Atleta irlandês é deficiente visual e quer correr 100 metros nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, em 2012.
Jason Smyth foi um dos atletas que se qualificaram, ontem, para as meias-finais dos 100 metros, nos Europeus de Atletismo de Barcelona. Tal como o português Francis Obikwelu. Mas, ao contrário do luso, o irlandês, 23 anos, fez história: foi o primeiro atleta a vir dos Paralímpicos e a participar nos Europeus.
Natural de Derry, na República da Irlanda, Jason Smyth tinha apenas oito anos quando lhe foi diagnosticado a doença de Stargardt, um problema degenerativo na visão. Uma doença rara, que causa problemas na visão central, mas não na periférica.
O sprinter é muito sensível à luz forte e anda quase sempre de óculos escuros (até nas corridas), para abrandar o desenvolvimento da doença. Ainda assim, é irreversível. À medida que vai envelhecendo, a visão vai desaparecendo e Jason Smyth corre o risco de ficar cego. "A minha visão é de 10%, comparada com a visão total de outra pessoa", explicou.
No entanto, o irlandês sempre se treinou normalmente e cedo começou a dar nas vistas na velocidade. Em 2008, representou a República da Irlanda nos Jogos Paralímpicos e ganhou duas medalhas de ouro, nos 100 e 200 metros.
Este ano, o atleta começou a treinar-se na Flórida, Estados Unidos, ao lado do norte-americano Tyson Gay, três vezes medalha de ouro em campeonatos mundiais de atletismo. Faz parte de um grupo de 14 atletas, mas é o único com deficiência.
Apesar da doença, trabalhou sempre ao lado dos melhores, apesar de recear alguns problemas. Mas o nervosismo passou e até recebeu a alcunha de "coelho branco", por correr tão depressa. "Muitos brincam comigo e perguntam-me se sou realmente cego. Pensam que é pior do que realmente é", afirmou Jason Smyth, em Maio, ao jornal britânico The Guardian.
A presença nos Europeus é o último passo do irlandês para cumprir o sonho e objectivo da vida: representar a República da Irlanda nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Londres, em 2012. "Metade da batalha para alcançar objectivos é acreditar que se pode fazê-lo", sublinhou Smyth.
Fonte: JN
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