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..:: Deficiente-Forum - Tipos de Deficiência ::.. Responsável:100nick => Deficiência Motora => Tópico iniciado por: migel em 10/05/2011, 22:56

Título: Diagnóstico por imagem na avaliação da ossificação heterotópica
Enviado por: migel em 10/05/2011, 22:56
Diagnóstico por imagem na avaliação da ossificação heterotópica       

A ossificação heterotópica (OH) é definida como a presença de tecido ósseo em locais onde normalmente não existe osso. Esta anormalidade é decorrente de processo metaplásico com neoformação óssea em tecidos moles, geralmente adjacentes a grandes articulações (quadril, cotovelos, joelhos e ombros). A etiologia ainda é desconhecida, mas vários fatores vêm sendo estudados como responsáveis pela ativação osteoblástica existente na doença.

A OH pode estar associada a outras doenças, como mielodisplasia, tabes dorsalis, intoxicação por monóxido de carbono, grandes queimados, tumores medulares, siringomielia, tétano, poliomielite, meningoencefalite e esclerose múltipla. As principais causas são os insultos traumáticos (60% a 75% dos casos) como as lesões do sistema nervoso central (trauma craniencefálico e trauma raquimedular), particularmente os medulares, e cirúrgicos, especialmente a artroplastia total de quadril (8% a 71%).

Nos pacientes com lesão cerebral e estado comatoso prolongado, a OH acomete principalmente as articulações do quadril e cotovelos, raramente acometendo joelhos e pequenas articulações. A incidência de OH nos pacientes com lesão cerebral varia de 11% a 76%, sendo que 10% destes apresentam quadro clínico significativo.

Nos pacientes com lesão medular, a incidência de OH varia de 13% a 81%, sendo que apenas 10% a 20% desses pacientes apresentarão manifestação clínica, e 5% a 10% dos casos evoluirá para anquilose. Geralmente, o processo instala-se no segundo mês após o trauma, mas pode ter início até um ano após a lesão.

O diagnóstico precoce da OH poderá evitar seqüelas como perda da mobilidade articular com conseqüente perda de função, compressão de feixes vásculo-nervosos, úlceras de pressão, entre outras complicações.

Há, basicamente, duas formas de OH: a forma adquirida, muito mais freqüente e que pode ser precipitada por traumatismo musculoesquelético ou doença neurológica, e a forma congênita, rara e hereditária, conhecida como miosite ossificante progressiva.

As manifestações clínicas iniciais da OH são: dor, limitação da movimentação articular, calor, edema e hiperemia local, e, em alguns casos, até febre moderada e espasticidade grave. A OH cursa com níveis séricos elevados de fosfatase alcalina e uma diminuição transitória do cálcio sérico precedendo o primeiro evento.

Mais tardiamente, pode ocorrer redução da mobilidade e anquilose.

Por: Ana P.B.J. HartmannI; Andréia R.S. XimenesI; Luiz G.C. HartmannII; Artur R.C. FernandesII; Jamil NatourIII; Giuseppe D’IppolitoIV
IDDI/Unifesp/EPM, IIDDI/Unifesp/EPM e Diagnósticos da América, IIIDisciplina de reumatologia da Unifesp/EPM, IVDDI/Unifesp/EPM e Hospital São Luiz


Fonte: Revista Brasileira de Reumatologia