Veteranos expostos a bombas desenvolvem doença cerebral
Estudo feito em camundongos mostrou que explosões danificam tecidos do cérebro, descoberta traz implicações para política militar
Cientistas que estudaram uma doença degenerativa do cérebro encontrado em atletas descobriram a mesma condição em veteranos expostos a dispositivos explosivos improvisados plantados em estradas no Iraque e no Afeganistão, concluindo que tais explosões causam lesões cerebrais muito semelhantes àquelas advindas de socos e confrontos esportivos.
Os pesquisadores também descobriram o que acreditam ser um mecanismo pelo qual as explosões danificam os tecidos do cérebro e desencadeiam a chamada encefalopatia traumática crônica, ou CTE, estudando seu efeito em camundongos. Os animais desenvolveram sinais da doença apenas duas semanas após uma única exposição simulada, disseram os pesquisadores.
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"O nosso estudo aponta de forma definitiva que há um problema orgânico e estrutural no cérebro associado com a exposição à explosão", disse o Dr. Lee E. Goldstein da Escola de Medicina da Universidade de Boston e principal autor do estudo, que foi publicado na quarta-feira, dia16 de maio, pela revista Science Translational Medicine.
O estudo é a mais forte evidência de que muitos veteranos com lesões cerebrais causadas por explosões poderão desenvolver doenças neurológicas em longo prazo - uma descoberta que, se confirmada, teria profundas implicações para a política militar, os veteranos e futuras pesquisas.
O estudo poderia ser um ponto de partida para o desenvolvimento de medidas preventivas para lesões cerebrais relacionadas a explosões, bem como terapias de medicamentos e testes diagnósticos para a CTE, uma doença incurável detectada apenas por autópsia.