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Autor Tópico: UTAD SEM PLANO DE ACESSIBILIDADES  (Lida 963 vezes)

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Offline Sininho

UTAD SEM PLANO DE ACESSIBILIDADES
« em: 18/04/2011, 10:14 »
 
UTAD SEM PLANO DE ACESSIBILIDADES

 
Francisco Godinho, Director do CERTIC

Um plano de acessibilidades, é precisamente isto, que a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, não tem ainda em suas mãos.

Francisco Godinho, director do Centro de Engenharia de reabilitação e acessibilidade (CERTIC), confessa que esse plano “aparentemente não existe. A única coisa que conheço de planos de acessibilidades, são trabalhos no curso de reabilitação, que temos colocado aos alunos. Têm feito um levantamento de problemas, barreiras, ainda existentes aqui no Campus, na própria universidade, e que são de variada natureza.”

Entre o leque de limitações existentes na academia, é possível detectar “ percursos inacessíveis entre os próprios edifícios, as dimensões das portas, que nalguns casos, muito estreita para alguém que se desloca em cadeira de rodas”, e ainda, “questões relacionadas com a própria sinalética.”

Godinho acrescenta ainda, restrições relacionadas com “o abuso de estacionamento indevido em locais reservados a pessoas com mobilidade reduzida, e alguns elevadores, que, por exemplo, não funcionam e fazem obviamente, diferença. E nalguns casos, mesmo alguns edifícios que não têm acessibilidade a pessoas que se deslocam em cadeira de rodas.”

“Valorizar também a questão da inclusão e da acessibilidade para qualquer pessoa que frequente esta universidade”, é um factor que a própria gestão da universidade terá que ter mais em conta, afirma Francisco. “É uma questão de prioridades”, salienta.

“Em planos de obras, prever antecipadamente estes problemas de forma a, que depois não se tenha que andar a remendar aquilo que foi feito de mal na construção.”

Apesar da reitoria ainda não ter definido um plano consistente e rigoroso quanto às acessibilidades de pessoas com mobilidade reduzida, “há já muito trabalho feito, em termos de levantamento de obstáculos que podem ser aproveitados para delinear uma estratégia a curto, médio e a longo prazo.”

Desengane-se que a UTAD não está de forma alguma preparada para receber e apoiar pessoas com necessidades especiais. Nem tudo é “caótico”, “há muitas situações onde é possível e na maior parte dos edifícios consegue-se entrar, ir às salas de aula, mas também se detectam vários problemas que é necessário começar a mudar.”

O problema reside precisamente na falta de exploração e dedicação a esta área. O director do CERTIC não se mostra indiferente a este facto, declarando que a universidade tem “como obrigação, não só como universidade pública, ser mais ambiciosa nesta matéria, como também, pelo facto de, formar profissionais neste domínio da acessibilidade, e portanto, deveria dar também o exemplo. Obviamente que muitas vezes vão se corrigindo os problemas, à medida que surgem. Mas devia de haver, de facto, um planeamento geral para estar melhor preparado.”

A melhoria das condições deste estabelecimento de ensino superior cabe à reitoria. Primeiramente “ tem que haver um levantamento técnico, rigoroso, que não seja só de reparos de primeira vista, tem que ser feito um estudo. Como referi, já têm sido feitos alguns sob orientação de professores, nomeadamente, na área de engenharia de reabilitação, e portanto, depois compete à reitoria, orçamentar e delinear no fundo a eliminação desses problemas e dessas barreiras que existem.”

Lembrando o caso concreto da entrega de uma cadeira eléctrica a Luís Matos, aluno de TIC, Godinho referiu-nos que “O Luís Matos, de facto, contactou não só os serviços que integram o sistema de financiamento de ajudas técnicas, que incluem as cadeiras de rodas, nomeadamente, o próprio hospital e a segurança social, que são dois organismos que podem financiar esse tipo de equipamento. E nós também nos apercebemos disso. Disponibilizamos algum equipamento que pudesse ser usado, enquanto ele não pudesse adquirir a cadeira de rodas, nomeadamente, recorrendo a cadeiras manuais ou mesmo eléctricas, mas não tínhamos aqui possibilidade de ter uma cadeira de rodas dimensionada às características dele. Foi feito um aconselhamento de adequação de características da cadeira que servia melhor os seus interesses, bem como, as empresas que poderiam fornecer esse tipo de equipamento, uma vez que, o próprio processo de financiamento de cadeiras de rodas exige a apresentação de orçamentos desse equipamento.”

Sensibilizado com as necessidades das pessoas com mobilidade reduzida, mostra-se satisfeito com a entrega da cadeira ao Luís, e explicou que esta será uma grande ajuda, “terá certamente mais independência a nível de mobilidade dentro do campus. Ainda não é um equipamento muito fácil de transportar de casa para universidade. Posso referir que temos outros alunos que também beneficiariam de uma cadeira de rodas eléctrica, mas acabam por se deslocar da universidade por cadeiras de rodas manuais, por ser mais portátil, fácil de transportar. De qualquer maneira, e uma vez que ele tem muita dificuldade em andar num ambiente universitário, num ambiente de aulas, obviamente não tem os constrangimentos de pedir a alguém que o ajude a transportar de uma sala para o bar ou para fora, para mudar de edifício, obviamente ganhou aí bastante independência, não só na universidade como no seu dia-a-dia.”

Embora a UTAD esteja desprovida de uma estratégia que garanta a satisfação de todas as necessidades de pessoas com deficiência, é de louvar o CERTIC e o curso de engenharia de reabilitação, que muito têm feito para contrariar esta situação.

in  akademia.comunicamos.org
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