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Autor Tópico: A surdez e a labirintite  (Lida 7351 vezes)

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Offline Aislin

A surdez e a labirintite
« em: 17/05/2010, 17:14 »
 
A surdez e a labirintite
 
A audição é um dos sentidos da maior importância. É através dela que conseguimos nos comunicar, ter vínculos afetivos, receber e passar conhecimentos. O seu desenvolvimento tem início por volta do 3º mês de gestação e não está completo ao nascimento. Até os 2 anos de idade a criança está em maturação intelectual e da sua linguagem, por isso, a estimulação sonora precoce é de suma importância.
Várias patologias que acometem o ouvido nesta fase, diminuindo a audição, podem gerar distúrbios cognitivos permanentes. O "teste da orelhinha", que vem sendo divulgado e popularizado nos últimos anos, consiste em um exame indolor e de rápida execução para diagnosticar precocemente a perda auditiva, nos permitindo intervir a tempo.
Na idade adulta, o impacto de uma perda auditiva (hipoacusia) resulta em déficit nos hábitos sociais e intelectuais. Vários estudos demonstram que a surdez é uma grande causa de depressão e isolamento social. Os surdos são alvo de críticas, até dentro da família que costuma se irritar, pois tendem a ouvir rádio ou televisão com volume mais elevado, falam mais alto e fazem com que se repita palavras. Com a progressão da doença, eles passam a se isolar das conversas por se sentirem envergonhados e incapacitados de acompanhar o assunto.
Quando detectado o início da surdez, é imprescindível que medidas de reabilitação auditiva sejam tomadas imediatamente, diminuindo assim os prejuízos que a acompanham. Deve-se consultar um otorrinolaringologista para o diagnóstico da sua causa, bem como o tratamento preciso.
O ouvido é didaticamente dividido em 3 partes: ouvido externo, médio e interno (fig. 01). O ouvido externo consiste da abertura do canal auditivo até a membrana do tímpano. O ouvido médio é uma cavidade em que está presente uma cadeia ossicular, responsável pela transmissão do som e da equalização da impedância acústica entre o meio aéreo ambiente e o líquido da cóclea (órgão que transforma essas vibrações sonoras em impulsos elétricos). E o ouvido interno, representado pela cóclea e o nervo coclear.
Ao inspecionarmos a cavidade auricular no exame clínico (micro-otoscopia), conseguimos identificar várias causas de deficiências auditivas provenientes do ouvido externo, como rolha de cerume, e algumas causas provenientes do ouvido médio, como as otites.
O exame audiométrico (audiometria) é de suma importância para quantificarmos a deficiência e, ainda, nos dá uma ideia do local de sua origem. Exames mais detalhados, como a detecção das emissões otoacústicas (OEA), que nos permite avaliar a cóclea, e a audiometria de tronco cerebral (BERA), que examina a função do nervo coclear, são utilizados para uma maior precisão nos diagnósticos.
O tratamento das surdezes varia muito, de acordo com a intensidade e as causas da mesma. Doenças que acometem o ouvido externo, como as rolhas de cerume, osteomas, entre outros, são passíveis de correção com procedimentos pouco invasivos. As alterações no ouvido médio, como as lesões traumáticas que desarticulam a cadeia ossicular e a otosclerose (doença em que há um enrijecimento da cadeia ossicular) podem ser corrigidas com um procedimento cirúrgico, até mesmo sob anestesia local. Já no ouvido interno, a melhor maneira de reabilitar a perda auditiva é por meio do uso dos aparelhos de amplificação sonora individual (AASI).
Houve grande avanço tecnológico nos AASI nos últimos anos, tornando-os mais eficientes e de tamanho reduzido, facilitando a sua adaptação. Várias barreiras ainda devem ser quebradas neste ramo, pois os aparelhos auditivos ainda são alvo de preconceitos.
A condução do paciente pelo médico otorrinolaringologista e pela fonoaudióloga é decisiva para que ele fique bem adaptado à sua nova condição. Ainda orientam sobre as vantagens e as limitações do aparelho. Um aconselhamento sobre a exposição a sons muito intensos, objetivando evitar o trauma acústico ao ouvido interno (labirinto), é também muito importante, uma vez que o nosso ouvido (pelo mecanismo tímpano-ossicular) ainda não se adaptou para se defender destes sons agudos artificiais.
O labirinto é o órgão da orientação e de equilíbrio. É a base da percepção e ideia de posição no espaço. É sede dos reflexos posturais, originados nos núcleos vestibulares e cerebelares, que desencadeiam os movimentos de posição do corpo.
O labirinto faz parte do ouvido. O sistema auditivo é evidenciado pelo labirinto acústico ou anterior, que é constituído pela cóclea. O equilíbrio, pelo labirinto vestibular ou posterior, formado pelo vestíbulo e os canais semicirculares. Eles estão situados numa pequena cavidade do osso temporal, no ouvido interno.
Alterações deste sistema acarretam o desequilíbrio físico que é uma manifestação subjetiva através de diversas sensações de tonturas e vertigens. Podem vir acompanhadas de fenômenos vagais, auditivos e oculares, como náuseas, vômitos, zumbidos, surdez, diplopia e nistágmos.
Por serem órgãos bastante sensíveis (labirinto acústico e vestibular), frequentemente tornam-se verdadeiros termômetros do organismo, dando precocemente o alarme das mais variadas doenças, tanto endo como exo labirínticas. As mais significantes são as alterações metabólicas e endócrinas (diabetes, dislipidemias, hiper ou hipotireoidismo, distúrbios ovarianos, etc.), hipertensão endolinfática (síndrome de Meniére), disfunção otolítica, doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, trombose da carótida, espasmos, aneurisma, isquemia, disritmias, etc.), doenças inflamatórias e reumáticas (artrose cervical, periarterite, sinusite, etc.), distúrbio do sono (ronco, apneia noturna, obstrução nasal, etc.), doenças neurológicas (degeneração espinocerebelar, siringobulbia, esclerose múltipla, etc.), tumores diversos, intoxicações medicamentosas e traumatismos, entre outros. Tudo pode afetar o labirinto.
O estudo do labirinto deve vir acompanhado de exames audiológicos objetivos e subjetivos (vide acima), do exame otorrinolaringológico (otoneurológico), clínico, laboratorial e de imagens (tomografia computadorizada).
Na exploração do labirinto vestibular, estudamos o desvio conjugado dos olhos de origem reflexa e de caráter rítmico, composto de dois movimentos, um rápido e outro lento, o nistágmo, que pode ser espontâneo e também provocado artificialmente, para que possamos valorizá-lo através da vecto-electro-nistagmografia (veng).
Lesões neurológicas situadas abaixo da tenda do cerebelo, ou seja, infratentorial, produzem sintomas otoneurológicos marcantes, como na síndrome do Ângulo Ponto Cerebelar, no Neurinoma do Acústico e no comprometimento do Trigêmio e do Facial. A Síndrome da Linha Média, na fossa posterior, acomete a região Bulbo Protuberancial e o Vermis  do Cerebelo. É no assoalho do IV Ventrículo que se encontram os núcleos Vestibulares que dão origem às vias oculomotoras e às vestíbulo-espinhais.
A propalada labirintite não é um diagnóstico. Não se deve tratá-la aleatoriamente antes de se conhecer a sua causa, através de um minucioso estudo pelo otorrinolaringologista e pela fonoaudióloga. Além de indicarem se a lesão é periférica ou central, orientando no seu topo diagnóstico, avaliarão o grau de excitabilidade ou depressão labiríntica, muito importante para um tratamento adequado. Acertar na condução terapêutica para cada caso é preciso, pois medicações sintomáticas, comumente usadas aleatoriamente por leigos, que deprimem o labirinto, mesmo melhorando os sintomas, costumam dificultar no seu restabelecimento e mascarar doenças. Na Vertigem Posicional Paroxistica Benigna (VPPB), por exemplo, quando acontecem depósitos de cristais (otocônias) nos canais labirínticos, restabelece-se o equilíbrio com "manobras de reposicionamento canalicular".  Noutros casos, estimula-se esse órgão através de exercícios específicos de "compensação labiríntica", orientados pela fonoaudióloga.
O advento da vecto-electro-nistagmografia constitui preciosa contribuição à exploração semiótica do aparelho vestibular, propiciando a aquisição de novos e importantes conhecimentos sobre a função labiríntica.




Dr. Giovanni Paolo Seronni é médico otorrinolaringologista especializado em cirurgias videoendoscópicas e plástica nasal (site: www.seronni.med.br), Isadora Christina Seronni é fonoaudióloga, Leandra Fioravanço Seronni é fonoaudióloga (esposa do Dr. Giovanni), Giovanni e Isadora são filhos do Dr. Cesar Augusto Seronni (site: www.seronni.med.br)

 

 



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