EDP 5ª Meia Maratona do Douro Vinhateiro - 23 de Maio de 2010
Aquela que se fez anunciar como a mais bela corrida do mundo, e se promoveu e divulgou de forma grandiosa, acabou por se transformar numa corrida trágica e infernal sob um sol escaldante e impiedoso (acima de 30ºC).
Tudo se passou no domingo, 23 de Maio, e depois de uma conduta nas semanas que antecederam a prova, que prometia uma prova de qualidade, no dia da prova, um erro completamente inexplicável, (pois a organização passadas 48 horas do ocorrido ainda não se explicou, deixando apenas uma breve alusão ao sucedido, de forma aligeirada, desvalorizando a situação), a mais bela corrida do mundo acabou por ser a pior corrida do mundo para as centenas de atletas que nela participaram.
A total ausência de abastecimentos para a maioria dos atletas a partir do km 8, incluindo no ponto de chegada, foi o erro fatal. Aquele que não se pode ter. Põe em risco a saúde e a vida do atleta. É a mancha que mesmo que tudo o resto estivesse 5 estrelas (não estava!) envenena e apaga por completo tudo o que de bom se fez. É demasiado sério e grave!
Colocar apenas duas jovens no 1º abastecimento (km 4) para dar água, quando se anunciava 2000 atletas para a Meia, é outro erro óbvio. Quando os atletas ainda pouco se dispersaram (km 4!), seria possível cada jovem oferecer em mão garrafas de água a 1000 atletas cada uma?! Pelos vistos, a organização achou que sim.

Poderíamos "esquecer" vários pontos do regulamento que não se fizeram cumprir, como a "regulamentada" recolha dos atletas após 1 hora da chegada do primeiro, que não se fez e que certamente evitaria vários casos de desidratação e insolação, por mais ou menos graves que fossem. Poderíamos esquecer a má organização à chegada, quer em termos de recolha de chips, quer de entrega de prémios de presença. Há atletas que levaram saco, garrafa de vinho, t-shirt, água, tomboladeira (objecto usado pelo escanção nas provas de vinhos), umas com corrente outras sem. Atletas houve que levaram alguns desses objectos em duplicado e triplicado, porque lhes era estendido em mão, aqui, ali e mais à frente, e outros ainda, faltou-lhes um ou mais objecto e a muitos, faltou tudo! Cortaram a meta e vieram de mãos a abanar, com o interior do corpo mais seco que um bacalhau seco! Se somarmos a isto o facto que deram 10 euros para usufruir do prazer de correr , compreenderemos melhor a revolta das pessoas e as frases ofensivas e os nomes que chamaram à organização, principalmente na pessoa do seu director, que acabou a chorar, não sei bem se por ofendido, ou por constatação da merda que fez pela sua incompetência como organizador de provas de atletismo. A avaliar pelo comunicado no site oficial da prova, em nada humilde ou sincero, desvalorizando o sucedido, tudo leva a crer que foi apenas pela primeira razão.
Mas a prova teve coisas boas!
O antes:
Informações no site oficial. Envio de mails para os inscritos com várias informações; Inscrições fáceis, de valor a dar direito a exigir tratamento equivalente (elevado); levantamento de dorsais na véspera e também no dia da prova; problemas habituais resolvidos com prontidão e boa vontade;
No dia: viagem de comboio do local de chegada para o local de partida. Partidas impecáveis com divisão clara e controlada dos atletas da Meia e da Mini; espaço para aquecimento; animação com exercícios de aquecimento e alongamento.
Tudo fazia adivinhar uma prova de sucesso. Daquelas onde todos queremos voltar.
Mas depois...depois tudo se complicou. O mais grave já foi falado (insuficiência e ausência de abastecimentos); a inevitável mistura de atletas da Meia com os da Mini, com a dificuldade de correr para os primeiros; e depois, depois tudo o resto: desorganização na entrega do saco com prémios de presença, conforme já expus acima, a insuficiência e ausência de apoios de primeiros socorros, quer ao longo da prova quer no final; a incapacidade de reparar o erro: se a água acaba ao km 8, muito se poderia fazer para nos próximos abastecimentos já estivessem repostos! Não foi feito! Valeram os bombeiros e os populares, e a cena era arrepiante. Água. Atletas a implorar por água, porque ela é essencial à vida, e eles já a estavam a perder... desmaios, desespero de sofregamente pegar numa garrafa no chão, esquecer que lábios de bocas de dentes pobres e cuspo nos cantos da boca, a tocaram antes! Tudo isso é insignificante e os atletas pegam nessas garrafas e sorvem pingos, gotas de água esquecidas. É a luta pela sobrevivência! Já não se quer saber de tempos, quer-se apenas chegar. Bem. Vivo, pelo menos.
São os choros e a aflição dos amigos e familiares que esperavam os atletas na meta, pois praticamente todos estavam a demorar mais do que seria previsto para cada um. São as sirenes das ambulâncias. A partir, a chegar. As macas que não chegam. É o apelo do speaker, a todos, que tragam água, ajuda àquela gente que chega à meta e cai como tordos. Inesquecível. Foi uma prova inesquecível! Cenário arrepiante, triste. A mostrar como a corrida pode ser perigosa também. A afastar as pessoas da Corrida. A desmotivar. Uma prova absolutamente inesquecível! Pelas piores razões.
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As coisas boas ainda: O Douro, o meu rico rio Douro e as suas margens. Quero correr lá de novo! Quero que a organização, se honesta for, convidasse e pedisse a TODOS que lá estiveram para fazer a Meia e acabaram por passar um suplício infernal, para voltarem em 2011, com inscrição gratuita (como compensação e mostra de reconhecimento da porcaria que fez, o que para já não está a fazer), e dessa forma manter a prova, a corrida que pode muito bem ser a mais bonita do mundo, mas para isso, é preciso muito mais que apenas as condições naturais. Essas estão lá! Depois há que criar as outras! E o abastecimento é de fácil resolução. Aumentar as quantidades! Simples! Evitar que Caminheiros que misturem com atletas da Meia. Tanto a fazer. A corrigir. A melhorar! Eu gostava que a Organização fosse capaz disso! Será?
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Talvez o director da prova seja (é!) um excelente promotor de eventos! Mas organizar uma prova de atletismo de estrada, a parte da promoção é apenas uma parte, o resto, o fundamental, o essencial para satisfazer quem corre e torna o evento num sucesso, exige outro tipo de pessoa, outro tipo de atitude.
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