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Autor Tópico: “São precisos bons braços, mas acima de tudo muita vontade”  (Lida 1157 vezes)

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“São precisos bons braços, mas acima de tudo muita vontade”

Jorge Miguel Matias

07/03/2016 - 10:15

Daqui a seis meses arrancam, no Rio de Janeiro, os Jogos Paralímpicos. Luís Costa é um dos atletas portugueses que lá estará. No caso dele, pela primeira vez, mas com a ambição que o colocou na elite do ciclismo adaptado em pouco mais de um ano.


Luís Costa em cima da sua handbike
Vasco Célio


Amputado de uma perna, Luís Costa é um exemplo de que ser portador de uma deficiência não é impeditivo de nada. Há dois anos entrou no mundo do paraciclismo, na modalidade de handbike (bicicletas adaptadas movidas não pelas pernas mas pelos braços) muito por culpa do exemplo do antigo piloto de Fórmula 1, Alessandro Zanardi. 9.º na Taça do Mundo, 7.º no ranking mundial e na prova de contra-relógio do Campeonato do Mundo, 8.º na corrida de fundo, Luís Costa já tem lugar assegurado nos Jogos Paralímpicos, competição em que o país tem tradição. Desde a primeira participação lusa (1972), já vieram para Portugal 88 medalhas. A última edição, em Londres, contribuiu com três. E Luís Costa vai ao Rio com a vontade de ajudar a somar mais uma.

Em 2003 teve um acidente de viação, que lhe provocou a amputação de uma perna, no dia em que completou 30 anos. O que lhe passou pela cabeça nessa altura?
Bem, houve aquele momento de revolta inicial quando tomei conhecimento de que ia ficar sem a perna. Porque logo no momento do acidente não tive noção, pois fiquei em coma. Só uma semana depois é que decidiram cortar, porque não havia solução. E houve aquela revolta inicial… O que é que me aconteceu, como é que isto foi, isto não me pode ser... Depois dei a volta por cima muito rapidamente. Não fiz aquela travessia do deserto e em questão de dias levantei a cabeça e fomos para a frente. Passado um mês saí do hospital e estava pronto a adaptar-me à vida cá fora. Claro que há sempre momentos em que sofremos recaídas, quando as coisas não correm como queremos, as dificuldades iniciais são muitas, mas de um modo geral ultrapassei isso bem.

Só começou no paraciclismo dez anos depois, em 2013. Porquê esta demora?
Foi por desconhecimento. Não foi por falta de fazer desporto. Quando saí do hospital, no dia seguinte estava no ginásio a treinar, com um colar cervical e só com uma perna. E continuei a fazer desporto, mas basicamente ginásio. Como é lógico, as limitações de ter só uma perna não nos deixa fazer muita coisa. Pelo menos até termos conhecimento de que existem coisas que se podem fazer. E só comecei em 2013 porque, em 2012, houve os Jogos Paralímpicos em Londres e por causa da atenção que os media dão ao Alessandro Zannardi, que é o campeão olímpico e mundial da minha classe, começou a aparecer muitas vezes na televisão. E pensei, ‘olha aí está uma coisa que podia fazer’. E comecei a pesquisar, que tipo de veículo era aquele como é que o podia adquirir e quando dei por isso, passado uns meses, estava a começar a andar com um e rapidamente estava a competir. Comecei em Março de 2013 e em Junho estava a competir, precisamente com o Alessandro Zannardi.

Foi o italiano Zannardi que o despertou para a modalidade?
Sim, foi a importância e a atenção que lhe deram que me influenciou e, aposto, a muitos outros. Ele foi o atleta que provocou esta evolução do paraciclismo.

O que é que é preciso para se ser um bom atleta de handbike? Presumo que bons braços.
Sim, bons braços (risos) mas acima de tudo muita vontade. Isto não é fácil. Há muitos obstáculos. Não é apenas o obstáculo da condição física. Há muito sacrifício envolvido. É preciso levantar muito cedo [para treinar], porque ao contrário do que sucede noutros países, em que os atletas com estatuto de alto rendimento como eu tenho têm apoios e conseguem deixar de trabalhar e dedicar-se exclusivamente ao desporto, em Portugal essas condições não existem, não há profissionalismo, somos todos amadores e, logo no início há o primeiro obstáculo que é o preço do material.

O Luís lançou uma campanha de crowdfunding para ajudar na compra de um quadro de carbono para a sua bicicleta, que tem o custo de 12.100 euros…
A campanha é apenas para o quadro, não é para a bicicleta toda, porque tenho material muito caro na bicicleta que utilizo actualmente e que vou aproveitar e passar para esse quadro.

Já conseguiu a verba de que necessita?
Ainda faltam quatro mil euros. Neste momento vou em oito mil euros. Houve umas promessas de dinheiro que, até ao momento, ainda não apareceu e falta uma semana para ter o quadro. Trata-se de um equipamento muito específico, requer um período de adaptação longo, por isso tenho que começar a competir com ela já. Daí esta urgência toda. Vou ter uma primeira prova em Abu Dhabi dia 20 de Março e já vou estreá-la em competição.


Fonte: http://imagens6.publico.pt/imagens.aspx/1035386?tp=UH&db=IMAGENS
 

 



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