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..:: Deficiente-Forum - Mundo Animal : Responsável: Nandito => Comportamento => Tópico iniciado por: Nandito em 28/07/2025, 16:04

Título: 42% das Gorilas fêmeas desafiam a chefia e sabem quando vale a pena entrar numa boa briga
Enviado por: Nandito em 28/07/2025, 16:04
42% das Gorilas fêmeas desafiam a chefia e sabem quando vale a pena entrar numa boa briga

Sustentix
Ambiente 28 de Julho, 2025


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Fonte de imagem: sustentix.sapo.pt

Os animais podem adaptar a direção da agressão a rivais mais ou menos poderosos para atender às suas necessidades individuais e contextos sociais

Um grupo de cientistas observou atentamente 31 gorilas fêmeas selvagens para perceber melhor o que as leva a mostrar os dentes – literalmente. No estudo participaram um grupo de gorilas ocidentais no Gabão, na África Central, e quatro grupos de gorilas da montanha em Uganda, na África Oriental.

Observadores treinados registraram comportamentos usados para inferir hierarquias entre gorilas fêmeas, como evitação decidida (afastar-se de um indivíduo que se aproxima), e atribuíram a cada gorila fêmea uma classificação na hierarquia.

Os observadores também registraram interações agressivas entre fêmeas adultas e atribuíram uma pontuação a cada uma dessas interações para quantificar a direção da agressão e se ela era direcionada a indivíduos classificados como mais ou menos poderosos, de acordo com a relação de classificação agressor-receptor.

Após analisar 6.871 interações agressivas, a conclusão foi clara: as gorilas não andam por aí às lutas sem pensar. Quando decidem ser agressivas, é porque estão a fazer contas aos seus interesses, necessidades e ao contexto social à volta.

Em grupos de animais que vivem juntos, como os gorilas, há sempre luta por recursos – comida, espaço, parceiros… E, claro, isso dá origem a hierarquias. Normalmente, quem está no topo da cadeia manda nos de baixo e usa a agressividade para reforçar a posição.

Neste estudo, os investigadores descobriram que a maior parte da agressão era direcionada de indivíduos de posição mais alta para indivíduos de posição mais baixa. Isso é consistente com a hipótese do uso da agressão para reforçar o seu status, mas… nem sempre a chefia leva a melhor! E as estatísticas encontradas mudaram completamente as regras do jogo.

Neste estudo, liderado por Nikos Smit (do Instituto Max Planck e da Universidade de Turku), viu-se que 42% das agressões vinham de gorilas de estatuto mais baixo e eram dirigidas às chefes do grupo. Ou seja, quase metade das vezes, as “subordinadas” é que puxavam da garra. Mais do que se vê noutras espécies.


(https://sustentix.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/07/gorilla-with-baby-in-lush-greenery-2025-02-10-07-16-32-utc-1-1.jpg)
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Mais fome igual a mais atrevimento

O estudo mostrou também que as gorilas grávidas e lactantes são mais agressivas. Faz sentido: têm mais fome, mais energia para gastar, e portanto mais vontade de competir por recursos. Mas há nuances — apesar de as fêmeas a amamentar terem provavelmente ainda mais necessidades energéticas do que as grávidas, são um bocadinho mais cautelosas. A ideia é simples: têm uma cria pequenina para proteger e não podem andar por aí a arranjar confusão com as mais poderosas.

A força do grupo (ou o tamanho dele)

Outro dado curioso: quando havia mais machos no grupo, as gorilas fêmeas ganhavam coragem e até desafiavam as de maior estatuto. Talvez sentissem que tinham proteção extra, tipo “se der para o torto, os machos ajudam-me”. Já quando o grupo era dominado por fêmeas, a estratégia mudava – aí, preferiam descarregar em quem era mais fraco. Uma espécie de jogada segura.

Moral da história

“A agressividade tende a aumentar quando as necessidades são maiores ou os recursos escassos. Mas não é ao acaso — as gorilas analisam bem a situação antes de agir”, diz Martha Robbins, investigadora sénior do estudo. Em suma, estas fêmeas sabem bem quando vale a pena correr riscos… e quando mais vale ficar quieta.

No fundo, são como os humanos: às vezes enfrentam o chefe se realmente chegarem ao limite ou em desespero de causa, mas normalmente aguentam o barco e as discussões mais acesas dão-se entre quem está mais ou menos ao mesmo nível hierárquico.



Estudo aqui https://elifesciences.org/reviewed-preprints/107093v2






Fonte: sustentix.sapo.pt                       Link: https://sustentix.sapo.pt/42-das-gorilas-femeas-desafiam-a-chefia-e-sabem-quando-vale-a-pena-entrar-numa-boa-briga/?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques