulas como é que há tantas barreiras arquitectónicas sem solução”, contou João Matias, de 23 anos, deficiente motor congénito derivado de espinha bífida.
É na vila da Benedita, onde reside, que no dia-a-dia é confrontado com imensos obstáculos, como passeios sem rampas de acesso com a devida inclinação, para não ser necessária a ajuda de terceiros, tampas de esgotos sobressaídas que tornam o piso irregular, escadarias enormes, que impedem o acesso à sede da Junta de Freguesia, onde uma funcionária teve de descer do primeiro andar para o atender, e até impossibilidade de colocar o lixo nos contentores.
Dependente da cadeira de rodas, desabafou: “A minha solução é andar na estrada, com risco de ser atropelado”.
A Junta de Freguesia da Benedita está empenhada em resolver os problemas, revelou a presidente, Maria José Filipe. A autarca reconhece que quando João Matias se quis recensear, onde está a secretaria. Por essa razão, em Setembro deste ano, a secretaria vai mudar para o rés-do-chão, depois de desocupada uma sala cedida à Universidade Sénior, que se transfere para o novo Centro Escolar.
“Alguns passeios estão a ser alvo de melhoramentos e estamos a tirar sinais de trânsito que impedem a passagem. Quanto aos contentores, vamos dar conhecimento à empresa a quem foi adjudicado o serviço de recolha”, anunciou a presidente da Junta.
A acabar licenciatura em Educação e Comunicação Multimédia na Escola Superior de Educação de Santarém, João Matias está a estagiar como designer gráfico numa empresa na Benedita.
Operado uma hora depois de nascer senão teria morrido, ficou com marcas para sempre na sua vida. A locomoção é a principal deficiência, mas João Matias não deixou de se empenhar em também deixar outras marcas na sua vida.
“Sinto-me muito útil à Associação Salvador, que me abriu várias portas. Estou em negociações com um realizador para um documentário sobre a minha vida ou mesmo uma novela com uma personagem à minha medida”, deu a conhecer.
Em conjunto com as colegas Filipa Agostinho e Alexandra Vicente, no âmbito da cadeira de ‘Publicidade e Marketing’, o jovem está a desenvolver um aparelho para surdos ouvirem música através da vibração. O ‘Vibe 4 life’, nome do aparelho, está, neste momento, guardado numa gaveta, à espera que alguém financie o protótipo e o insira no mercado.
Francisco Gomes (texto)
Carlos Barroso (fotos)
In Jornal das Caldas