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Autor Tópico: Enfermeira cria «maca-chuveiro» que dá banho quente a doentes acamados  (Lida 1982 vezes)

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Enfermeira cria «maca-chuveiro» que dá banho quente a doentes acamados



A enfermeira brasileira Nilmar Cavalcante perdeu a conta ao número de banhos que já deu em pacientes nos 20 anos em que trabalhou em hospitais públicos de São Paulo e do Rio de Janeiro. Mas nunca se conformou com a forma como os banhos são dados. «É banho de gato, na cama do hospital, com um balde, gaze e esponja. O paciente começar a cheirar mal», diz.

Há dois anos, durante o mestrado que fazia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Nilmar, de 47 anos, teve uma ideia: criar um artefacto no qual os doentes acamados pudessem tomar um banho mais próximo do real.

Nascia a «maca higienizadora», um engenho construído em aço inox, forrada com colchão impermeável e dotado de uma chaleira que possibilita banho quente e um reservatório com capacidade para 20 litros de água.

A quantidade é suficiente para seis banhos. Depois, a maca precisa de ser «reabastecida» novamente. «Calculei o tempo e a média de água a partir da minha experiência. É o suficiente.»

Toda a preparação (encher o reservatório de água e aquecê-la) é feita antes da transferência do paciente da cama para a maca. «Não há perigo de choque», afirma.

A maca possui furos nas extremidades, por onde a água é drenada após o banho e escoada para um reservatório separado da água limpa.

Antes de ser esvaziado, porém, o tanque recebe pastilhas de cloro. «Assim, evita-se o contágio e a proliferação de bactérias que possam estar na água do banho.»

A enfermeira pensou ainda na privacidade do paciente, colocando abas nas laterais e nas pontas da maca. «Muitos hospitais do SUS não têm biombo. O doente toma banho exposto.»

A falta de luz também não é um problema para a «supermaca». Se faltar, entra em acção a bateria recarregável de 24 volts e duração de até dois meses.


O difícil foi colocar o projecto de pé. A enfermeira diz ter batido «numas 20 portas» de empresários para tentar viabilizar a produção da maca, mas nenhum deles quis financiá-la. «Eles só queriam a minha ideia, mas eu não a dei.»

Em 2011, Nilmar inscreveu o projecto num edital de inovação tecnológica da Faperj (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e foi seleccionada.

«É um projecto de inovação social, que vai ser muito útil para a sociedade, principalmente para o paciente acamado», diz o físico nuclear Rex Nazaré, director de ciência e tecnologia da Faperj.

Ele afirma que o seu sonho é que o governo valorize o produto para que outros inventores brasileiros possam ter estímulo para colocar ideias inovadoras em prática.

Com o dinheiro do projecto (50 mil reais) e ajuda de um designer, um engenheiro mecânico e um engenheiro eléctrico («o mecânico ajudou a projectar e o eléctrico comandou os meus pensamentos»), a maca tornou-se uma realidade.

«Fiz vários ensaios para sentir a maca. Eu mesma tomei uns 300 banhos. Por vezes ela escorregava e eu mandava construir outra. Deixei os engenheiros loucos!», diverte-se.

A maca, desenhada originalmente para hospitais públicos, recebeu este ano versões para hospitais particulares e home care. Custa 15 mil reais.

A enfermeira, agora empresária, terceirizou a produção, mas o fluxo ainda é caseiro. «Com o dinheiro do que eu vendo, mando fabricar as próximas unidades.» Este ano, Nilmar ganhou dois prémios (nacional e internacional) na área de inovação.

E a enfermeira-inventora-empresária não deve ficar-se só pela maca. Ela já está a idealizar outros dois produtos hospitalares em fase de desenvolvimento. «Mas esses ainda são segredo.»


Fonte: Diario Digital
 

 



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