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Autor Tópico: Muito além de Luciana  (Lida 4484 vezes)

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Online migel

Muito além de Luciana
« em: 14/03/2010, 00:30 »
 
Eduardo Jorge

Muito além de Luciana
Publicado em 10 de março de 2010

Foi com algum entusiasmo e curiosidade que esperei que a novela “Viver a Vida”, da Rede Globo, chegasse a Portugal. Tudo porque lia e ouvia, vindos do Brasil, comentários muito abonatórios sobre a personagem tetraplégica, a Luciana.
 
Chegou a novela, comecei a segui-la e meu entusiasmo se transformou em desilusão. Não pela Alinne Morais, atriz que interpreta a personagem Luciana. Mas sim pelo que o autor reservou à Luciana.
 
Gostaria que Luciana fosse mais uma tetraplégica no meio de tantos outros. Com mesmas dificuldades, angústias, sujeita a discriminações, injustiças e abandono como todos nós. Mas aparece uma personagem rica, mimada e com direito a tudo.
 
Seria interessante e mais útil para todos nós que a personagem fosse oriunda de uma classe social predominante entre tetraplégicos e não de uma classe social alta, como é o caso. Não que não existam Lucianas ricas, mas não são a maioria e, sendo de uma classe de grande poder de compra, ela terá tudo com facilidade e não se notarão as dificuldades que todos nós passamos.
 
Qual é o ‘tetra’ que logo no hospital tem médicos praticamente privativos e com aquela disponibilidade toda? Nem no melhor dos privados isso acontece. Seria mais útil mostrar ao país inteiro, principalmente aos governantes, a realidade das coisas. Principalmente sendo a televisão e novela da Globo um excelente veículo de informação e único para muita gente.
 
Mas, o que faltou?
 
Não entendi porque um autor tão conceituado e que sempre nos habitou a papéis tão reais e susceptíveis de discussões públicas nas suas novelas, cria agora um com tão pouca realidade.
 
•Deveria ser mostrado como são realmente tratados tetraplégicos em um hospital público;
•Como se adquire uma cadeira de rodas e outros equipamentos necessários;
•Quais modelos são aconselhados;
•Que ajuda é prestada para um banho, por exemplo;
•Qual colchão e cama são recomendados (e não uma cama que atende ao que falamos a ela);
•Como e onde se adquire as adaptações que ela usa e qual a ajuda que o governo oferece;
•E se o governo ajuda, como se ultrapassa a burocracia;
•Antes da alta hospitalar há alguma preocupação por parte do governo em tornar acessível a casa onde se vai morar?;
•Qual vai ser o valor da pensão mensal que governo atribui a essa pessoa acidentada mensalmente e se atribui;
•Se esse tetraplégico dependente não tiver ninguém que o possa auxiliar em casa, após o acidente, onde ele pode se internar e em que condições (provavelmente é despejado e esquecido numa casa de repouso qualquer);
•Medicamentos e fisioterapia. Como consegui-los adequadamente?;
•Sua vida nas ruas com todos as dificuldades em relação a acessibilidade;
•Em relação à saúde, educar-nos como prevenir úlceras de pressão, infecções urinárias e outras complicações etc.
 
Estes eram alguns dos assuntos que eu, ansiosamente, esperava que fossem abordados da novela.
 
Do contrário, aparece uma personagem rica e mimada que em nada espelha a nossa realidade. Aqueles gritos ofensivos com que ela se dirigia às pessoas que tanto a amavam no início da novela, davam cabo da minha paciência... Porventura, era a maneira de autor mostrar como ele interpreta a nossa revolta inicial após o trauma.
 
Para já não destacar comportamentos muito diferentes dos da maioria dos tetraplégicos, fico aflito, por exemplo, ao ver Luciana andar com aquelas mãos fechadas, já que o habitual seria usar talas que são feitas sob medida e servem para corrigir futuras deformações.
 
Só faltava autor, por milagre, fazer Luciana começar a andar…
 
Só digo mal? Não. Também tenho elogios. Um deles é a continuação dos amores e desamores da personagem. Outro é usarem a personagem em iniciativas como o caso do projeto Praia Para Todos, como também a visibilidade e inlcusão das pessoas com deficiência à sociedade.

Publicado em 11 de fevereiro de 2010

Em 1991, no auge da minha existência, tive um acidente de carro durante meu horário de trabalho, que me atirou para uma cadeira de rodas e me deixou quase totalmente dependente de terceiros.
 
Depois de um ano de recuperação em vários hospitais, clínicas e centros de reabilitação, consegui recuperar alguns movimentos nos braços, punho e mãos. No caso das mãos, nunca recuperei os ditos movimentos finos. Não controlo meus dedos por exemplo.
 
A partir daí, passaram a se referir a mim como deficiente, inválido, diferente, com mobilidade reduzida, paralítico, dependente, com necessidades especiais e de acordo com os critérios da A.S.I.A (American Spinal Injury Association) utilizados de forma generalizada em todo o mundo, sou portador de uma lesão medular traumática completa ao nível do pescoço/cervical C6 e C7 que resultou numa tetraplegia. Tetraplégico é a referência mais utilizada.
 
Admito que gosto mais de uns nomes que de outros, mas convivo bem com todos eles.
 
Quanto a mim, me apresento com enorme prazer a todos vocês como Eduardo Jorge, um português com defeitos e virtudes e igual a tantos outros seres humanos que habitam este planeta.
 
E que a partir de agora os convida de coração para nos encontrarmos muito mais vezes neste mesmo lugar, para juntos continuarmos a nos conhecer cada vez melhor e, se possível, criar um ponto de encontro em que a troca de conhecimento, experiências e conversas sejam sempre algo valioso para acrescentaremos aos nossos dias.

Fonte: Vida mais livre
 

 



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