Liftech

Rehapoint
Autopedico

Invacare
TotalMobility

Anuncie Aqui

Autor Tópico: "É necessário promover mais informação"  (Lida 1491 vezes)

0 Membros e 1 Visitante estão a ver este tópico.

Online migel

 
"É necessário promover mais informação"

Sara R. Oliveira| 2010-05-05
 
 
 
Carla Vieira Faria, fundadora do site www.ajudas.com, refere que a sociedade portuguesa tem ainda muito a aprender sobre reabilitação e ajudas técnicas a pessoas com deficiências. 
 
Carla Vieira Faria é especializada em desenvolvimento web acessível e formadora na área. É também investigadora e técnica de reabilitação ao nível das tecnologias e fundou o www.ajudas.com há cinco anos. Um site com muita informação acessível a todas as pessoas, aos cidadãos portadores de deficiência. Um portal sobre reabilitação e ajudas técnicas, que promove iniciativas solidárias. E é o único portal nacional e mundial a oferecer brinquedos e computadores adaptados a crianças jovens e adultos com deficiência.

Privilegia-se a parceria. "Em Portugal, existe a cultura de cada um fazer por si e isso é o que tentamos demonstrar que não resulta" - revela. Dedica-se a desenvolver soluções universais e acessíveis a todos. Tem, por isso, uma empresa que desenvolve tecnologia para equipamentos móveis, para que a informação esteja sempre disponível.

Rigor, bons conhecimentos, saber quais os constrangimentos no acesso à informação. Tudo é importante para construir sites acessíveis a deficientes. "Cada pessoa pode ter necessidades muito diferentes e, infelizmente, em Portugal não se trabalha para um conjunto de pessoas. Pensa-se num caso e faz-se para esse caso" - alerta Carla Vieira Faria.

EDUCARE.PT: O que a levou a fundar o portal www.ajudas.com? Quais os objectivos desta plataforma?
Carla Vieira Faria: Na altura, em 2005, a informação concentrada num só local era inexistente como infelizmente ainda hoje acontece. Senti necessidade por todos os motivos pessoais e profissionais - sou investigadora e técnica de reabilitação ao nível das tecnologias - de criar um espaço onde, no fundo, se aglutinassem várias valências: informação, serviços, iniciativas, divulgação de organizações não governamentais, projectos nacionais e internacionais, etc. Posteriormente nasceram outros espaços, como a bolsa de emprego e o espaço para seniores. Este e outros espaços vão nascendo devido à escassez de sítios acessíveis a todas as pessoas, refiro-me à acessibilidade web e electrónica segundo as normas internacionais W3C, o que, infelizmente, condiciona o acesso à informação de cidadãos com deficiência.

E: Um portal sobre reabilitação e ajudas técnicas. Quem é o público-alvo?
CVF: O nosso público, neste momento, são todas as pessoas. Cada vez mais o ajudas.com tem visitantes muito diferenciados: desde pais e familiares de pessoas com deficiência, a pessoas seniores ou familiares e técnicos das mais diversas valências.

E: Que serviços presta e a que níveis?
CVF: O ajudas.com, por si só, não presta serviços nem vende nada. Quem o faz, e recomendamos, são os nossos parceiros. O ajudas.com tem como missão informar, encaminhar, ajudar, promover, apoiar sem que isso signifique para o visitante pagar ou ter acesso a serviços directos. Os parceiros que estão connosco prestam serviços, vendem produtos, apoiam e encaminham assim que sinalizamos os casos que recebemos todos os dias. O ajudas.com faz, sobretudo, iniciativas solidárias. Somos o único portal nacional e mundial a oferecer brinquedos adaptados - respectivo manípulo sem o qual as adaptações pouco servem - e computadores totalmente adaptados a crianças jovens e adultos com deficiência.

Claro que as ofertas estão dependentes do que nos oferecem e, por isso, estas iniciativas podem ter quebras e não chegar onde desejaríamos, mas não temos orçamento próprio e os parceiros envolvidos nestas iniciativas já fazem o que podem. Precisamos de mais parceiros, gostaríamos que as entidades nacionais, como as fundações que deveriam dar este tipo de resposta neste campo, e nunca nos ajudaram, o passem a fazer de forma oficial e contínua. Em Portugal, existe a cultura de cada um fazer por si e isso é o que tentamos demonstrar que não resulta. O trabalho em parceria para nós é fundamental.

E: Fora da Internet, que intervenções desenvolve?
CVF: Trabalhamos. No meu caso específico, trabalho com tecnologia tendo sempre como premissa o desenvolvimento de soluções universais e acessíveis a todos. Tenho a minha empresa que, neste momento, desenvolve tecnologia para equipamentos móveis. Trata-se de mini-aplicações (widgets) que se instalam no telemóvel e que nos permitem ter acesso às mais diversas informações. Desde informação do local mais próximo, a dados sobre ofertas de emprego passando pelos filmes em cartaz, farmácias de serviço, etc.

E: O feedback tem sido positivo? O site tem sido muito procurado?
CVF: O ajudas.com tem um feedback diário de centenas de e-mails. Tem quatro milhões de visitantes desde Março de 2006. Pelo que nos é dado entender - e confirmámos - é recomendado pelas mais altas entidades nacionais e algumas internacionais nomeadamente do Brasil, Angola, Moçambique e Argentina.

E: Em relação às ajudas técnicas, qual o trabalho que o portal promove?
CVF: Em conjunto com o patrocinador oficial - Grupo Setcom - adapta, produz e oferece algumas ajudas de carácter tecnológico. Com o apoio da Universidade do Minho e do professor Fernando Ribeiro, conseguimos garantir a adaptação de brinquedos, equipamentos electrónicos, à medida e necessidade de cada um. Em relação a ajudas técnicas mais comuns, cadeiras de rodas, camas, software específico que não tenhamos, encaminhamos para entidades que sabemos que podem ajudar.

E: Quais as principais dúvidas que vos chegam?
CVF: Há muitas questões acerca da legislação, apoios ao emprego e soluções ajustadas. Também nos pedem imensos serviços e produtos de qualidade para seniores e pessoas com deficiência. As dúvidas colocam-se sempre acerca da qualidade e eficácia.

E. E que técnicos têm para dar respostas?
CVF: Temos um leque alargado de especialistas na equipa em todas as áreas. E temos os parceiros que nos dão um apoio muito grande e determinante para todas as pessoas.

E: A sociedade tem consciência das dificuldades de quem vive num universo de reabilitação?
CVF: A nossa sociedade tem muito que aprender acerca destes assuntos. Já se sentem evoluções desde que temos a Secretaria de Estado e o novo INR, antigo SNRIPD, Instituto Nacional para a Reabilitação. Estes organismos são muito importantes para que se fale, se debata e se discutam assuntos de deficiência, reabilitação, integração de pessoas com deficiência, seniores, etc. O INR, em particular, é hoje um organismo mais ágil, dinâmico e que já é muito mais conhecido do que o que era. Foi um bom e importante passo para que a sociedade em que vivemos esteja mais actualizada acerca destes temas que, no fundo, são a nossa realidade pois estamos num país que está a envelhecer. E que infelizmente continua a ter inúmeros casos de nascimentos de crianças com deficiência, para além das doenças como Alzheimer, Parkinson, etc., tão frequentes hoje em dia.

E: O que é necessário mudar para compreender os problemas da mobilidade condicionada e das próprias deficiências?
CVF: É necessário promover mais informação. Mas esta informação carece de rigor. Infelizmente notamos que, muitas vezes, se abordam as questões pela rama, não se aprofundam temas, nem se tem um discurso claro e objectivo. Isso penaliza quem quer saber e acaba por não esclarecer.

E: Hoje em dia, há soluções tecnológicas suficientes para pessoas com deficiência?
CVF: Nunca há tudo. Cada pessoa pode ter necessidades muito diferentes e, infelizmente, em Portugal não se trabalha para um conjunto de pessoas. Pensa-se num caso e faz-se para esse caso. Isto é contra o que defendo. Hoje temos de pensar de forma mais profissional, não resolver problemas no agora. Temos de planear, pensar que temos de conceber soluções para pessoas muito diferentes. É isso que fazemos no ajudas.com. É isso que faço na minha vida e promovo na minha empresa.

E: Que cuidados se deve ter na construção de sites que sejam acessíveis a portadores de deficiência?
CVF: Ser rigoroso, conhecer o que são, de facto, os constrangimentos no acesso à informação e o que os provoca, ter largos e bons conhecimentos de programação, não se acomodar a "pacotes pré-feitos", pensar no backoffice e fazer sites que possam ser actualizados por pessoas com deficiência ou baixa literacia tecnológica, saber o que são e utilizar tecnologias de apoio.

E: A nível pedagógico, há material tecnológico disponível para um público com características especiais? O que falta fazer?
CVF: Existe muito pouco e o que existe, como o que eu e o meu marido, Pedro Ivo Faria, fizemos e foi largamente premiado - recebemos, ao todo, 14 prémios nacionais e internacionais -, não foi divulgado nem apoiado por nenhuma instituição ou organismo nacional. Hoje em dia, o software pouco se vende, apesar de continuarmos com muito pedidos diários, como é o exemplo do Pocket Voice - que devido à existência de outros produtos mais complexos e pouco user-friendly voltou a ser muito solicitado.

E: O que a levou a "mergulhar" nesse mundo da reabilitação e das soluções tecnológicas a pensar nas pessoas com deficiência?
CVF: Questões pessoais, profissionais e o forte desejo que sempre tive de fazer por todos e para todos!

 
Fonte: http://www.educare.pt/educare
 

 



Anuncie Connosco Anuncie Connosco Anuncie Connosco Anuncie Connosco Anuncie Connosco


  •   Política de Privacidade   •   Regras   •   Fale Connosco   •  
     
Voltar ao topo