Proibida a entrada a deficientesEduardo Sá 31 jul 2022, 21:18
É “divertido” que se discutam os conteúdos da disciplina de cidadania e, a par, a humanidade do próprio Estado viva paredes-meias com avisos invisíveis que dizem: “Proibida a entrada a deficientes”.
Experiente-se ir de cadeira de rodas para o centro duma cidade, como Aveiro ou Lisboa, por exemplo. Embora não esteja em cada rua uma tabuleta a advertir: “Proibida a entrada a deficientes”, essa norma encontra-se em vigor diante da indiferença de todos nós. As cidades cuidam dos corredores para as bicicletas mas supõem que a calçada portuguesa – para mais, “ondulada” – não tem um efeito dissuasor para as cadeiras de rodas. Nem provoca vibrações tremendas e espasmos musculares. Logo, criar condições para que, a exemplo de outros países, os cidadãos com necessidades especiais de mobilidade é um gasto supérfluo. É verdade que eles descontam para a segurança social. Mas num mundo que clama pela inclusividade, porque os cidadãos com deficiência não fazem parte duma minoria étnica mais protegida ou dum grupo identificado com minorias mais acarinhadas pelas mais diversas “ondas” das redes sociais, faz com que eles façam parte dos prejudicados. Daí que as rampas, nas cidades, quando existem, tenham uma inclinação imprópria. Um cidadão quer ir tomar um café a uma esplanada de S. Eulália? Pode ir. Mas há rampas que são precipícios. Em que o risco de um acidente grave é inequívoco. As normas, relativamente às acessibilidades para os equipamentos públicos, por exemplo, “foram de férias”. Daí que não sendo necessário que os mais diversos equipamentos tenham à porta “Proibida a entrada a deficientes” isso acontece, de facto.Fonte: observador.pt Link:
https://observador.pt/opiniao/proibida-a-entrada-a-deficientes/