Ultrapassar barreiras
A sensibilização das camadas mais jovens para as problemáticas relacionadas com a deficiência é uma actividade que assume grande importância. É fundamental transmitir-lhes por isso uma mensagem positiva sobre as pessoas com deficiência, mostrando que são pessoas capazes e que têm todo o direito de ter uma participação activa na sociedade, de realizar as mais variadas actividades no dia-a-dia.
Importa também alertar os jo-vens para a falta de acessibilidades físicas nos espaços públicos e edifícios, nomeadamente na escola, que impedem os cidadãos portadores de deficiência motora e qualquer outra pessoa com mobilidade reduzida, de ter uma vida autónoma e participativa na sociedade.
As maiores barreiras, porém, não são arquitectónicas mas sim a falta de informação e os preconceitos.
Estes alunos possuem necessidades especiais devido às suas dificuldades e limitações mas necessitam também de ter a sua identidade reconhecida e de romper com a tradição de uma sociedade que os segrega, marginaliza e exclui.
Nesse contexto, o reconhecimento das diferenças representa hoje o grande desafio de todos no sentido de proporcionar uma equidade de oportunidades que neste momento ainda não existe pois deparámo-nos com uma minoria sem privilégios.
A luta para garantirmos espaços de igualdade significa uma batalha diária porque estar em sociedade representa ter direitos e deveres que devem ser obedecidos e respeitados globalmente.
Permanece um conjunto de palavras e comportamentos de exclusão, reflexos da imagem que a sociedade tem da diferença, que levam a actos discriminatórios e que têm de ser, de uma vez por todas, eliminados.
No que toca à educação, caso não seja possível a inserção regular, devem ser criadas turmas especiais e formados profissionais especializados para o atendimento e o ensino adequado. Adaptações nas instalações de ensino, por meio de rampas com cobertura, elevadores ou outras soluções também precisam ser feitas para permitir o acesso de uma pessoa com dificuldade de locomoção.
Como para quase todos os problemas sociais pode-se adiantar que a principal estratégia para a construção de uma sociedade mais igualitária, e consequentemente melhor, seria promover a prática da cidadania.
Como resposta na busca dos direitos perdidos, a procura do cidadão altruísta deve-se dar na escola mas também em toda a parte.
Para os portadores de deficiência, o esforço de superação das limitações para mostrar que são pessoas capazes é maior, e infelizmente, maiores também os obstáculos nesse sentido, que não residem neles próprios mas na sociedade que os cerca, pois a deficiência está na pessoa mas não é a pessoa.
As barreiras sociais podem ser eliminadas através de campanhas de sensibilização do público para alcançar uma mudança de atitudes e comportamentos. Não se muda uma sociedade por decreto, simplesmente com leis, mas, sem dúvida nenhuma o alcance da integração das pessoas portadoras de deficiência passa por superar importantes barreiras sociais e culturais.
É urgente a construção de uma comunidade baseada nos princípios da igualdade com diversidade e da liberdade com solidariedade.
A verdade, tal como J. F. Kennedy disse, continua a ser só uma: lutar pelos direitos dos deficientes é uma forma de superar as nossas próprias deficiências.