Segurança Social atende Vítor na rua
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Para Vítor Hugo Costa, Portugal está "muito atrasado no que respeita a acessibilidades, continuando a discriminar as pessoas com dificuldades motoras".
À Câmara de Cascais pediu uma casa camarária para a poder adaptar às suas limitações. Na actual casa, paga uma renda de 450 euros e não tem uma casa de banho adaptada, nem sequer consegue entrar no quarto do filho. A resposta da autarquia foi que o seu caso não era prioritário. Quando precisa de ir à Segurança Social de Cascais tem de esperar que uma funcionária saia e é na rua que trata dos assuntos pessoais, pois as escadas impedem a sua entrada.
Contactada pelo CM, a Segurança Social garante que o atendimento passará a ser feito na nova Loja do Cidadão de Cascais, estrutura que vai abrir em breve e garantirá o acesso a todos os cidadãos.
Já a Câmara de Cascais admite ao CM a recepção do pedido de ajuda de Vítor Hugo. Mariana Ribeiro Ferreira, vereadora da Acção Social, garante que a situação é acompanhada desde 2004. "Segundo informação do Serviço de Apoio Domiciliário a habitação onde reside hoje reúne as condições básicas de habitabilidade e acessibilidade", sublinha a responsável.
"GOSTAVA DE TER UM WC ADAPTADO"
Um mergulho na praia acabou mal para Vítor Hugo Costa, de 28 anos, que ficou tetraplégico. Na altura tinha 20 anos e o contacto com a nova realidade foi "muito difícil".
Foi com a ajuda do filho Fábio, de 9 anos, que aprendeu a ultrapassar alguns problemas. "Tive de reagir porque tinha um filho", desabafa, recordando que o médico lhe dissera que ia ficar para sempre deitado numa cama. "Cada movimento adquirido é uma vitória", confessa. A mãe de Fábio faleceu e foi para acompanhar o dia-a-dia do filho que pediu à Associação Salvador uma nova cadeira de rodas eléctrica, uma vez que a antiga estava bastante degradada. "Posso ir buscar o meu filho à escola, levá-lo ao jardim sem ter medo de que a cadeira se parta pelo caminho".
Morador em Matarraque, Cascais, Vítor é totalmente dependente da ajuda dos amigos e familiares, quer nas suas deslocações diárias, quer para pagar a renda da casa, dado que está desempregado. Com ele está sempre alguém que lhe prepara refeições, trata da higiene e toma conta da casa. Mas Vítor não se deixa inibir pelas suas limitações motoras: "Saio com os amigos, vou à praia e à discoteca", diz. O seu maior sonho: arranjar um emprego e ter uma casa totalmente adaptada.
CM