"Alvaiázere está a desenhar um município acessível para todos, com o intuito de proporcionar uma melhor qualidade de vida a todos os seus cidadãos, aos que residem, trabalham ou visitam esta vila." Foi desta forma que começou por ser explicado o Plano Local de Promoção da Acessibilidade na cerimónia de apresentação pública do projecto "Alvaiázere para todos", que se realizou a 13 de Julho.
A Câmara Municipal de Alvaiázere viu aprovada a sua candidatura, no valor de 99 mil euros, ao Plano Local de Promoção da Acessibilidade, no âmbito do programa RAMPA (Regime de Apoio aos Municípios para a Acessibilidade), que tem como objectivo eliminar as barreiras arquitectónicas, urbanísticas e psicológicas, construindo, assim, uma vila mais democrática para todos. Actualmente, a autarquia juntamente com a empresa M.PT estão a fazer o levantamento de todas as barreiras que inviabilizam os cidadãos de chegar aos bens e serviços, para posteriormente preparar um plano que, a médio prazo, elimine essas barreiras e torne Alvaiázere acessível a todos.
"Quando pensamos em acessibilidades, não pensamos só no elevador, na rampa ou na plataforma, pensamos num território acessível a todos, seja a nível de internet, no contacto com a câmara municipal ou com as instituições de solidariedade, portanto acessível à generalidade de todos os cidadãos. No fundo é construir um território para todos e evitar que haja pontos de exclusão para aqueles que têm menos capacidades e possibilidades de aceder àquilo que deve ser de todos", explicou o presidente do município de Alvaiázere, Paulo Morgado
Contudo, para detectar ao pormenor todos os problemas que afectam a mobilidade é necessário a participação de toda a comunidade, pois "todos saberão mais do que cada um de nós", lembrou Paulo Morgado, que apelou ao envolvimento de todos, desde cidadãos, instituições, associações e comerciantes.
Passeios com buracos, sinais no meio dos passeios, passeios muito estreitos, caixotes do lixo no meio dos passeios, inexistência de rampas e falta de elevadores em edifícios são alguns dos problemas que têm de ser corrigidos. Mas não são estas as únicas barreiras, é também necessário chamar a atenção aos condutores que estacionam em cima dos passeios e não pensam naqueles com menos mobilidade, como são as pessoas que andam de cadeira de rodas, com carrinhos de bebé ou de canadianas.
O espaço público, os edifícios, os transportes que ligam aos principais centros urbanos e às freguesias, a comunicação da câmara e a internet da autarquia estão a ser alvo de um estudo, com vista a fazer o levantamento de todas as barreiras que afectam a mobilidade, para posteriormente a empresa M.PT fazer um guia com a identificação de todos os problemas do município. Depois deste trabalho feito, a câmara municipal fica a saber quanto custa tornar Alvaiázere acessível e pode começar a construir os acessos de forma mais organizada e estruturada.
"Depois de detectados os problemas, levantados os constrangimentos e de apresentadas as soluções, é altura de passar à orçamentação e passar dentro daquilo que é possível ao plano de acção no terreno, passar à obra física por um lado ou à eliminação de barreiras de outro índice psicológico, que pode passar pela organização do site de forma diferente ou pelo atendimento ao público de forma diferente ao que vemos hoje", afirmou o autarca, adiantando que para já, há tendências e princípios elementares que já se podem pôr em prática, pode-se ver o que há e reaplicar na realidade local.
Mas não é preciso tornar tudo acessível, "temos é que pelo menos criar um percurso que leve as pessoas a visitar aquilo que é mais importante, por exemplo, criar um percurso aqui na vila que passe pelos correios, biblioteca, câmara, ou seja, a nossa ideia é criar um percurso que vai unir os principais serviços e à medida que a vila vai crescendo vamos tendo em conta esta matéria de acessibilidades", afirmou a representante da empresa M.PT e responsável pela coordenação do Plano Local de Promoção de Acessibilidade de Alvaiázere, Paula Teles. Esta responsável defende que já era tempo dos municípios começarem a pensar na acessibilidade de forma estruturada e não de ir eliminando as barreiras apenas aos poucos, uma hoje e outra amanhã. Em matéria de acessibilidades é necessário agir "com metodologia e com critério, começar numa ponta e acabar na outra, definir uma área de intervenção e começar a trabalhar de uma forma muito mais organizada", referiu Paula Teles.

"É importante que o mundo empresarial encontre uma oportunidade de negócio nas acessibilidades", salientou a coordenadora do Plano de Acessibilidades de Alvaiázere. Neste ponto a autarquia tem um papel fundamental, uma vez que é a entidade mais próxima das empresas e que por isso tem o dever de lhes mostrar importância e a necessidade de criar condições para também servir as pessoas com menos capacidade de mobilidade, sejam elas cegas, surdas, mudas ou com limitações no andar.
Para um maior sucesso desta iniciativa, o município vai promover as boas práticas de acessibilidades para todos, criar uma comissão de acompanhamento, realizar sessões de participação pública, bem como campanhas de sensibilização para a comunidade, acções de formação para técnicos autárquicos, gabinetes de projectos locais, operadores de transportes, turismo, comércio, entre outros.
Fonte: O Alvaiazerense