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..:: Deficiente-Forum - Modalidades Desportivas ::.. Responsável: Fisgas => Boccia => Tópico iniciado por: Claram em 31/03/2014, 22:12

Título: Sistema de bioeletrónica auxilia treinadores na preparação de atletas de boccia
Enviado por: Claram em 31/03/2014, 22:12

Sistema de bioeletrónica auxilia treinadores na preparação de atletas de boccia

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© TV Ciência

Com origem no Instituto Politécnico de Setúbal está a ser desenvolvido sistema que permite obter dados de sinais vitais e de movimentos de atletas para melhorar a performance desportiva. O sistema, em fase de protótipo, tem vindo a ser usado em atletas paralímpicos portugueses da modalidade de boccia.



 Medalha de Ouro nos Jogos Paralímpicos de Antenas de 2004 e de Prata nos Jogos de Pequim de 2008, Cristina Gonçalves é um dos atletas paralímpicos portugueses com um largo curriculum na modalidade de boccia.

 A atleta participou também nos paralímpicos de Londres, em 2012, no Campeonato da Europa em 2009, onde ficou em primeiro lugar, e foi medalha de ouro em várias Taças do Mundo.

 Dedicação e muito trabalho têm sido os fatores de sucesso da atleta que em conjunto com a treinadora Rosa Carvalho vai melhorando as técnicas, o desempenho e os resultados. Atleta e treinadora contam agora com mais um contributo – o da investigação científica de Patrícia Coelho e de Josué Jones.

 Hoje licenciados em Engenharia Biomédica pelo Instituto Politécnico de Setúbal, foi no final do curso que definiram os objetivos da investigação. Josué Jones explica que o projeto «surgiu porque pensámos em trabalhar com sinais vitais, mas isso poderia limitar-nos a um espaço de laboratório. E pensámos: “E que tal sinais vitais no desporto?”.

 «Foi quando surgiu o boccia, porque nos permite trabalhar com os desportistas que até podem ter algumas limitações, neste caso, o que ainda torna (o sistema) mais útil, e posteriormente desenvolvemos este sistema e todos os seus módulos associados».

 O Sistema de Suporte ao Treino dirigido ao Boccia, desenvolvido por Patrícia Coelho e Josué Jones baseia-se numa rede de elétrodos colocados no corpo do atleta. Os elétrodos permitem recolher dados vitais: como temperatura corporal, frequência cardíaca ou o movimento de um braço.

 
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Patrícia Coelho e Josué Jones, licenciados em Engenharia Biomédica pelo Instituto
Politécnico de Setúbal

© TV Ciência
Patrícia Coelho explica que o «projeto tem a nível de aquisição de sinal três blocos essenciais: o bloco do ritmo cardíaco, da temperatura corporal e o bloco da sinmática do membro».

 A investigadora adianta que «são blocos independentes e nós começamos a testá-los individualmente» e «não foi fácil chegar à conclusão do que é que tínhamos de utilizar ou não, porque estávamos habituados a um contexto de laboratório, a um contexto escolar».

 Os desafios foram vários, dada que as premissas a ter em conta aumentaram ao longo do desenvolvimento do projeto. «De início utilizamos dois tipos de elétrodos antes de usarmos estes, até chegarmos à conclusão que de facto o que nós queríamos era detetar um sinal de carácter periódico, que não era necessário exatamente um eletrocardiograma preciso, apenas para determinar realmente a frequência com que aquele pico acontecia. Depois aperfeiçoámos, tivemos que melhorar em termos de ruído que é uma coisa muito presente quando estamos a trabalhar com bio sinais», explica Patrícia Coelho.

 Já para a «temperatura corporal utilizámos um sensor para fazer a aquisição do resultado e foi necessário calibrar no contexto real, sempre em ambiente simulado», adianta.

 
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Cristina Gonçalves, atleta paralímpica da modalidade de boccia



© TV Ciência No caso da aplicação de sensores para o movimento do braço, os investigadores foram confrontados com diversos desafios. «Foi um trabalho um pouco mais minucioso porque antes de atingirmos a solução que considerámos que era uma solução proveitosa ou uma combinação correta tivemos algumas escolhas antes. E depois tivemos que escolher outras coisas e pensar noutras soluções, mas no fim correu bem. Quando trabalhámos com as atletas foi de facto uma motivação totalmente diferente do que num ambiente em laboratório», explica Patrícia Coelho.

 Os dados recolhidos pelos sensores são processados em computador e ilustrados em gráficos. Josué Jones explica que «com estes dados podemos detetar se o movimento está a ser feito de forma correta, ou seja, podemos trabalhar a parte da precisão, no lançamento».

 «Com a temperatura corporal podemos acompanhar estas pessoas, que às vezes tem problemas de regulação da temperatura corporal e sem elas o conseguirem dizer, nós conseguimos dizer ao treinador como é que a pessoa está a reagir», refere.

 Já em relação à «frequência cardíaca podemos trabalhar o nervosismo da pessoa e ver como é que ela está a reagir aos estímulos que lhe são efetuados», explica.

 A informação dada pelo sistema é considerada importante no treino de atletas de alta competição e em especial nos paralímpicos. Jorge Carvalho, Professor no Instituto Politécnico de Setúbal afirma que «para conseguirmos os melhores resultados temos que perceber em termos científicos quais são os fatores. E aqui o que está em causa é perceber o controlo, sobretudo em termos de análise de movimento, é um dos dados que é permitido através deste estudo».

 «O outro dado é em termos das características somáticas porque a paralisia cerebral tem problemas em termos de correlação e controlo de movimentos, o que pode desencadear o aumento da temperatura corporal, o aumento da frequência cardíaca com implicações em termos do controlo da ansiedade, da estratégia do jogo e vai perturbar o jogo», refere.

 Pelo que «se conseguirmos controlar esses fatores, então a atleta irá estar liberta para pensar apenas no jogo e de conseguir os melhores resultados e a melhor pró-eficiência motora em termos da prestação desportiva», afirma o Professor.

 A mesma opinião de Jorge Carvalho, experimentado especialista que foi Chefe das Missões Paralímpicas de 1992 a 2008, tem a treinadora da atleta. «Dependendo da informação que nos dão em relação ao sistema cardíaco deles, como reagem dentro da competição, do movimento em que têm de ter e render o máximo com menor esforço, isso é uma mais-valia para nós e torna-se mais fácil o trabalho e a melhoria do rendimento também».

 
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© TV Ciência Rosa Carvalho afirma ainda em relação ao sistema desenvolvido pelos investigadores que este «é mais um apoio e mais conhecimento que vem, porque vamos receber conhecimentos passados por eles para tentarmos pôr na prática e isso é muito válido, é muito esperado e espero que consigam o mais breve possível».

 As potencialidades do trabalho de investigação dos dois licenciados em engenharia biomédica despertaram o interesse das empresas Meditor e da SportTools.

 Carlos Antunes, Gerente da empresa Meditor explica que «avaliámos este projeto de uma forma muito prática, observando se é interessante para a criação de novos produtos dentro da área médica e da área de desporto» e «achámos muito interessante e o nosso objetivo é dar o apoio e fazer a aproximação deste projeto ao produto final e um produto aplicado na indústria médica e na indústria para desporto».

 Por seu lado, Maria Costa Neves, Administradora SportTools adianta que «neste projeto contribuímos com o apoio ao desenvolvimento do software e nas ligações e contactos entre as várias entidades que conhecemos e no fundo focar neste tipo de desenvolvimento de software específico».

 A SportTools está já a ver outras potencialidades do sistema com integração de outros dados. «Este software capta os dados, mas queremos desenvolver mais do que isso», afirma Maria Costa Neves e adianta que «queremos conjugar os dados que são provenientes de dados fisiológicos e integrá-los com outros dados, como por exemplo, dados de vídeos. Conjugar e sincronizar os vários sinais, os vários tipos de observação».

 Este é um dos exemplos, de que a partir da formação de qualidade, baseada nos politécnicos, pode ser gerada investigação e produtos inovadores. E neste caso conduzir à conquista de novas medalhas de ouro para Portugal nos próximos jogos paralímpicos.




IN  http://www.tvciencia.pt/tvcnot/pagnot/tvcnot03.asp?codpub=34&codnot=86 (http://www.tvciencia.pt/tvcnot/pagnot/tvcnot03.asp?codpub=34&codnot=86)