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..:: Deficiente-Forum - Informação ::.. Responsável: Claram => Ciência & Novas Tecnologias => Tópico iniciado por: migel em 16/05/2011, 22:24
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XII Reunião da Sociedade Portuguesa de Neurociências
(http://www.cienciahoje.pt/files/49/49060.jpg)
A Reunião da Sociedade Portuguesa de Neurociências (SPN) acontece de dois em dois anos e a XII edição vai ser realizada em Lisboa, no Instituto de Medicina Molecular (IMM). O evento, organizado pelo investigador e subdirector do Ciência Hoje (CH) Tiago Outeiro, juntamente com Domingos Henrique e Luísa Lopes, do IMM, procura reunir a comunidade de neurocientistas portugueses para que troque ideias e conheça os trabalhos que estão a ser realizados na área.
O programa inclui sessões em que participam convidados estrangeiros, alguns nomes das neurociências portuguesas, de várias universidades, e alguns dos investigadores da Fundação Champalimaud. Há ainda a particularidade de uma sessão onde serão envolvidos clínicos que trabalham em áreas relacionadas com o estudo do cérebro e que pretendem estabelecer uma ligação entre a investigação básica e clínica.
Neurociências a crescer
Segundo Tiago Outeiro, “a comunidade de neurocientistas já é bastante grande” e o feedback das Reuniões da SPN “tem sido positivo”. O investigador e subdirector do CH espera que a edição deste ano “venha registar a evolução da qualidade do trabalho e do número de pessoa a participar”. Até agora, já estão “mais pessoas inscritas que nas edições anteriores, isto é um sinal de que as neurociências em Portugal continuam a crescer”, refere. A Reunião está dividida em simpósios, um sobre Neurodesenvolvimento, área importante em que agora se começa a perceber um pouco melhor de que forma é que o sistema nervoso se desenvolve; um sobre estratégias clínicas, doença de Alzheimer e doença de Parkinson; um sobre Neurociências Funcionais, onde será abordado o papel da função do sistema nervoso, como é modelado, de que forma é que os circuitos neuronais se adaptam em condições diferentes; e outro será sobre Redes Neuronais. O último dia ficou reservado para um simpósio sobre Neurodegeneração, e para outro onde se vão abordar os mecanismos moleculares envolvidos em doenças como Alzheimer, Parkinson e Huntington.
Vai também haver espaço para sessões de posters. Este ano a Reunião conta com 150 posters apresentados por neurocientistas portugueses. Os eventos sociais não serão esquecidos. O programa inclui alguns jantares em ambientes mais informais para permitir a troca de contactos e experiências.As inscrições para a XII Reunião da SPN podem ser feitas no site até ao último dia ou mesmo no local no próprio dia. Neste momento já estão 220 pessoas inscritas, o limite do número de inscrições é a capacidade da sala, que ronda as 400.
Chegar mais longe
Tiago Fleming Outeiro é investigador principal do IMM e coordena um grupo de estudo sobre os mecanismos moleculares associados com doenças neurodegenerativas como Parkinson, Alzheimer e Huntington, três doenças importantes porque afectam números muito grandes de pessoas. No País, segundo o cientista, “ao todo existem já cem mil pessoas só com Alzheimer e Parkinson e é um número que vai continuar a crescer porque a população portuguesa está a envelhecer”.
Um convite para um laboratório europeu fez o investigador sair do País, onde esteve nos últimos quatro anos. Tiago Outeiro está, neste momento, na Alemanha onde estabelece um grupo de investigação, semelhante ao que já existe em Lisboa, na mesma área das doenças neurodegenerativas. Mas o cientista vai manter a relação com Portugal e com o IMM, procurando utilizar os recursos de ambos países para chegar mais longe.
Em relação aos últimos avanços na área que estuda, Tiago Outeiro refere ao CH que “aquilo que se pensava serem as espécies tóxicas responsáveis pela morte dos neurónios na doença de Parkinson e Alzheimer podem afinal ser outros tipos de espécies mais pequenas. Isto é muito importante porque nos dá ideias sobre o que devemos tentar atacar quando tentamos desenvolver novas estratégias terapêuticas. Nos próximos anos espera-se que estes resultados de agora e de outros grupos de todo mundo possam permitir outro tipo de terapêuticas que sejam mais eficazes, porque neste momento não existe nada que seja eficaz em travar a progressão das doenças ou o seu aparecimento”.
Ciência hoje