6. CAUSAS DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA SENSÓRIO-NEURALCausas pré-natais:
de origem hereditárias (surdez herdada monogênica, que pode ser uma surdez isolada da orelha interna por mecanismo recessivo ou dominante ou uma síndrome com surdez); e uma surdez associada a aberrações cromossômicas.
de origem não hereditárias (causas exógenas), que podem ser:
Infecções maternas por rubéola, citomegalovírus, sífilis, herpes, toxoplasmose.
Drogas ototóxicas e outras, alcoolismo materno
Irradiações, por exemplo Raios X
Toxemia, diabetes e outras doenças maternais graves
Causas perinatais
Prematuridade e/ou baixo peso ao nascimento
Trauma de Parto - Fator traumático / Fator anóxico
Doença hemolítica do recém-nascido ( ictericia grave do recém-nascido)
Causas pós-natais
Infecções - meningite, encefalite, parotidite epidêmica (caxumba), sarampo
Drogas ototóxicas
Perda auditiva induzida por ruído (PAIR)
Traumas físicos que afetam o osso temporal
7. DADOS ESTATÍSTICOS Estima-se que 42 milhões de pessoas acima de 3 anos de idade são portadoras de algum tipo de deficiência auditiva, de moderada a profunda (OMS). Há expectativa que o número de perdas auditivas na população mundial chegue a 57 milhões no ano 2000.
Aproximadamente 0,1% das crianças nascem com deficiência auditiva severa e profunda (Northern e Downs, 1991). Este tipo de deficiência auditiva é suficientemente severa para impedir a aquisição normal da linguagem através do sentido da audição
Mais de 4% das crianças consideradas de alto risco são diagnosticadas como portadoras de deficiência auditiva de graus moderado a profundo (ASHA)1
Aproximadamente 90% das crianças portadoras de deficiência auditiva de graus severo e profundo são filhos de pais ouvintes (Northern e Downs, 1991)2
Nos Estados Unidos pesquisas indicam que a prevalência de deficiências auditivas sensorioneurais é de 5,95 para cada 1000 nascidos vivos e nas deficiências auditivas por alterações do ouvido médio é de 20 para cada 1000 nascidos vivos
Segundo a O.M.S. (1994)3 estima-se que 1,5% da população brasileira, ou seja, cerca de 2.250.000 habitantes são portadores de deficiência auditiva, estando esta em terceiro lugar entre todas as deficiências do país
Aproximadamente 1.053.000 de crianças abaixo de 18 anos têm algum grau de deficiência auditiva, com índice de prevalência de 16,1 por 1000 (Bess e Humes 1995)4
8. FATORES DE RISCOBaseados nos critérios do "Joint Committee on Infant Hearing" (1994) e na experiência clínica e científica de profissionais participantes do Fórum de Debates: Criança e Audição, realizado durante o X Encontro Internacional de Audiologia, Bauru, Estado de São Paulo, 8 a 11 de Abril de 1995, alguns fatores que podem causar deficiência auditiva são:
Antecedentes familiares de deficiência auditiva, levantando-se se há consangüinidade entre os pais e/ou hereditariedade.
Infecções congênitas suspeitadas ou confirmadas através de exame sorológico e/ou clínico (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes e sífilis)
Peso no nascimento inferior a 1500g e/ou crianças pequenas para a idade gestacional (PIG)
Asfixia severa no nascimento, com Apgar entre 0-4 no primeiro minuto e 0-6 no quinto minuto.
Hiperbilirrubinemia com índices que indiquem exanguíneo transfusão.
Ventilação mecânica por mais de dez dias
Alterações crânio-faciais, incluindo as síndromes que tenham como uma de suas características a deficiência auditiva.
Meningite, principalmente a bacteriana.
Uso de drogas ototóxicas por mais de cinco dias.
Permanência em incubadora por mais de sete dias.
Alcoolismo ou uso de drogas pelos pais, antes e durante a gestação.
9. IDENTIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICOO diagnóstico das deficiências de audição é realizado a partir da avaliação médica e audiológica. Em geral a primeira suspeita quanto à existência de uma alteração auditiva em crianças muito pequenas é feita pela própria família a partir da observação da ausência de reações a sons, comportamento diferente do usual (a criança que é muito quieta, dorme muito e em qualquer ambiente, não se assusta com sons intensos) e, um pouco mais velha, não desenvolve linguagem. A busca pelo diagnóstico também poderá ser originada a partir dos programas de prevenção das deficiências auditivas na infância como o registro de fatores de risco e triagens auditivas.
O profissional de saúde procurado em primeiro lugar é geralmente o pediatra, o qual encaminhará a criança ao otorrinolaringologista, quando se iniciará o diagnóstico. Este profissional fará um histórico do caso, observará o comportamento auditivo e procederá o exame físico das estruturas do ouvido, nariz e das diferentes partes da faringe. O passo seguinte é o encaminhamento para a avaliação audiológica.
No caso de adultos, em geral a queixa de alteração auditiva é do próprio indivíduo, e, no caso de trabalhadores expostos a situações de risco para audição o encaminhamento poderá advir de programas de conservação de audição.
1- ASHA - American Speech and Hearing Association
2- Northern, J., Downs, m.p. (1991) Hearing in children (4th ed.) Baltimore Williams & Wilkins
3- OMS - Organização Mundial de Saúde