Estudo pioneiro realizado em Portugal evidencia: 
TRATAMENTO PERCUTÂNEO DA VÁLVULA AÓRTICA REDUZ MORTALIDADE EM DOENTES COM ESTENOSE AÓRTICA GRAVE
O implante percutâneo da válvula aórtica, utilizado no tratamento de doentes cardíacos de alto risco, aumenta a esperança média de vida e reduz o número de hospitalizações, quando comparada com o tratamento farmacológico. Estes são os principais resultados do estudo OPTAR [Tratamento Médico OPtimizado (OP) vs Implante Percutâneo da Válvula Aórtica CoreValve®(TAVI) em doentes portadores de estenose aórtica grave com risco operatório proibitivo – Comparação de, Recursos de Saúde consumidos, custos e resultados], apresentado no Congresso Português de Cardiologia.
O estudo OPTAR é uma avaliação retrospectiva que analisa o impacto económico do implante percutâneo da válvula aórtica CoreValve®, comparativamente com o tratamento médico optimizado (TMO - farmacológico) em pacientes com elevado risco operatório portadores de estenose aórtica grave.
Esta análise, feita em 43 pacientes (67 por cento mulheres e 33 por cento de homens) do Hospital de Santa Cruz em Carnaxide – Um dos centros com maior experiência de TAVI em Portugal –, revela que a taxa de mortalidade em doentes submetidos à TAVI foi substancialmente menor (5 por cento) quando comparada com o grupo TMO (61 por cento), num período médio de seguimento de 11 meses.
Também no que toca aos cuidados de saúde, verifica-se um número muito inferior de hospitalizações nos pacientes do grupo TAVI vs TMO (4 vs 20), nomeadamente de hospitalizações devido insuficiência cardíaca (5 por cento vs 35 por cento respectivamente).
Relativamente à avaliação do custo-efectividade do Implante Percutâneo da Válvula Aórtica vs tratamento médico, foi desenvolvido um modelo de avaliação económica que estimou os resultados em termos económicos e ganhos em saúde num horizonte temporal de dez anos.
Os resultados indicam que o Implante Percutâneo da Válvula Aórtica está associado a um ganho de 1,67 anos e de 1,42 anos de vida ajustados pela qualidade (QALYs) comparativamente ao tratamento médico, permitindo um aumento da esperança média de vida dos doentes submetidos a esta técnica. O rácio de custo-efectividade incremental foi estimado em 16.375€ por ano de vida ganho e 19.180 € por QALY ganho.
De acordo com Rui Campante Teles, Cardiologista de Intervenção Hospital de Santa Cruz e investigador principal do estudo OPTAR, “os resultados obtidos demonstram a importância da técnica percutânea no tratamento dos doentes com estenose aórtica grave. Para além das vantagens evidentes da técnica, que permite uma diminuição dos sintomas e uma recuperação mais rápida, através do estudo OPTAR fica comprovada efectivamente a redução da taxa de mortalidade nestes pacientes e o custo-efectividade de TAVI num período alargado de tempo.” E conclui: “estes resultados extraordinários justificam o debate científico e a atenção das autoridades de saúde, pois podemos diminuir os recursos dispendidos no tratamento da estenose aórtica grave em doentes cardíacos com risco operatório proibitivo.”
O estudo OPTAR foi desenvolvido com o apoio da Medtronic, empresa líder mundial em tecnologia médica, e o modelo económico delineado pela Oxford Outcomes.
Sobre a Estenose Aórtica Grave
Em Portugal, uma em cada 15 pessoas com mais de 80 anos sofre de Estenose Aórtica, uma doença que se caracteriza pelo aperto da válvula aórtica, cuja função é evitar que o sangue bombeado pelo coração volte para trás. Quando existe este estrangulamento o sangue passa com dificuldade, provocando cansaço, dor no peito e desmaios. As melhorias produzidas pelos medicamentos são limitadas e não evitam as complicações mais graves provocadas pela exaustão cardíaca que, após os primeiros sintomas e nos apertos de alto grau, conduz à morte de metade dos doentes nos dois primeiros anos.
O implante percutâneo da válvula aórtica (TAVI) é a solução mais recente para o tratamento da estenose aórtica grave em doentes de alto risco cirúrgico. Esta técnica inovadora permite a implantação da válvula aórtica por um orifício muito pequeno e, através da própria circulação do doente, consegue-se posicionar uma prótese valvular no local da que estava entupida, retomando assim o funcionamento normal do coração. O procedimento demora hora e meia e pode fazer-se quase sem anestesia, sem necessidade de abertura da caixa torácica e com uma recuperação em apenas duas semanas.
Fonte:Youngnetwork