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Título: Desde 1997 projeto para surdos no Porto deu trabalho a 75% dos formandos
Enviado por: migel em 29/01/2019, 17:57
Desde 1997 projeto para surdos no Porto deu trabalho a 75% dos formandos

O projeto Surnor, de qualificação das pessoas com deficiência ou incapacidade, promovido pela Associação de Surdos do Porto (ASP), formou 200 pessoas desde 1997, tendo 75% integrado o mercado de trabalho, disse à Lusa o coordenador.


Lusa
24 Janeiro 2019 — 13:59

Desde 1997 a dar formação profissional às pessoas surdas, e depois de nos primeiros anos se terem "focado na língua gestual portuguesa, formando intérpretes e formadores para exercerem nas escolas, facilitando a comunicação entre professores e alunos surdos", o projeto ganhou nos últimos anos novas valências, revelou Armando Baltazar.

Dedicado aos portadores de surdez do Norte, o Surnor, segundo o responsável "colocou cerca de 70 formadores em escolas de todo o país" antes de essa valência ser transferida pelo Estado para o Ensino Superior, congratulando-se o coordenador por, entretanto, estes terem visto "a sua atividade reconhecida como de docente".

A exiguidade das instalações, junto à Praça da Corujeira, na zona oriental do Porto, não limitou ambições nem projetos e ainda que ao ritmo de uma formação de cada vez, a ASP avançou também para a "formação inicial e contínua, cursos de operador de informática, operador de logística e cursos profissionais com a dupla certificação escolar".

Para auxiliar esta formação, existe na ASP o Centro de Integração Profissional para Pessoas Surdas, "que não só as ajuda a integrar o mercado de trabalho, mas também colabora com as empresas onde ficam para suprir eventuais necessidades de comunicação e de formação", vincou Armando Baltazar.

"Esta formação já ajudou 90 pessoas na área da língua gestual portuguesa, sendo que o total dos que passaram pelos nossos cursos de formação inicial e contínua ascende as 200", disse à Lusa o coordenador.

Continuando a enfatizar os números, o responsável da ASP acrescentou que "dos 200 formados nesses cursos, 75% estão colocados no mercado de trabalho".

"O nosso centro de integração profissional tem sido contactado por muitas empresas a pedir informações sobre pessoas surdas desempregadas, as dificuldades de comunicação, a formação profissional, e o Grupo Jerónimo Martins, na área do Grande Porto, integrou nos últimos meses seis pessoas aqui formadas", disse Armando Baltazar, contente pelos ecos de uma sociedade que "começou a mudar a forma como olha para o portador de surdez".

"Hoje em dia, há uma abertura muito grande na sociedade", salientou, num elogio que entra em contraciclo quando o tema é analisar a forma como o Estado trata a questão em termos legislativos.

E explicou: "em Portugal, continua a meter-se a surdez num saco geral, quando se trata de uma deficiência muito específica, pois até os próprios não gostam que os chamem de portadores de deficiência, preferindo ser considerados como uma minoria cultural linguística própria".

Dando como exemplo a Suécia, que "tem cinco escolas especiais para, desde o infantário ao fim do ensino superior, dar formação aos surdos", e que chega ao detalhe de, "quando as crianças têm de deslocar-se para longe da sua residência, o governo arranjar trabalho para os pais perto da escola", Armando Baltazar deixou no ar a questão "se algum dia algo assim será possível em Portugal".

Recorrendo aos censos de 2011, o responsável referiu haver "mais de 111 mil pessoas em Portugal com dificuldades auditivas", argumentando depois que a estimativa da ASP "é que haja cerca de 25 mil a utilizar a LGP como forma de comunicação, sendo que 60% estão na região Norte".

Fonte: https://www.dn.pt/lusa/interior/desde-1997-projeto-para-surdos-no-porto-deu-trabalho-a-75-dos-formandos-10482907.html