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..:: Deficiente-Forum - Inclusão Social ::.. Responsável Ana-S => Acessibilidades & Mobilidade => Tópico iniciado por: migel em 11/08/2022, 18:47

Título: Uma cadeira de rodas? Que grande maçada, pensa a CP
Enviado por: migel em 11/08/2022, 18:47
Uma cadeira de rodas? Que grande maçada, pensa a CP
MadreMedia
10 ago 2022 14:47

A opinião de  (https://thumbs.web.sapo.io/?W=100&H=100&delay_optim=1&tv=1&crop=center&png=0&webp=1&epic=ODhkJ9G8EleqjjOy7taHaGjwBe9TAkvmUQ4UlKQgdlJXRCKiKE0G159Z95ud97DYYSbM8Q4kyaa/ELiNXkU/0yWm+5NxmfumkADTsbrcmcLbTeQ=) Patrícia Reis

Como diz a Catarina, ela não quer ajuda para subir um passeio, quer uma rampa.
Sou uma seguidora fiel da Catarina Oliveira, também conhecida nas redes sociais por espécie rara sobre rodas. Se não seguem, façam o favor, irão aprender muita coisa. Eu aprendo sobre o capacitismo, equidade, inclusão e, muitas vezes, pasmo com informações que, admito sem qualquer problema, me eram totalmente desconhecidas.

Uma coisa é imaginarmos estar numa cadeira de rodas, ou com qualquer outra deficiência; outra completamente diferente é perceber como é a vida de quem tem de lidar com o que a sociedade proporciona – ou não! – a quem tem limitações de mobilidade. Como diz a Catarina, ela não quer ajuda para subir um passeio, quer uma rampa.

Há dias, fiquei siderada com esta informação: para a Catarina vir do Porto a Lisboa de comboio, precisa de informar a CP com seis horas de antecedência. Seis horas, senhores, em pleno século XXI, porque a CP precisa de preparar terreno para receber uma cadeira de rodas. Escreveu a Catarina Oliveira na sua conta de Instagram: “Viajo de comboio, mas só com aviso. A CP continua a reduzir, e ainda bem, o número de horas necessárias para o pré-aviso exigido a pessoas com mobilidade condicionada para viajar".

Começou com 24 horas, reduziram para 12 horas e agora, recentemente, para as 6 horas anunciadas! Então, qual é o problema, Catarina? Precisamente esse, o ter de avisar quando e a que horas vou viajar, quando não tinha de o fazer no passado, antes de ser uma pessoa com deficiência. Mas será complicada a logística de “não avisarem”? A logística, na prática, é simples. Acreditem, been there”.


 E qual é a dita logística que implica que a CP precise das tais seis horas de aviso? A pessoa compra o bilhete e menciona a sua condição física e, na carruagem, o revisor valida o bilhete. Será que o revisor é avisado de que terá um passageiro com mobilidade condicionada? Quem sabe? Tudo é possível.

O revisor é o do costume, o mesmo que faz as carruagens de fio a pavio durante a viagem, e que verifica se não existem passageiros clandestinos. Bom, como a Catarina Oliveira explica, a situação ainda é mais surreal porque tem de preencher um formulário e aguardar a confirmação, por parte da CP, de que pode embarcar. Se não receber o telefonema de confirmação, como é fácil de imaginar, a empresa lava daí as suas mãos e não se sente obrigada a embarcar seja quem for que tenha mobilidade condicionada. Essa coisa chata de terem de trazer a cadeira de rodas? Pois, uma maçada.

Ora, uma vez aceite a viagem, a passageira e a sua cadeira, o que precisa de ser feito é simples: o revisor, na carruagem 4, carrega num botão e permite o embarque.

“Ora bem, se eu quero hoje ir a Lisboa no próximo Alfa, não posso. Pasmem. Se eu estou em Lisboa e decido que quero voltar no Alfa seguinte, não posso. Pasmem. E porquê? Porque sou uma cidadã com deficiência. No século XXI, 2022”, escreve Catarina Oliveira. E acrescenta que está cansada de levar com areia nos olhos e que não tem como entender a complexidade da situação que a obriga às tais seis horas de pré-aviso, sujeitas a confirmação telefónica. Acham isto normal? Como é que isto é normal? A inclusão é fundamental. A deficiência, seja ela qual for, parece ser exacerbada por quem a não tem. Qual será o objetivo? Geralmente, as pessoas que não têm qualquer condição ou limitação não pensam nestas coisas, eu sei por experiência, mas a vida encarrega-se, tantas vezes, de nos surpreender e quando a sociedade fecha os olhos e discrimina e infantiliza quem tem menos mobilidade, ou outra deficiência, está a dizer o quê? Que são cidadãos de segunda? Tantas perguntas, tão poucas respostas.


Nesta vidinha em que a velocidade ao nível da comunicação é estonteante (embora seis horas sejam um contra-senso e uma eternidade), ter alguém com a capacidade de meter o dedo na ferida, partindo da sua experiência, chamando os bois pelos nomes, é de saudar. Com tristeza e espanto, temos de aplaudir a Catarina e outros; temos de reconhecer que não fazemos o que devíamos e que as empresas não evoluem porque, parece, dá muito trabalho. Lá está, uma cadeira de rodas? Que maçada.




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