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..:: Deficiente-Forum - Temas da Actualidade ::.. Responsável: Nandito => Bem - Estar, Saude e Qualidade de Vida => Tópico iniciado por: Sininho em 15/01/2014, 10:08

Título: Adolescentes: Relógios desregulados
Enviado por: Sininho em 15/01/2014, 10:08
Adolescentes: Relógios desregulados


São assim os relógios internos dos adolescentes: desregulados. Assim se explica em parte que adiem ao máximo a hora de deitar e que acordem ensonados. Parecem que nunca têm sono, mas a verdade é que precisam de dormir para manterem a concentração.

(http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/content_files/cms/img/img1_6fec24eac8f18ed793f5eaad3dd7977c.jpg)
Fazer um adolescente ir para a cama é tarefa árdua e ingrata para os pais.

Resistem até mais não, mesmo quando não há tarefas para terminar: ficam em frente ao computador ou à televisão ou à consola de jogos, quantas vezes flagrantemente insones, mas nada de se deitarem... E de manhã, nova tarefa árdua: acordá-los. Reclamam o sono que não dormiram, adiando ao máximo o momento de se levantarem para ir para a escola. E quando saem de casa ainda vão meio a dormir e assim permanecem muitas vezes nas aulas...

Serão preguiçosos? Estarão a desafiar as regras? Não, o que acontece é que este padrão de comportamento tem uma causa fisiológica: é consequência da puberdade. Todos nós temos um relógio interno que, entre outras funções, influencia a temperatura do corpo, o apetite e os ciclos de sono. Uma criança sente, normalmente, sono pelas nove ou dez horas da noite, às vezes antes. Mas a puberdade atrasa o relógio, adiando a hora a que o adolescente começa a ter vontade de dormir. A esta razão interna juntam-se depois factores externos, relacionados com o modo de vida: o estudo (deixado para o fim do dia ou prolongado em véspera de testes e exames, por exemplo) e a socialização fá-los deitarem-se ainda mais tarde.

O resultado é que a maioria dos adolescentes provavelmente dorme pouco, dorme seguramente menos do que as nove horas de sono consideradas adequadas. Parecem muitas horas, mas a verdade é que o sono é vital para o bem-estar, é tão vital como comer, beber, respirar. O sono é, aliás, uma espécie de alimento para o cérebro: é durante a noite que ocorrem muitas das funções mais importantes do organismo. E quando o cérebro não recebe o alimento de que necessita o mais natural é que acabe por reclamá-lo quando menos se espera: daí a sonolência diurna.

E quando não se dorme o suficiente, facilmente se fica mais irritável, com mudanças de humor bruscas e improváveis noutras circunstâncias. A concentração e a aprendizagem são afectadas, o que pode comprometer o desempenho escolar. E quando os adolescentes já conduzem, aumenta o risco de um acidente: a sonolência diurna é uma das causas comprovadas de sinistralidade rodoviária.

É comum tentar compensar o sono perdido durante a semana com horas extra ao fim-de-semana. Parece mesmo a solução mais lógica, mas na realidade acaba por confundir ainda mais o relógio interno dos adolescentes.

Deitarem-se mais cedo do que o habitual, procurando forçar o sono, também não resulta: pelo contrário, acaba em insónia e cansaço.

Para noites melhor dormidas

Significa isto que os adolescentes devem ficar à mercê do seu relógio interno e dos hábitos que são próprios desta idade de transição? Não! Pode não ser tarefa fácil, mas há algumas formas de promover a qualidade do sono. Antes de mais, é preciso que compreendam a verdadeira importância do sono: para quem tem pressa de viver, como é típico desta fase, dormir pode parecer um desperdício, mas as horas de sono constituem uma pausa essencial para o organismo.

Convém que os adolescentes se esforcem ao máximo por manter uma certa regularidade na hora de deitar, sobretudo quando têm aulas de manhã. Há excepções, naturalmente, mas mesmo aos fins-de-semana é útil manter a rotina.

Adormecer é mais fácil quando o ambiente no quarto é propício: em silêncio e na penumbra é o ideal, se necessário com a ajuda de cortinas ou persianas, mas não demasiado densas para que seja a luz matinal a dar sinal de que está na hora de acordar.

À noite são de evitar os estimulantes, o que inclui a cafeína (presente no café, mas também em muitos refrigerantes e bebidas achocolatadas). São bem conhecidos os usos da cafeína para as longas noites de estudo - as famosas directas - mas no dia-a-dia interfere com a qualidade do sono.

De evitar quando se aproxima a hora de dormir são igualmente as actividades que possam manter o estado de alerta, por provocarem alguma ansiedade ou agitação: é o caso dos jogos de computador ou consola. Já a leitura é mais aconselhada pois tem um efeito calmante.

Pode haver necessidade, uma vez por outra, de compensar uma noite mal dormida com uma sesta. Mas curta e nunca ao fim do dia, caso contrário dormir voltará a ser difícil na noite seguinte.

O que está completamente desaconselhado para adolescentes é a toma de medicamentos para induzir o sono. Em casos pontuais e na presença, por exemplo, de distúrbios do sono clinicamente diagnosticados, poderão ser prescritos pelo médico, mas não devem ser tomados por iniciativa própria.

É um facto que, nalgumas situações, a excessiva sonolência diurna de um adolescente pode não ser apenas da responsabilidade do relógio interno.

Pode haver um problema: pode ser um efeito secundário de medicamentos, um sinal de depressão, um distúrbio do sono como a narcolepsia ou a apneia do sono.

Se os hábitos de sono suscitarem preocupação, nomeadamente por estarem a interferir com o quotidiano, o melhor é ir ao médico: se houver algum problema subjacente, o tratamento adequado é meio caminho andado para uma boa noite de sono.

in medicosdeportugal.saude