A edição "Museus e Acessibilidade" inclui-se na colecção "Temas de Museologia" e surgiu no contexto do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência (2003), foi preparada em parceria com instituições que representam pessoas com deficiência: a Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), o Instituto Jacob Rodrigues Pereira (IJRP), a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral – Núcleo Regional do Sul (APPC-NRS), a Federação Nacional de Cooperativas de Solidariedade Social (FENACERCI) e a Associação Nacional de Arte e Criatividade de e para Pessoas com Deficiência (ANACED).
O Manual encontra-se dividido em 13 capítulos: I – Atitudes perante as necessidades especiais; II – Diagnóstico das necessidades especiais; III – Acessibilidade do espaço; IV – Acessibilidade da informação; V – Acessibilidade do Acervo; VI – Programação de Actividades Integradas; VII – Financiamento; VIII – Níveis de aplicação; IX – Ficha diagnóstico para avaliação da acessibilidade nos museus; X – Legislação; XI – Bibliografia; XII – Contactos; XIII – Anexos.
Capítulos mais relevantes:
I – Atitudes perante das necessidades especiais
Há várias razões para que as pessoas com deficiência ainda sejam das mais excluídas na sociedade actual. Esta exclusão, que a maior parte das vezes não é intencional, resulta da falta de conhecimento ou do esquecimento por parte de quem concebe os espaços, equipamentos ou dinamiza serviços. Por isso, este manual lembra-nos que não basta colocar uma rampa na porta do museu. “É necessário proporcionar o acesso de todo o museu às pessoas com deficiência para lhes garantir a fruição e oferecer-lhes a possibilidade de terem as mesmas oportunidades que uma pessoa dita normal”, sempre tendo em conta que, numa sociedade a envelhecer, é previsível que todos nós nos vejamos de alguma forma incapacitados em dado momento das nossas vidas.
II – Diagnóstico das necessidades especiais
Como fazer o diagnóstico: consultar os interessados (escolas, centros de apoio, unidades residenciais…); identificar os recursos disponíveis; implicar todos os intervenientes (políticos, autarcas, pessoas com necessidades especiais e suas famílias, profissionais de saúde, etc.); testar previamente as actividades;
Tipos de obstáculos à acessibilidade: obstáculos físicos, sensoriais, intelectuais, emocionais, culturais e financeiros.
III – Acessibilidade do espaço
Elementos a ter em conta:
- Espaço exterior: transportes, estacionamento, passeios e vias de acesso;
- Espaço interior: portas e corredores, escadas, desníveis e rampas, elevadores, sinalética, balcões e mesas, expositores, iluminação, percurso táctil e acessível, áreas de pausa ou de descanso, lugares nos auditórios, casas de banho, telefone;
- Segurança em caso de emergência
IV – Acessibilidade da informação
- Diversos níveis de informação: para proporcionar o acesso à informação a pessoas com necessidades especiais, nomeadamente com deficiência visual ou mental, os museus devem disponibilizar a informação em vários níveis e formatos alternativos. Os textos escritos em “linguagem fácil” tornam-se mais acessíveis e são geralmente caracterizados por utilizar uma linguagem simples e directa, incluir apenas uma ideia principal por frase, evitar linguagem técnica, abreviaturas e iniciais; ter uma estrutura clara e lógica.
- Diversos formatos: ampliações visuais, ampliações sonoras, Braille, gravações áudio, gravações vídeo, formato digital, multimédia e internet.
V – Acessibilidade do acervo
É importante a criação de formas de acesso táctil e formas de protecção do acervo.
VI – Programação de actividades integradas
Diversificação da oferta: visitas guiadas, ateliês…
Divulgação: meios de comunicação convencionais, associações de pessoas com necessidades especiais, órgãos de comunicação social.
Avaliação: dos visitantes, dos representantes dos grupos alvo, do pessoal do museu
VII – Financiamento
Programas Comunitários, parcerias, voluntariado, mecenato