Tecnologia promete independência a pessoas com deficiência
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Inovações tecnológicas assumem um papel importante e garantem maior qualidade de vida para essa parcela da população.
Publicada em 04 de maio de 2010 - 18:00
Em um país com aproximadamente 24,5 milhões de pessoas com alguma deficiência, segundo o IBGE, as inovações tecnológicas assumem um papel importante e garantem maior qualidade de vida para essa parcela da população. Um software grátis para navegação em computador, um sistema de direção para tetraplégicos, uma cadeira do sexo e um aparelho auditivo adaptável são as últimas novidades da área.
Dois exemplos recentes são o HeadMouse e o Teclado Virtual, desenvolvidos pela Indra, permitem que as pessoas com deficiência mexam no computador com leves movimentos de cabeça e até mesmo com um piscar de olhos. A gerente de comunicação da empresa, Fabiana Rosa, explica como funciona o programa, que é gratuito. “Você faz o download dos softwares, instala no computador e a webcam vai enxergar os movimentos faciais do usuário e permitir que ele conduza o cursor”.
Para ter o sistema, basta possuir um computador e uma webcam. “O deficiente só vai precisar da ajuda de uma pessoa para baixar o aplicativo e clicar pra inicializar a instalação. A partir daí, ele tem total autonomia”, disse Fabiana.
Essa independência também pode ser alcançada pelos tetraplégicos. Um novo sistema de direção permite que as pessoas com deficiência com pouquíssimos movimentos de braço e nenhum de perna dirijam. O instalador Eduardo Aparecido, da Cavenaghi, empresa que desenvolve a adaptação, explica: “A pessoa consegue dar seta por meio de botões instalados no banco. A partida do carro e o freio de mão também são acionados por meio de um botão”. O tetraplégico ainda pode movimentar o volante encaixando o punho em uma espécie de alça.
Esse lançamento pode ser usado junto a uma cadeira especial para os deficientes, que já existe há três anos no Brasil. Com ela, é possível sair do carro e ser transportado para a cadeira de rodas, sem precisar de auxílio.
Maria Luiza Cury, 63, paraplégica, comprou a cadeira, chamada de “Chair Topper”. “A pessoa não vai precisar me levantar da cadeira para me colocar no banco. Esse já faz tudo direto”, comemora.
Mas o preço dessas novidades nem sempre é acessível a todos. Maria Luiza pagou R$ 22 mil no aparelho e espera que, com o tempo, esse cenário mude. “Acho que tende a diminuir por causa da concorrência. Hoje só uma empresa faz isso, pode ser que amanhã duas ou três também façam o mesmo equipamento.”
Intimidade
Não é só possibilitando o acesso ao computador e a automóveis que a tecnologia se destaca. Esses avanços também contribuem para melhorar a vida sexual dos deficientes. Um conjunto, formado por uma cadeira e uma pequena cama, chamado de Intimate Rider, minimiza o esforço do deficiente no momento do sexo.
O cadeirante João Antônio Pontes descobriu a novidade na internet e conta porque decidiu trazer para o Brasil. “A pessoa que tem uma lesão não tem movimento de tronco e de quadril, então, na hora do amor, dificulta muito para satisfazer a parceira. Ela trabalha mais do que nós, isso a deixa cansada e, com o tempo, até desanimada”.
Pontes já testou o equipamento e aprovou o resultado. Segundo ele, a cadeira se movimenta praticamente sozinha. “Ela parece uma cadeira de balanço. O cadeirante senta na cadeira, apoia as pernas no chão e, sem esforço nenhum, a movimenta. A parceira fica na cama que vem junto, em que ela se adapta da maneira que preferir”.
Deficiência auditiva
As pessoas com problema de audição também terão, a partir de junho, um novo aparelho auditivo – o Fuse, do Grupo Microsom. O grande diferencial do produto é que o paciente não precisa fazer uma pré-moldagem antes de usar o equipamento.
A fonoaudióloga da empresa, Patrícia De Rissio, explica por que o Fuse permite essa facilidade. “Ele tem um formato universal e a ponta dele é flexível. Essa flexibilidade faz com que o aparelho se adapte aos diferentes formatos de conduta auditiva, que é justamente o canal da orelha que leva a informação sonora”.
Os aparelhos sem essa tecnologia costumam levar uma semana para ficar prontos. Mas Patrícia garante que esse tempo deixa os pacientes frustrados. “A gente tem visto que a pessoa às vezes demora anos para admitir essa deficiência e procurar um médico. Para nós, uma semana não é nada, mas para ele, que está ansioso e até mesmo receoso, é um tempo considerável”.
Segundo a fonoaudióloga, o Fuse ainda não tem preço definido, mas será categorizado como um aparelho intermediário, com valor que deve ficar no meio da faixa que vai de R$ 2 mil e R$ 9 mil.
O equipamento também conta com um programa automático de adaptação ao ambiente, já encontrado em outros aparelhos auditivos. O classificador sonoro analisa o local e diminui ou aumenta o ruído existente automaticamente, para permitir que a pessoa entenda tudo que está a sua volta.
Saiba onde encontrar os produtos:
HeadMouse e Teclado Virtual
Indra – r. Alexandre Dumas, 2200, 6º andar, São Paulo. Tel: 5186-3000
www.tecnologiasaccesibles.com
Adaptação de veículos
Cavenaghi - http://www.cavenaghi.com.br/
Intimate Rider – Cadeira do sexo
João Pontes – joão_pontes@globo.com. Tel: (13) 7802-8973
Fuse – Aparelho auditivo
Grupo Microsom – http://www.microsom.com.br/ Tel: 0800-11-64-91
Fonte: Vida mais livre