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..:: Deficiente-Forum - Informação ::.. Responsável: Claram => Ciência & Novas Tecnologias => Tópico iniciado por: Claram em 21/10/2014, 16:12
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Investigação de doenças raras é um investimento com retorno
21/10/2014 - 08:39
(http://www.rcmpharma.com/sites/default/files/news/large-thumbs/INVESTIGACAO3_L.jpg)
Foi em 1971 que o microbiologista Akira Endo, do laboratório japonês Sankyo, descobriu que certos fungos também eram capazes de produzir um potente inibidor da produção de colesterol. Akira Endo fazia investigação para um novo antibiótico para uma doença rara e acabara de descobrir a terapêutica das estatinas para o colesterol, "um dos maiores ganhos de sempre na indústria farmacêutica", lembrou Bruno Sepodes. O presidente do Comité dos Medicamentos Órfãos da Agência Europeia do Medicamento falava na conferência do Diário Económico e da P-Bio (Associação Portuguesa de Bioindústria), "A Biotecnologia e a revitalização da Economia", que se realizou na sexta-feira, em Lisboa, avança o Diário Económico.
O investigador lembrou que, de acordo com os parâmetros da União Europeia, uma doença é considerada rara quando afecta cinco em cada dez mil pessoas. Contudo,quis deixar claro que investir na investigação de medicamentos órfãos não é, de todo "caro", como é normalmente dito, uma vez que "estes medicamentos têm por base uma investigação que serve de inovação para outros medicamentos". E deu o exemplo das estatinas para garantir que "a investigação de doenças raras gera, muitas vezes, soluções para patologias comuns", transformando-se em investimento com fácil retorno, já que serão medicamentos muito usados para tratar outras patologias, mesmo que o objectivo inicial não tenha sido esse.
"E este é um conhecimento eterno, já que tem a grande vantagem de associarmos a academia a este tipo de estudos", disse Bruno Sepodes, para referir a necessidade "de envolver cada vez mais os académicos neste tipo de investigações, embora estes tenham ainda de aprender a partilhar as suas conclusões, sem medo que as roubem". Uma questão que foi também salientada pelo vice-presidente da Bluepharma, ao lembrar que a empresa criou uma subsidiária com o objectivo de juntar o meio académico à indústria farmacêutica.
"É preciso deixar de pensar em cientistas e começar a pensar que eles são pessoas que desenvolvem produtos", disse Sérgio Simões, lembrando que "Portugal tem excelentes profissionais, excelentes hospitais, enfermeiros, médicos e até doentes, para fazer investigação e não está a aproveitar esse potencial".
O responsável da Bluepharma deu assim o mote para que Portugal entre no radar da investigação de medicamentos órfãos: "sem boa ciência, não há bons produtos, e nós temos hoje uma ciência de excelência, só precisamos de orientar as univesidades para investigar o que é importante para o País".
Fonte: Diário Económico
http://economico.sapo.pt/noticias/investigacao-de-doencas-raras-e-um-inv... (http://economico.sapo.pt/noticias/investigacao-de-doencas-raras-e-um-investimento-com-retorno_204077.html)
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