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Autor Tópico: Pistorius na Meia de Portugal  (Lida 1222 vezes)

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Online Sininho

Pistorius na Meia de Portugal
« em: 12/09/2011, 10:04 »
 
Pistorius na Meia de Portugal 





Sul-africano que corre com próteses vai passar Ponte Vasco da Gama. Na mini de 6 km, a 25 deste mês. Móia convidou-o em Daegu.

Oscar Pistorius vai estar em Lisboa para participar na Meia-Maratona de Portugal, evento organizado pelo Maratona de Carlos Móia e que se realiza a 25 deste mês.

O dirigente esteve em Daegu a assistir aos Mundiais de pista em que o atleta sul-africano pôde competir, apesar de ser amputado das duas pernas, correndo com próteses de fibra de carbono.

«Não foi fácil... Ele teve de cancelar outros compromissos, mas a grandeza da prova e a conversa que tivemos em Daegu fizeram com que aceitasse o convite com agrado. É uma honra para o País», sublinhou Carlos Móia, relembrando que Pistorius estará em Lisboa com «o apoio dos CTT», que patrocinam a meia-maratona em cadeira de rodas, embora seja o Maratona a pagar as viagens e o cachet do atleta.

in abola.pt
Queira o bem, plante o bem e o resto vem...
 

Offline Eduardo Jorge

Re: Pistorius na Meia de Portugal
« Responder #1 em: 24/09/2011, 09:15 »
 
Leila Marques é presidente da Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência. Em entrevista ao SAPO Desporto, acredita que a vinda do atleta sul-africano a Portugal pode ser o ponto de viragem para a inclusão de pessoas com deficiência no desporto regular.

SAPO Desporto: Enquanto presidente da Federação como viu esta posição da IAAF (Federação Internacional de Atletismo)?
Leila Marques: O Pistorius é um atleta de excelência, faz por isso. É um atleta que treina imenso, tem todo o direito aos créditos que lhe são atribuídos. Acho extraordinário este atleta vir participar na nossa Meia Maratona, porque é uma forma de poder trazer à discussão do dia a dia a participação de atletas nestes eventos de forma inclusiva, que é isso que a Federação se vai debatendo. Para além disso,  há a controvérsia da participação nos Jogos Olímpicos faz com que a conversa ainda seja melhor.

SD: No caso dele, que tem uma deficiência motora, acha que seria possível em atletas cegos ou surdos?
LM:Desde que tenham qualidade para estar neste tipo de evento, as portas não devem ser vedadas. Se for necessário, devia-se fazer as devidas adaptações. Temos vindo a fazê-lo. Estabelecemos um acordo com a Federação Portuguesa de Atletismo, onde os nossos atletas podem participar em 30 eventos organizados pela FPA. É através destas parcerias que conseguimos que os atletas tenham uma participação condigna.

SD: Vê algum atleta português a poder competir?
LM: Neste momento não, sinceramente, muito complicado. Equipa de atletismo em fase de transição. A média de idades é acima do que idealmente desejávamos. Temos potências a despontar, mas não será para já.

SD: Está programada alguma sessão com o Oscar Pistorius e a Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência?
LM: Tentámos uma sessão de motivação, mas ele têm um calendário muito apertado. Estarei com ele hoje, na conferência de imprensa [da Meia Maratona de Lisboa] e no dia da competição e mais não conseguimos.

SD: Mas vai tentar que ele volte a Portugal?
LM: Claro, a Federação tem os Jogos de Portugal e o objetivo é trazer grandes atletas do panorama internacional e o PIstorius é um atleta de peso.

SD: O que vê nele que falta aos outros?
LM: Mesmo a vontade de superação. Às vezes falta essa força de vontade de superar…

SD: Este é o ponto de viragem?
LM:Acredito que sim. Estamos a alargar os horizontes à partilha de experiências, o que leva a práticas mais inclusivas no que diz respeito ao desporto adaptado.

Fonte: Sapo Desporto
 

Online migel

Re: Pistorius na Meia de Portugal
« Responder #2 em: 24/09/2011, 22:15 »
 
Pistorius: «Adoro o que sinto quando corro»

Oscar Pistorius está em Lisboa para apadrinhar a meia-maratona de Portugal. O sul-africano, de 24 anos, foi o primeiro atleta com deficiência a garantir uma medalha no Campeonato do Mundo para atletas não deficientes ¿ prata na estafeta, na Coreia do Sul.

Aos 11 meses foi amputado à altura dos joelhos, mas Pistorius cresceu num ambiente que lhe dava a sensação de normalidade, contou em entrevista à TVI: «A minha mãe foi muito importante. O meu irmão é dois anos mais velho que eu. Ela dizia: «Oscar põe as próteses. Karl calça os sapatos.» Para ela era aí que a deficiência terminava.»

«The Blade Runner» jogou polo aquático, ténis, lesionou-se no râguebi e começou a correr, com a ajuda de próteses de fibra de carbono: «Amo o atletismo. Adoro o que sinto quando corro. Algumas pessoas perguntam-me se me sinto livre quando corro. Não me sinto livre, mas adoro a competição. Adoro quando, nos 400 metros, faço a última curva e os oito atletas estão empatados. Acho que é aí que a corrida realmente começa.»


Veja o video aqui:   http://www.maisfutebol.iol.pt/atletismo/pistorius-atletismo-meia-maratona-tvi-maisfutebol/1283136-1451.html

TVI
 

Offline Rui Silva

Re: Pistorius na Meia de Portugal
« Responder #3 em: 25/09/2011, 00:13 »
 

Depois de uma luta contra a Federação Internacional de Atletismo, Oscar Pistorius, sem pernas a partir dos joelhos desde os 11 meses de idade, conquistou o direito de competir contra atletas normais e ultrapassou as fronteiras do desporto para-olímpico nos recentes Mundiais de atletismo, em Daegu, em que conquistou uma medalha de prata na estafeta 4x400m (não correu a final) e onde foi semifinalista nos 400m.

Chamam “Blade Runner” a este sul-africano por usar umas próteses nas corridas que parecem lâminas, que, antes da decisão favorável do Tribunal Arbitral do Desporto, eram consideradas uma vantagem mecânica injusta em relação aos outros atletas. Pistorius está em Lisboa, para dar o tiro de partida da meia-maratona de Portugal.


“Blade Runner”, gosta da alcunha?
Não me importo. Tenho outra, “o homem mais rápido sem pernas”, mas dessa não gosto. Gosto de “Blade Runner” e gosto de uma que o “Daily Mail” me deu, “titan of the track” [titã da pista]. A do “Washington Post” foi “Sea Biscuit”. Era história de um cavalo que era o “underdog” que nunca ninguém pensava que fosse ganhar alguma coisa. Ele começava devagar e depois ia muito depressa. É assim que eu costumava correr. É engraçado, ao longo dos ano vamos ganhando alcunhas, algumas ficam, outras não, algumas gosto, outras não.

Sente-se como um “underdog” a correr contra atletas normais?
Nem sempre, depende da corrida. Quando não há tanta pressão sobre mim, é mais fácil correr, mas em algumas corridas vou ser o centro das atenções, o tipo com o tempo mais rápido. E eu quero ganhar. Eu sei que se ficar em segundo, não vou ficar satisfeito comigo próprio. Por vezes é bom não ter pressão, outras vezes prefiro não sentir pressão. Nos Mundiais, nos Paralímpicos, em grandes eventos, é bom sentir pressão porque não queremos desperdiçar a oportunidade e apenas estar lá. Queremos estar no nosso melhor.

Mas em Daegu, não conseguia escapar ao facto de ser o centro das atenções…
O que acontece é que eu dou a mesma importância aos Mundiais como à corrida que fiz há poucos dias em Varsóvia, um pequeno “meeting”, à chuva, a minha ultima corrida da época. Fiz exactamente o mesmo aquecimento. Não quero ser um atleta que dá mais importância a uma corrida que a outras. Uma corrida é uma corrida, tenho de dar sempre o meu melhor. O meu treinador e o meu empresário sabem que não precisam de me dizer para eu dar o meu melhor. Sabem que eu coloco muita pressão em mim próprio. Só me dizem, faz a tua corrida e diverte-te.

Nas meias-finais dos 400m em Daegu ficou muito abaixo do seu melhor…
Estava muito cansado. Não sei bem o que aconteceu. Foi a minha terceira corrida mais lenta do ano, quando a eliminatória tinha sido a segunda mais rápida. Estava na pista oito, que é uma daquelas pistas em que se não se sai rápido e começamos a ser apanhados pelos que vêm atrás, é muito difícil responder. Estava a vê-los a aproximar, e a 20 metros da curva, o que eu devia ter feito era acelerar, mas saí da curva com pouca velocidade e, aos 320m, 330m, já não se consegue acelerar mais, já sinto o cansaço. Não segui o meu plano.
Quando me perguntaram o que é que eu esperava fazer em Daegu, nunca disse que queria chegar à final, ou que queria bater o meu recorde pessoal, queria era ganhar experiencia, fazer bem, aprender. Mesmo com uma corrida milagrosa, dificilmente teria ido à final. Queria ter corrido melhor. Mas olhando para trás, o que penso é: em Londres 2012 não vou cometer o mesmo erro. A experiência conta muito.

Como foi o momento em que soube que tinha ficado de fora da final dos 4x400m?
Fiquei muito triste. Não sei o que aconteceu. Foi uma senhora do “team managment”, Magda Botha, que me ligou de manhã e disse-me que não me queria na final. Eu respondi-lhe que não havia razão para isso, que estava a correr em 45,2s [tempo na meia-final da estafeta], e ela disse-me que eu corria 46,2s [tempo na meia-final dos 400m]. Tivemos um desacordo. E a estafeta foi mais lenta sem mim. Eles meteram um barreirista no meu lugar. Ele tinha o tempo mais rápido e iria sempre correr a final, mas nunca se tira o segundo mais rápido da equipa, tira-se o mais lento. Corri muito bem na meia-final, mais rápido que qualquer um, e foi muito frustrante.

Tem membros artificiais desde muito novo, e escolheu o desporto, que não é o caminho mais fácil. Porquê?
Porque era péssimo aluno [risos]. A minha família é bastante rigorosa, não aceita desculpas nem incompetência. Não compreendem a atitude de uma pessoa que não tome as rédeas da sua vida. Os meus pais foram assim comigo. Comigo e com o meu irmão que é dois anos mais velho. De manhã, quando eu estava a sentir pena de mim próprio, diziam-me: “Como o teu irmão calça os seus próprios sapatos, tu pões as tuas pernas. E é a ultima vez que eu quero ouvir falar do assunto. Há milhões de coisas que tu podes fazer, não penses naquilo que não podes fazer.”
Quando estava a crescer, apercebi-me que não havia muita coisa que não pudesse fazer. Eles não me deixaram pensar de outra maneira. Houve uma vez que fui à praia e as minhas pernas enferrujaram. Eles disseram, “Não há problema, o seguro paga, vai. Se quiseres fazer surf, força.”

E fez surf?
Sim, mas não sou grande coisa. Mas tentei. E isso é o mais importante. Não é só conseguir fazer uma coisa, é tentar.

Nunca se escusou a fazer alguma coisa por não ter pernas?
Nunca. Uma vez, quando tinha sete anos, escrevi uma carta à minha professora de Educação Física, com uma letra muito direitinha. As minhas pernas eram muito pesadas nessa altura e eu escrevi a fingir que era a minha mãe: “Por favor dispense o Oscar da aula de desporto porque ele está doente.” A minha mãe descobriu, deu-uma grande chapada e disse-me: “Tu nunca mais fazes isso.”

« Última modificação: 25/09/2011, 00:20 por Rui Silva »
"Vencer a si próprio é a maior das vitórias." (Platão)
 

 



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