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..:: Deficiente-Forum - Modalidades Desportivas ::.. Responsável: Fisgas => Atletismo => Tópico iniciado por: Fisgas em 03/01/2012, 10:05
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Sobrevivente de guerra é vice de categoria especial da São Silvestre
(http://www.gazetaesportiva.net/upload/imagem/2012/01/01/t_46991_20120101155124.jpg)
O sargento Júlio Torres trocou a farda e os coturnos por tênis de corrida e camiseta para disputar a Corrida Internacional de São Silvestre. Sobrevivente da Guerra do Cenepa, o membro do exército equatoriano chegou na segunda colocação da categoria para deficientes intelectuais da prova disputada na tarde do último sábado.
A Guerra do Cenepa, travada no começo do ano de 1995, foi um conflito fronteiriço entre Peru e Equador. Durante o confronto, Torres perdeu parte da perna esquerda, da visão e da audição após ser atingido por um tiro de morteiro disparado pelo exército peruano e sofreu a implantação de uma placa de titânio na cabeça.
"Eu sempre fui atleta, desde o colégio até o exército. A explosão na guerra me fez voar pelos ares e fiquei cinco anos sem correr. Permanecei em um hospital psiquiátrico por mais de três anos simplesmente esperando a morte chegar, mas consegui superar essa situação graças ao esporte e voltei a participar de corridas regularmente", contou Torres, que diz ter passado por um total de 15 cirurgias.
Sétimo colocado da edição do ano passado da São Silvestre, Torres disputou a prova pela segunda vez em 2011 e aprovou a mudança de percurso, com chegada no Obelisco do Ibirapuera. "Esse novo trajeto é muito forte e duro, mas é para isso que você se prepara. Em 2010, a subida da Brigadeiro me custou muito. Nas decidas desse ano, precisei correr freando para não machucar os meniscos. O circuito é bom e deve ser mantido", disse.
O equatoriano continua ligado ao exército, mas, evidentemente, quer distância das guerras. "O esporte é o que faz as pessoas se superarem. Eu, por exemplo, segui adiante pelo esporte. Já as guerras, não desejo para ninguém. Você vê a morte de perto. Na maioria dos casos, é vencer ou morrer", declarou o sobrevivente do Cenepa.
Se o equatoriano chegou em segundo entre os deficientes intelectuais, nas principais disputas o domínio foi dos africanos, que monopolizaram o pódio tanto no feminino quanto no masculino. O etíope Tariku Bekele venceu entre os homens e a queniana Priscah Jeptoo repetiu o feito no evento das mulheres. Damião Ancelmo, sétimo colocado, e Cruz Nonata da Silva, sexta, foram os melhores brasileiros.
Fonte: http://esportes.terra.com.br (http://esportes.terra.com.br)