A vitória dos portugueses que «consertam» corações partidos
Melhor imagem de investigação em regeneração cardiovascular2011-07-08
Na fotografia vê-se as células iPS (vermelho) e as nanopartículas (verde)Uma equipa de investigadores portugueses recebeu o prémio ‘Mending Broken Hearts’, da British Heart Foundation (BHF), pela melhor imagem de investigação em regeneração cardiovascular.Ao desafio concorreram 2400 investigadores que enviaram os seus melhores trabalhos em fotografia. Mas a distinção foi atribuída a Renata Gomes, Ana Lima e Ricardo Neves, do laboratório de Biomateriais e Células Estaminais do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra e do Biocant, com uma imagem que mostra duas células pluripotentes induzidas (iPS) geradas a partir de células do sangue do cordão umbilical.
“A fotografia pela qual fomos premiados e proveniente do nosso projecto de ‘Stem Cell Tracking’ consistiu no desenvolvimento de nanomateriais, nomeadamente nanopartículas, usadas para marcar células pluripotentes induzidas (iPS) geradas a partir de células do sangue do cordão umbilical”, explica Renata Gomes ao Ciência Hoje.
“Na imagem vêem-se duas destas células, onde o vermelho demonstra que realmente são iPS e o verde as nossas nanopartículas”, descreve.
Segundo a investigadora, a imagem permite “monitorizar não evasivamente células estaminais que correntemente estão a ser transplantadas para tratamento de enfarte do miocárdio”.
A investigação tem um carácter importante no contexto da sociedade actual uma vez que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo ocidental. Em alguns casos, estas doenças podem ser tratadas por transplante do coração ou recorrendo a células estaminais endógenas. Contudo, essas estratégias apresentam várias limitações pela escassez de órgãos para transplante. Daí a aposta no uso de terapias celulares para combater estas condições, “uma alternativa mais viável”, diz Renata Gomes.
A investigação foi desenvolvida nos laboratórios do Professor Lino Ferreira, em Portugal, “numa equipa altamente interdisciplinar que envolveu trabalho de várias pessoas com formação em bioquímica, biologia molecular e celular e até mesmo formação médica”, afirma Renata Gomes.
Ana Lima e Renata Gomes com o prémio da BHFA ideia surgiu “durante trabalhos de investigação de Lino Ferreira no seu tempo como investigador no MIT, Boston. No entanto, ele só decidiu dar continuidade à sua ideia original depois de formar uma equipa em Portugal”.Distinção exclusiva
O prémio ‘Mending Broken Hearts’ “é algo muitíssimo positivo e exclusivo, pois entre mais de 2400 candidatos fomos os felizardos”, revela Renata Gomes. Com a distinção, “não só nos tornamos a cara da campanha e da Fundação Britânica do Coração, um dos maiores financiadores de investigação cardiovascular, como também nos tornamos mais visíveis mundialmente”, explica.
Para a cientista, o galardão reconhece a “perícia e excelência da equipa em modalidades de imagem” e também “fornece a publicidade e divulgação extra” que os investigadores necessitavam para se tornarem “mais visíveis e atractivos”.
Os próximos passos da investigação estão a decorrer actualmente. Renata Gomes está a “fazer testes in vivo na Universidade de Oxford, aplicando as novas tecnologias” que a equipa desenvolveu. “Visionamos, em breve, poder patentear a nossa ideia e dar continuidade a este projecto com várias novas versões e aplicações”, afirma.
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