A necessidade de uma mudança de mentalidades relativamente à acessibilidade e mobilidade urbana foi hoje defendida em Viseu, como forma de haver uma efetiva qualidade de vida e igualdade de oportunidades para todos.
"A maior barreira que existe neste momento não é a arquitetónica, mas a psicológica", lamentou a investigadora Paula Teles, coordenadora do Plano de Promoção da Acessibilidade de Viseu, durante a conferência internacional "Acessibilidade e Mobilidade para Todos". Neste sentido, exortou os cidadãos a comunicarem às autarquias ou outras entidades responsáveis os abusos com que se deparam. O vereador da câmara de Viseu Guilherme Almeida exemplificou que na cidade há "dezenas e dezenas de lugares de estacionamento para deficientes", mas a grande maioria é usada indevidamente. Lamentou também que tenham sido verificados casos como o de um carro que não parou numa passadeira para deixar passar uma pessoa em cadeira de rodas e a impossibilidade de fazer uma rampa num prédio para um dos seus habitantes, portador de deficiência, porque nem todos os condóminos deram autorização, apesar de ser a autarquia a pagá-la.
Neste âmbito, considerou que, se é importante acabar com as barreiras físicas, ainda "é mais importante" fazê-lo relativamente às das mentalidades. Viseu faz parte da primeira geração de planos municipais de promoção da acessibilidade, estando já identificados os pontos críticos onde deve haver intervenção. Paula Teles explicou que, no âmbito do plano municipal, foram analisados 61 quilómetros de percursos, admitindo que, atendendo ao contexto nacional, as intervenções "terão de ser muito bem ponderadas" e não poderão ser feitas todas imediatamente. No entanto, desafiou a autarquia a "aproveitar para orçamentar já para 2011" algumas intervenções, o que "vai concerteza minorar grande parte dos custos futuros".
Guilherme Almeida anunciou que o plano já está disponível para os técnicos da autarquia e que "foram responsabilizados diretamente alguns departamentos" pela sua execução. "É preciso algum tempo para tomar algumas atitudes, mas há coisas que se podem fazer de imediato", por não representarem qualquer custo, garantiu, exemplificando com a área da comunicação e da info-acessibilidade. Durante a conferência, foram dados exemplos de problemas identificados em edifícios do concelho, como a falta de elevador ou de casa de banho para deficientes na central de camionagem, a inacessibilidade a alguns pisos sem ser pelas escadas na câmara municipal e a falta de estacionamento para pessoas com mobilidade reduzida no exterior o espaço Internet e da Junta de Freguesia de Boa Aldeia.
Fonte: Guia de Portugal