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Autor Tópico: Boccia facilita convívio entre idosos  (Lida 681 vezes)

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Offline Fisgas

Boccia facilita convívio entre idosos
« em: 15/08/2015, 12:03 »
 
Boccia facilita convívio entre idosos 
   Rafael Matos 
 
 
   
 
 Equipado a rigor no seu fato de treino e de mãos cruzadas atrás das costas, Carlos Sousa vai explicando as regras do jogo com a segurança e conhecimento de quem já conta oito anos de prática e de torneios no boccia. Enquanto admite que "é preciso um pouco de manha", o olhar confessa um pouco da vaidade que tem em perceber desta modalidade como poucos entre os cerca de cem praticantes "seniores" (isto é, idosos) que anteontem se encontraram para um dia inteiro de competição, na Escola Básica Nicolau Nasoni, em Contumil, na zona oriental do Porto. Foi o I Campeonato Individual de Boccia para a Idade Sénior.É que este desporto, que entre nós ganhou projecção pública graças aos sucessos da representação portuguesa nos Jogos Paralímpicos, é habitualmente praticado em torneios por equipas. Mas este torneio portuense inaugurou um novo formato, dando agora mais protagonismo a cada praticante. Todos os atletas vinham de centros de dia ou lares para a terceira idade no Porto, e tinham em comum o gosto pelo boccia. Alguns eram verdadeiros estreantes em competição, mas a maioria já podia apresentar credenciais. Como o próprio Carlos Sousa e os seus colegas do lar, que até já têm uma sala para expor os troféus que ganharam nos vários torneios em que competiram em equipa. Mas os verdadeiros troféus ganhos são a camaradagem e cumplicidade que criaram. E isso vê-se no apoio que dão uns aos outros quando chega a sua vez. É fruto de uma história já longa, como diz Fernando Cardoso, porque já foram a muitos sítios, ja conhecem "o norte todo e agora só falta lá para o sul".Os requisitos para a participação resumiam-se assim a apenas dois: ter mais de 75 anos e saber jogar boccia - cada jogador tem seis bolas de uma cor, pouco maiores que um punho, para colocarem, lançando-as, o mais perto que conseguirem de uma bola branca que serve de alvo, o que exige uma apurada táctica de jogo para, além de marcar pontos, impedir também o adversário de os obter. Tão simples quanto isto porque, mais do que o interesse na competição em si mesma, o intuito era proporcionar aos atletas uma ocasião de convívio e participação, uma bem gizada fuga ao quieto correr do tempo. Tudo com um esforço físico apropriado."O jogo é perfeitamente adaptável à idade, e o aspecto social aumenta, além de que conseguirem concretizar as tarefas com sucesso motiva-os". São palavras do professor Luís Ferreira, o técnico que está por detrás do sucesso de alguns dos campeões paralímpicos portugueses. Anteontem, foi ele quem dirigiu toda a parte técnica do encontro. Há quinze anos que é treinador de boccia, colaborando na Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral, e desde o princípio que aposta na modalidade para ajudar a combater a exclusão social e o fechamento dos idosos."O facto de competirem e, mais ainda, o contacto com outras pessoas, travando novos conhecimentos", denota bem as virtudes que o jogo tem, e o professor sublinha-as com a satisfação que vê nos rostos daqueles especiais atletas. Depois explicou a novidade do formato da competição, agora individual, como uma oportunidade para alargar a abrangência do jogo que antes era limitado a equipas. E ainda com a prova apenas no começo arriscou logo avançar um balanço: "Vão ficar satisfeitíssimos, pelo convívio!""Estou a adorar estar com tanta gente"A estatura não enganava, porquanto apesar do pouco mais que 1,50m de altura a energia configurava-lhe a postura. E, com desenvoltura, Alda Pinheiro afiançava dar bem conta do desafio. Com 92 primaveras celebradas, a mais idosa das atletas desenhava um sorriso no rosto enquanto dava conta do seu entusiasmo em estar presente: "Estou a adorar estar com tanta gente", afirmava, antes de responder à chamada para a sua vez de jogar. Perdeu a primeira partida. Talvez tivesse razão Carlos Sousa quando, meio em surdina para não parecer pouco cavalheiro, apontava uma menor argúcia às senhoras em competição.Mas a tese, científica à medida de quem já tem experiência para poder dizer que como ele "só mais dois ou três jogam mesmo muito bem", acabaria por não se confirmar. É que pouco depois a dona Alda já anunciava o seu triunfo: "Sete a zero, sete a zero" e repetia enquanto era cumprimentada pelos seus companheiros na aventura.Não havia champanhe para comemorar. E também não era preciso. A não ser para celebrar o encontro. Mas também, mais indicado para a idade, e melhor para os sequiosos de convívio, era água. E depois das queixas da dona Flávia Reis, que estranhava não haver "umas garrafinhas de quarto de litro", a água chegava finalmente para tomar o melhor antídoto ao ócio: outra jornada de Boccia.


Fonte: Publico


                         
 

 



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