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Autor Tópico: A dança é seu Guia  (Lida 2716 vezes)

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Online Sininho

A dança é seu Guia
« em: 22/01/2011, 22:54 »
 

A dança é seu guia


Pela delicadeza dos gestos ou talvez por sua força implícita. Mesmo sem saber dizer o motivo, a turismóloga e bailarina seridoense Mickaella Dantas, de 21 anos, comemora o fato de ter sido convidada a integrar a inglesa CandoCo Dance Company, referência internacional em dança inclusiva e contemporânea. “Nunca havia cogitado trabalhar com o grupo, simplesmente porque é a maior companhia em nossa área”, disse Mickaella. Com algumas roupas de frio compradas, a bailarina aguarda ansiosa pela viagem à Inglaterra, marcada para o próximo dia 31.



Bailarina Mickaela Dantas foi escolhida para integrar a CandoCo Dance, uma das mais ativas companhias mundiais na dança inclusivaEla vai e volta em fevereiro. As passagens já estão compradas e não serão as únicas. Até 2012 a distância que separa os dois países vai ficar bem mais curta. Sim, 2012, ano dos Jogos Olímpicos. É nesta data que a seridoense vai ser apresentada ao mundo. Mickaella foi convidada para participar do Projeto Candoco Unlimited, inserido na programação das atividades culturais dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

A Candoco Dance Company é uma companhia de dança contemporânea, dirigida pelo brasileiro Pedro Machado, que trabalha com bailarinos com e sem deficiência. Sua primeira produção foi em 1991 e desde então tem produzido trabalhos nacionais e internacionais com coreógrafos de renome mundial. A Candoco é mais que uma companhia, atualmente é também uma organização, que oferece uma série de atividades e projetos desenvolvidos tanto na área de iniciação em dança contemporânea, quanto de profissionalização desta arte em Londres e outras localidades da Europa.

“Trabalhar com a Candoco será um prazer, pelo profissionalismo e dedicação com que cuidam da dança, e uma experiência importantíssima para a minha carreira. Estou muito assustada com tudo isso”, diz Mickaella Dantas. Uma experiência inédita para uma artista do Rio Grande do Norte e esperada pelos que viram nascer o Projeto Roda Viva, do qual fez parte.

O convite aconteceu depois que a bailarina participou de um encontro de dança inclusiva na Ilha da Madeira, em Portugal, em julho do ano passado. O encontro era promovido pela Associação dos Amigos da Arte Inclusiva Dançando com a Diferença-AAAIDD. Na ocasião, Mickaella dançava com sua companhia, a In Verso Cia de Dança. Ela também participou de uma oficina com o diretor Pedro Machado. Pedro Machado convidou cinco bailarinos de todo o mundo, “entre ele, eu”, disse Mickaella com um sorriso tímido.

Mas a timidez, ou o que quer que seja, não tem mais espaço na vida de Mickaella. Ela deu o seu primeiro (e grande) passo para a carreira solo. A bailarina sempre atuou em cima e fora dos palcos. Produziu, promoveu, incentivou a dança inclusiva no estado, mas sentiu-se perdida estando só. “Fui pedir orientação a Henrique Fontes, pois nunca fiz nada exclusivamente por mim”, contou.

Dentre as coisas que precisa fazer neste início de carreira solo, Mickaella precisa conseguir patrocínio para cobrir os gastos com o que chama de seus equipamentos: um par de muletas e uma prótese. Todo o resto, passagens, hospedagem, alimentação é responsabilidade da Candoco. Além disso, a bailarina revela que precisa entrar com uma quantia mínima no país. Ela espera levantar R$ 2 mil.

As muletas e a prótese usadas por Mickaella ajudam em sua locomoção. Ela precisou amputar parte da perna, quando tinha onze anos de idade, em decorrência de um câncer no joelho. Passado um mês da amputação, colocou a prótese. “A perna nunca me fez falta”. Filha de pai caminhoneiro e mãe profes-sora, sempre contou com a ajuda de sua cidade, Cruzeta, de amigos e familiares para comprar seus equipamentos.

Transformar a vida pela dança

Mickaella dança desde os quatro anos de idade, em grupos escolares de Cruzeta. Veio para Natal em 2003 e em 2006 passou a integrar a companhia de dança Roda Viva. Desde que entrou na companhia, Mickaella abriu mão da prótese nos palcos. Preferia dançar apenas com as muletas. Primeiro porque a prótese não era adequada e depois porque não se sentia a vontade. Em 2009 lançou um desafio pessoal, que era dançar sem prótese e muletas.

Para colocar a experiência em prática contou com a ajuda valiosa da dança contemporânea, que permite várias linguagens. “A deficiência já está na dinâmica do trabalho”, revelou a bailarina. Mickaella explica que a dança tem duas finalidades: a de ser uma profissão e a de transformar a vida social do homem com ou sem deficiência.

Queira o bem, plante o bem e o resto vem...
 

 



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