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..:: Deficiente-Forum - Inclusão Social ::.. Responsável Ana-S => Afectividades => Tópico iniciado por: salgado18 em 30/05/2024, 17:21
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Acham que nós não transamos': Pessoas com deficiência rebatem capacitismo sobre sexualidade
'Assexylidade', documentário que analisa as nuances do desejo de pessoas com deficiência, tem previsão de estreia no próximo dia 19 de setembro
Por Yasmin Setubal — Rio de Janeiro
28/05/2024 05h31 Atualizado há 2 dias
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Estela Lapponi em ensaio fotográfico para a exposição ''Assexylidade' — Foto: Letícia Laet
Faz pouco mais de uma década que Daniel Gonçalves, de 40 anos, consegue se enxergar como um homem desejável quando encara o espelho. Foi essa convicção que embalou o cineasta carioca, nascido com uma deficiência de origem desconhecida que afeta sua coordenação motora, a se expor à nudez em um ensaio fotográfico em seu novo documentário, “Assexybilidade”, com previsão para estrear nos cinemas em 19 de setembro. “As pessoas acham que nós não transamos e não temos libido”, comenta o diretor de cinema, casado há 8 anos. “Passei a maior parte da minha vida achando que as meninas não ficavam comigo por ser como sou. Na verdade, isso até acontece. Mas se minha deficiência fosse algum impeditivo, sequer iriam me encontrar.”
Daniel estendeu o projeto em uma exposição no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Centro do Rio, em cartaz até o próximo dia 8 de junho. A ideia é desmistificar a sexualidade de pessoas com deficiência e derrubar percepções de cunho capacitista sobre o assunto. Entre os participantes, Eduardo Oliveira, professor da escola de dança na Universidade Federal da Bahia, afirma que sua cadeira de rodas nunca foi sinônimo de frigidez. “Sempre me entendi como uma pessoa ativa no desejo, mas comecei a explorar mais a partir dos 20 anos, quando me descobri homossexual e fiquei mais desenvolto”, conta o baiano, de 48 anos. “Sou casado há quase duas décadas e somos felizes na cama. Sem afetividade, não há reciprocidade no prazer, e conseguimos satisfazer um ao outro.”
Afeto e pena, há que se dizer, são coisas distintas. E a influenciadora Jessica Paula, de 32 anos, num relacionamento há 8, sabe bem disso. “Odeio quando parabenizam minha namorada, dizendo que ela viu meu interior e não o físico. Isso não é elogio que se faça”, adverte. A chave virou para a goiana em 2021, quando uma amiga a convidou para fazer um ensaio fotográfico na praia. “O charme das imagens era justamente as curvas que meu corpo faz, por conta da minha escoliose acentuada. Nas fotos, vi a grande gostosa que eu sempre quis ser, não o exemplo de superação”, comenta ela, que se tornou a primeira mulher paraplégica a escalar o Pão de Açúcar.
A psicóloga Glady Maria, que também é autora do livro “Corações de vidro” — uma autobiografia sobre suas vivências como uma pessoa na condição de cadeirante — elenca o caráter “rotulante e estigmatizante” da sociedade como a principal dificuldade de alguém com deficiência em se sentir satisfeito com própria imagem. Algo, segundo ela, que está diretamente ligado à sexualidade. “Vivemos num mundo onde o belo prevalece, em que para um indivíduo ser inserido, ele precisa seguir padrões normativos. Não é fácil o processo de autoaceitação, mas uma vez trabalhado, conseguimos vivenciar o desejo sem amarras”, explica a profissional.
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