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Autor Tópico: Investigadores desenvolvem instrumentos mecânicos que podem substituir tecidos v  (Lida 682 vezes)

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Podemos usar o mesmo compósito na boca, na perna ou numa viagem à lua
Investigadores desenvolvem instrumentos mecânicos que podem substituir tecidos vivos



Quando se fala de biomecânica, as técnicas estavam intrinsecamente ligadas à indústria de aviões, submarinos, pontes ou foguetões. Hoje, a sua introdução na área da saúde está tradicionalmente ligada à Medicina funcional. Esta é uma estratégia que o Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (INEGI) – estrutura com forte ligação à indústria e instituição de interface da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) –, tem desenvolvido ao longo dos últimos dez anos.

“Criar conhecimento nesta área é importante para um dia poder apoiar e resolver problemas que possam surgir”, explicou Mário Vaz, investigador do INEGI-FEUP. Desde dos estudos dos materiais ao dos movimentos, existem ligações muito fortes em duas áreas, especificamente: a ortopedia mecânica e medicina dentária – transferidas de uma para a outra, do lado da biomecânica com soluções biológicas para a reabilitação.


A caracterização externa de forma é uma área bastante explorada no projecto do INEGI, em colaboração com a Faculdade de Medicina Dentária da UP (FMDUP). “É preciso valorizar modelos numéricos para saber se o cálculo está no caminho certo”, por exemplo, procurar uma pancada no dente e saber qual é que gere maior pressão na mandíbula.

Mário Vaz desenvolve trabalho de investigação em conjunto com José Carlos Reis Campos, médico dentista e professor auxiliar da FMDUP. As forças e os movimentos partilham uma estreita relação com a ortopedia, engenharia e a medicina dentária. José Campos assinalou ao «Ciência Hoje» que alguns dos projectos desenvolvidos remetem estruturas de rigidez – onde se efectua a substituição de um dente natural, ou seja, uma estrutura biológica por um material inerte.

Os materiais mais usados actualmente são a cerâmica, titânio e o zircónio e são as estruturas de implantes mais usados em investigação. O caso do zircónio vence por ter uma vantagem estética. Para quem achar estranho associar estes materiais à medicina dentária ou ortopedia, mais inusitado será vê-los num programa da Nasa. Nos revestimentos térmicos das naves usadas para viagens à lua destacam-se a cerâmica e os compósitos.
 

José Carlos Reis Campos, do Conselho Científico da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto


Ortopedia

Em ortopedia, o fixador externo já entrou em desuso. Esta é uma de grande carga biológica quando se pretende fazer um enxerto ou colocar um implante e existe uma forte necessidade de se encontrar extensões biológicas mais próximas.

A população será cada vez mais envelhecida e terá perda de força, mobilidade, necessidade de corrigir fracturas. O INEGI apostou ainda recentemente em programas doutorais centrados na resolução destes problemas da terceira idade, com médicos especialistas. O essencial objectivo é que a biomédica tradicional não ponha em risco a saúde do paciente.

Estes programas gozam da colaboração do Instituto de Biomecânica de Valência (Espanha), considerado uma referência nesta área e as formações contam com profissionais de investigação com forte potencial na indústria.

De momento, “já existe uma base de dados em construção, para saber como é que a topografia plantar (pé) interfere com a marcha, para auxiliar uma empresa que irá criar palmilhas, em São João da Madeira, por exemplo”, disse Mário Vaz. O projecto verifica-se bastante útil para a criação de próteses dos joelhos e tirar proveito em termos industriais.

in cienciahoje.pt
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