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Autor Tópico: Porque desapareceram os tigres dentes de sabre?  (Lida 250 vezes)

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Porque desapareceram os tigres dentes de sabre?

Sustentix
Estudo 29 de Agosto, 2025



Foto:Felipe Capoccia/UNICAMP

Estudos da UNICAMP mostram como a dinâmica entre grandes felinos e herbívoros contribuiu para a extinção dos tigres-dente-de-sabre e a redução drástica dos antilocápridos na América do Norte

A extinção dos tigres-dente-de-sabre – esses impressionantes felinos de caninos alongados que povoam a nossa imaginação – pode não ter sido apenas consequência das grandes mudanças climáticas do final da última Era do Gelo, como se pensava até agora. Novas investigações conduzidas por investigadores da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), no Brasil, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), revelam que o processo começou muito antes e esteve fortemente ligado à redução da diversidade de presas ao longo de milhões de anos.

Os dois estudos, publicados nas revistas científicas Journal of Evolutionary Biology e Evolution, analisaram milhões de anos de fósseis, variações climáticas e interações entre espécies de predadores e herbívoros, permitindo uma nova leitura sobre os factores evolutivos que moldaram a biodiversidade.

Extinção gradual dos tigres-dente-de-sabre

Segundo João Nascimento, autor principal dos estudos, a extinção dos tigres-dente-de-sabre não foi um evento isolado ocorrido no final do Pleistoceno (entre 50.000 e 11.000 anos atrás), mas sim um processo que se arrastou ao longo de milhões de anos. A pesquisa identificou que as fases em que menos espécies de presas estavam disponíveis coincidiram frequentemente com quedas na diversidade destes grandes felinos.

A origem dos tigres-dente-de-sabre remonta a cerca de 14 milhões de anos na Eurásia e 12 milhões na América do Norte. Durante parte da sua história, até oito espécies coexistiram. No entanto, por volta dos 6 milhões de anos atrás, a diversidade começou a diminuir, coincidindo com alterações ambientais que tornaram os climas mais secos e as paisagens mais abertas. Com a redução das florestas, diminuíram também os herbívoros dependentes de folhas – as presas preferidas destes felinos.

Embora não tenha sido identificada uma ligação direta entre o clima e o desaparecimento dos tigres, os investigadores apontam para uma consequência indireta: a mudança nos ecossistemas levou à redução de presas específicas, afetando a sobrevivência dos predadores especializados.

No segundo estudo, os investigadores observaram o fenómeno inverso: o aumento na diversidade de predadores coincidiu com a diminuição da diversidade de um grupo de herbívoros – os antilocápridos. Este grupo, hoje representado apenas pela Antilocapra americana (o chamado “antílope americano”), já foi muito mais variado.


antilocaprinae-e-merycodontinae. Illustration: Felipe Capoccia/UNICAMP). Crédito via Creative Commons (CC-BY-NC-ND)

Duas subfamílias são destacadas: os Merycodontinae, com dieta baseada em folhas e habitats florestais, extinguiram-se há cerca de 6 milhões de anos, numa altura em que surgiam os primeiros elefantes no continente americano – os proboscídeos – que competiam pelos mesmos ambientes. Já os Antilocaprinae, especializados em pastagem, resistiram durante mais tempo, mas também começaram a declinar à medida que crescia a diversidade de felinos predadores, como o guepardo americano (Miracinonyx), adaptado à perseguição veloz em campo aberto.

Estudos anteriores já sugeriam que a impressionante velocidade da Antilocapra americana podia ser uma resposta evolutiva à pressão de predadores rápidos. Esta nova análise dá força a essa teoria, mostrando como o aumento de predadores pode ter desempenhado um papel decisivo na extinção de outros membros do grupo.

Implicações evolutivas e lições para o presente

Para Mathias Pires, professor no Instituto de Biologia da UNICAMP e orientador do trabalho, o grande contributo destas investigações está em demonstrar, com base em dados robustos, como as interações entre predadores e presas não influenciam apenas ecossistemas locais ou temporários, mas também padrões evolutivos em larga escala.

“Estamos a mostrar como o aumento de predadores pode reduzir a diversidade de presas, o que, por sua vez, afeta também a sobrevivência dos predadores. Estes ciclos podem deixar marcas profundas na história evolutiva”, afirma Pires.

As conclusões ganham ainda mais relevância num contexto atual, em que diversas espécies – tanto predadoras como presas – enfrentam pressões crescentes devido à ação humana e às alterações climáticas. Entender como estas interações moldaram o passado pode ajudar a prever e mitigar os impactos das extinções atuais.

Ciência baseada em dados

Ambos os estudos só foram possíveis graças a grandes bases de dados fósseis disponíveis online, com informações detalhadas sobre espécies extintas, seus tamanhos, dietas e períodos de existência. Os investigadores combinaram esses dados com modelos evolutivos para reconstruir padrões de convivência e interações ao longo de 20 milhões de anos.

Assim, reforça-se a importância de uma abordagem integradora, que alia paleontologia, ecologia e biologia evolutiva para compreender melhor os processos que moldam a biodiversidade – no passado e no futuro.

Estudo aqui https://academic.oup.com/jeb/advance-article-abstract/doi/10.1093/jeb/voaf043/8115575?login=false e ainda outro aqui https://academic.oup.com/evolut/advance-article-abstract/doi/10.1093/evolut/qpaf091/8124702?login=false







Fonte: sustentix.sapo.pt                     Link: https://sustentix.sapo.pt/porque-desapareceram-os-tigres-dentes-de-sabre/?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques
"A justiça é o freio da humanidade."
 
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