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..:: Deficiente-Forum - Tipos de Deficiência ::.. Responsável:100nick => Deficiência Auditiva => Tópico iniciado por: Sininho em 17/11/2016, 13:46

Título: Porto descoberto por quem não ouve - Hands to Discover, Porto
Enviado por: Sininho em 17/11/2016, 13:46
    
Porto descoberto por quem não ouve

Hands to Discover, Porto

   
(http://www.porto24.pt/wp-content/uploads/Portugal_Porto_GDFL050326_120-983x550-31i06tn82xufsfamlz84jk.jpg)

Armando Baltazar – de 65 anos e que perdeu a audição aos 13 – conhece o Porto “desde sempre” e autointitula-se um “tripeiro ferrenho”. Integrou o grupo que iniciou o passeio turístico na Torre dos Clérigos e seguiu rua abaixo, passando pela histórica livraria Lello e pelo mercado do Bolhão, para terminar na estação de S. Bento.

Com a tradução de Ana Bela Baltazar e Diana Sampaio, do ‘Hands to Discover’ (‘Mãos para Descobrir’), até o mais portuense dos turistas reconhece que “o Porto passa a ser mais acessível à comunidade surda”.

“As pessoas vivem nas cidades e não as conhecem. Este projeto é importante porque até pode chamar turistas”, apontou Armando Baltazar, acrescentando que “se visita outro país precisa de recorrer a um intérprete” e Portugal não é diferente.

Ao lado Isaura Teixeira, 30 anos, estudante com deficiência auditiva que chegou ao Porto há dois meses vinda de Águeda, comenta que “sozinha não visitaria a cidade” porque “ninguém explicaria as curiosidades dos espaços a uma pessoa surda”.

O ‘Hands to Discover’ pretende colmatar esta lacuna, mostrando o Porto – e quem sabe outras cidades, conforme é ambição dos responsáveis – através das mãos, da expressão facial e dos lábios.

Ana Bela Baltazar, que trabalha nesta área há 20 anos, explica que a objetividade é uma característica da comunidade surda e conta que já recebeu pedidos de grupos dos EUA e do Brasil.

Além de “oferecer” percursos turísticos, o projeto tem como objetivo divulgar a Língua Gestual, por exemplo ensinando um simples “Bom dia” ou “Volte sempre” em gestos a funcionários de hotéis e restaurantes, monumentos e teatros, entre outros espaços culturais e comerciais.

A questão monetária também é apontada porque os surdos admitem evitar sítios pagos porque se sentem “prejudicados” ao pagar por um serviço de guia que não os inclui.

Segundo a Associação Portuguesa de Surdos em Portugal, estima-se que existam cerca de 120 mil pessoas com algum grau de perda auditiva e cerca de 30 mil surdos falantes.