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Autor Tópico: Como a cadeira de rodas abriu o mundo a milhões de pessoas.  (Lida 427 vezes)

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Como a cadeira de rodas abriu o mundo a milhões de pessoas.
Da cadeira de Merlin às sofisticadas cadeiras de rodas do século XXI, os avanços tecnológicos revolucionaram a maneira como as pessoas as usam e percepcionam a deficiência.
Actualizado a 24 de Julho de 2023, 20:06

JIM RICHARDSON, NAT GEO IMAGE COLLECTION

Cadeira de rodas de madeira e vime (de design antigo), fotografada num quarto de hospital em Saint Remy, em França. As primeiras cadeiras de rodas eram mais desajeitadas do que as cadeiras elegantes da actualidade, que permitem aos utilizadores viver de forma independente e participar em todos os aspectos da vida, desde desportos a viagens.


A cidade de Bath, em Inglaterra, não era apenas o palco dos romances e mexericos retratados nas obras de Jane Austen – era um espaço de liberdade para as pessoas com mobilidade reduzida que procuravam as águas regeneradoras das suas termas romanas.

Estes turistas chegavam frequentemente numa “cadeira de inválido” ou “cadeira de Merlin” – uma predecessora da cadeira de rodas. Estes veículos revolucionários davam-lhes liberdade para participar na famosa vida social da cidade, geralmente com a ajuda de criados que os empurravam nas suas deslocações.

Mas embora oferecessem uma mobilidade sem precedentes, estas cadeiras de madeira e vime eram consideradas um sinal de invalidez e dependência – e não poderiam ser mais diferentes das cadeiras de rodas contemporâneas, que oferecem ainda mais formas de locomoção. Como é que as cadeiras de rodas evoluíram de desajeitadas para fáceis de usar? Os responsáveis por esta mudança foram os seus próprios utilizadores.


‘CADEIRAS DE MERLIN’ E OUTRAS CADEIRAS DE RODAS PRIMITIVAS
Os assentos com rodas existem desde a invenção da roda, mas estes dispositivos demoraram séculos a tornaram-se populares entre as massas. Inicialmente, as pessoas com problemas de mobilidade eram empurradas com o auxílio de dispositivos semelhantes a carrinhos de rodas ou móveis com rodas, que eram empurrados por assistentes médicos ou criados. Quando Filipe II de Espanha, que padecia de gota e artrite, encomendou uma cadeira com rodas no final do século XVI, esta tornou-se conhecida como “cadeira de inválido”.


A primeira cadeira de rodas automotriz só apareceu em 1655. Stephan Farffler, um fabricante de relógios que perdeu o uso das pernas num acidente de infância, criou o dispositivo para poder deslocar-se de e para a igreja em Nuremberga, na Alemanha. A sua invenção assemelhava-se a uma bicicleta reclinada e dispunha de uma manivela manual para ele se deslocar sozinho. Actualmente, é considerada um precursor do triciclo, mas, na altura, a singular invenção foi um vislumbre dos potenciais usos dos veículos com rodas automotrizes.

O design de Farffler impulsionou a tecnologia das cadeiras de rodas e alguns inventores criaram dispositivos semelhantes. Um deles, o empresário belga John Joseph Merlin, desenvolveu uma “cadeira gotosa” que recorria a mudanças e manivelas para deslocar os seus utilizadores. O design tornou-se tão popular que as cadeiras de rodas foram denominadas “cadeiras de Merlin” durante mais de um século.

Apesar disso, até estas primeiras cadeiras de rodas eram maioritariamente utilizadas por pessoas abastadas com criados que as empurrassem. Tal deve-se ao facto de serem difíceis de produzir e de manobrar, pesadas e quase completamente ineficazes no exterior – assemelhavam-se mais a peças mobiliário de interior do a que dispositivos de assistência. Nas palavras de Elizabeth Guffey, historiadora da arte e da deficiência, “era uma cadeira delicada para pessoas delicadas”.


A PRIMEIRA CADEIRA DE RODAS PRODUZIDA EM MASSA
As cadeiras de rodas tornaram-se mais omnipresentes à medida que os anos foram passando, sobretudo no rescaldo da Guerra Civil dos EUA e entre as duas Grandes Guerras, que deixaram centenas de milhares de veteranos com mobilidade reduzida. Contudo, as cadeiras de rodas eram consideradas dispositivos médicos e não acessórios que possibilitavam uma vida independente, em parte devido ao seu tamanho e custo.


SHUTTERSTOCK
Uma cadeira de rodas da companhia britânica Richards dos anos 1930, originalmente fornecida pela Halfords, numa exposição vintage no Gwili Railway, Bronwydd Arms, Carmarthenshire, País de Gales, Reino Unido.

Na década de 1930, Herbert Everest, um engenheiro de minas paralisado, queixou-se do peso da sua cadeira de rodas a outro engenheiro, Henry Jennings. Juntos, na garagem de Jennings, em Los Angeles, criaram uma cadeira de rodas dobrável com metade do peso e que custava muito menos dinheiro a produzir. Esta viria a ser a primeira cadeira de rodas produzida em massa – e o design mais popular da sua época. De repente, os utilizadores de cadeira de rodas conseguiam deslocar-se sozinhos no exterior, entrar e sair de carros e ir onde quisessem com pouca ou nenhuma ajuda.

Ironicamente, porém, este avanço abrandou o desenvolvimento das cadeiras de rodas durante décadas devido ao monopólio dos investigadores sobre o design dobrável e às atitudes prevalecentes sobre a deficiência, que sugeriam que os utilizadores de cadeiras de rodas precisavam de ser protegidos do mundo. Até os profissionais médicos levantavam objecções a designs alternativos que enfatizavam a independência do utilizador.

“Talvez [os profissionais médicos] achassem que a sua opinião era a mais correcta”, afirma Nicholas Watson, professor de estudos de deficiência e director do Centre for Disability Research da Universidade de Glasgow.

CADEIRAS DE RODAS FEITAS PARA – E PELOS – OS UTILIZADORES
O uso de cadeiras de rodas disparou com a pandemia da poliomielite na década de 1940 e o crescente impacto do armamento contemporâneo – bem como o desenvolvimento de antibióticos, que permitiu que mais pessoas sobrevivessem a lesões na medula espinal, diz Watson.

Mais uma vez, uma nova geração de utilizadores de cadeira de rodas exigiu mais – e acabou por revolucionar o uso e significado das cadeiras de rodas. Algumas pessoas não estavam satisfeitas com poderem simplesmente sentar-se nas cadeiras – também queriam brincar com elas. A partir da década de 1960, atletas com deficiência em busca de um melhor desempenho atlético com as suas cadeiras de rodas começaram a modificá-las para as tornar mais leves e fáceis de usar.


E o crescente movimento dos direitos das pessoas com deficiência fez com que os utilizadores de cadeiras de rodas exigissem cadeiras ainda melhores. “Quando olhamos para uma pessoa com deficiência, a cadeira de rodas é a característica mais visível e elas tendem a esquecer-se de que são uma pessoa”, disse a atleta Marilyn Hamilton, que perdeu o uso das suas pernas após um acidente de parapente, ao Los Angeles Times em 1982.

Hamilton foi um dos atletas que impulsionou a criação de melhores cadeiras de rodas – ou fabricaram as suas. Os atletas diminuíram o peso das cadeiras removendo as pegas que os outros usavam para empurrá-las – uma declaração de independência e uma forma de torná-las mais leves. Em seguida, começaram a modificar as rodas, aumentando a velocidade e a capacidade de manobra com modificações que contrariavam os designs concebidos para “proteger” os utilizadores do mundo exterior.

Por fim, escreve Watson, os atletas com cadeiras de rodas começaram a fabricar as suas próprias cadeiras. Nas décadas de 1970 e 1980, cadeiras de rodas com nomes como Quadra e Quickie estavam a mudar a forma como os utilizadores experienciavam o mundo em seu redor, dando-lhes um acesso sem precedentes a espaços interiores e exteriores.

“As nossas cadeiras são tão esteticamente agradáveis que ajudam a eliminar as barreiras entre pessoas com capacidades diferentes”, disse Hamilton, que ajudou a desenhar a Quickie, uma cadeira de rodas ultra-leve. “É um bem fantástico para as pessoas com deficiência”.

Entretanto as cadeiras de rodas motorizadas, surgidas no Canadá na década de 1950, foram ficando cada vez mais disponíveis, permitindo que as pessoas com mobilidade reduzida dos braços também pudessem utilizá-las.

O LEGADO DAS INOVAÇÕES NAS CADEIRAS DE RODAS
Estas cadeiras mais leves e manobráveis não mudaram apenas a vida quotidiana das pessoas que as utilizavam – mudaram também a sua percepção de si próprias. A história do desenvolvimento das cadeiras de rodas “mostra as pessoas com deficiência como agentes activos que controlam as suas próprias vidas”, diz Watson — vidas que adquiriram maior mobilidade e independência.

O que se segue em termos de design de cadeira de rodas? Watson prevê que a inteligência artificial seja cada vez mais utilizada na sua navegação. Também há engenheiros a trabalhar em formas de prevenir quedas perigosas através do uso de tecnologias como radares e câmaras. Actualmente, tudo, desde cadeiras onde as pessoas podem deslocar-se em pé ou sentadas a design de jantes personalizadas ou rodas feitas por medida, vai ao encontro das necessidades individuais do utilizador, acrescentando um toque especial ao seu veículo.

Até onde irão as cadeiras de rodas levar os seus utilizadores? A resposta é apenas uma questão de tempo, tecnologia e crença nas capacidades inerentes de quem as usa.

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

Retirado de: https://www.nationalgeographic.pt/historia/como-cadeira-rodas-abriu-mundo-milhoes-pessoas_4015
 

 



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