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Autor Tópico: Toxina Botulínica para o Tratamento da Espasticidade  (Lida 5957 vezes)

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Online Sininho

 
A espasticidade é uma consequência da lesão de neurônio motor superior, caracterizada pela resistência muscular à mobilização passiva que depende da velocidade com que esse movimento está sendo feito. Ocorre em associação à hiperatividade dos reflexos miotáticos, gerando espasmos musculares e clônus.

As patologias nas quais a espasticidade está mais presente são os Acidentes Vasculares Encefálicos, Traumatismos Crânio-Encefálicos, Lesões Medulares, Paralisia Cerebral, Neoplasias do Sistema Nervoso Central, entre outras.

Quando não tratada, a espasticidade pode causar sérios transtornos ao doente, limitando sua capacidade funcional, gerando dor e contraturas, além de deformidades que posteriormente só serão reversíveis com tratamento cirúrgico.

Para a avaliação da espasticidade são utilizados indicadores quantitativos e qualitativos, muito importantes para identificar a intensidade e a influência da alteração do tônus na função do paciente. Essas escalas de mensuração são também essenciais na indicação de intervenções terapêuticas e na análise de seus resultados. A escala mais utilizada para este fim é a Escala Modificada de Ashworth, quantifica a espasticidade variando de 0 a 4 pontos.

A espasticidade não tem cura, mas um controle rigoroso pode auxiliar na função e na qualidade de vida do paciente. Historicamente, esse controle era feito através de medicamentos espasmolíticos orais, que diminuem a intensidade dos espasmos musculares. Entretanto, essa melhora pode vir acompanhada de uma série de reações adversas, como sonolência e sedação.

Nas últimas duas décadas, a popularidade da Toxina Botulínica (TbA, mais conhecida por um de seus nomes comerciais – Botox) no tratamento da hipertonia espástica aumentou significativamente. Isso se deve à larga publicação de estudos que comprovam sua eficácia e segurança, dando suporte à sua indicação preferencial no lugar de outros agentes espasmolíticos orais, principalmente quando estes já não fazem mais o efeito desejado.

A TbA é uma neurotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que atua na junção neuromuscular, inibindo a liberação exocitótica do neurotransmissor acetilcolina (ACh) na membrana pré-sináptica, diminuindo a contração muscular. A aplicação deve ser feita no ponto motor do músculo, podendo o médico fazer uso de eletroestimulação ou eletromiografia para localizar o ponto com mais precisão. Na placa motora, a toxina ocupa os sítios que seriam ocupados pelo íon cálcio na fibra colinérgica, evitando a exocitose da ACh.

A TbA não interfere com a produção e o armazenamento da ACh e seu efeito é transitório devido ao brotamento de novos terminais axonais, que restauram a função das fibras musculares quimicamente desnervadas. Posteriormente, a junção neuromuscular se recupera e ocorre a involução dos brotamentos axonais.


Os efeitos iniciais da TbA podem ser observados entre 3 e 10 dias após a aplicação. A manutenção de sua ação varia em diversas referências bibliográficas, dependendo do local de aplicação, intensidade da espasticidade e quantidade de toxina aplicada, com uma média de 3 a 6 meses. O pico de ação da TbA pode ser observado em 15 dias após a aplicação.

A reabilitação deve ser enfatizada nesse período de ação da TbA, pois é nesse momento, sem a influência da espasticidade, que podemos trabalhar para o maior ganho de controle motor no músculo atingido. Assim, quando o efeito da toxina passar, o paciente terá mais controle sobre os músculos agonista e antagonistas, consequentemente reduzindo o componente espástico.

in tathianatrocoli.wordpress.com
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Offline Eduardo Jorge

Re:Toxina Botulínica para o Tratamento da Espasticidade
« Responder #1 em: 08/04/2010, 18:18 »
 
Acrescento esta resposta da Drª Filipa Faria, Directora Clínica do Centro Medicina Reabilitação de Alcoitão, sobre relativamente ao tratamento, o que é que o CMRA oferece no domínio da espastecidade?

Para além das medidas farmacológicas e de reabilitação mais generalizadas, certos doentes necessitam de intervenções mais especializadas. Nesta área o CMRA tem estado na vanguarda em Portugal. Saliento a injecção intramuscular de toxina botulínica, para os casos de espasticidade focal, por exemplo no membro superior hemiplégico de um indivíduo que sofreu um AVC ou no pé equino de uma criança com Paralisia Cerebral.

Tratando-se de espasticidade mais generalizada, como num paraplégico, a opção será pela colocação de um cateter intradural conectado a uma bomba para infusão intratecal de baclofeno. Os resultados têm sido muito gratificantes uma vez que os doentes melhoram substancialmente do ponto de vista funcional, com ganhos muito significativos na sua autonomia. Além disso, a espasticidade também cursa com dor e o tratamento vai controlar essa dor reflectindo-se na melhoria da qualidade de vida. Obviamente que as indicações para estes tratamentos mais invasivos são muito específicas e é feita uma selecção rigorosa dos casos.

Autoria do texto: Drª Filipa Faria
 

 



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