Tony Nicklinson, 56 anos, vítima da síndrome do encarceramento - não consegue falar e ficou tetraplégico depois de sofrer um derrame -, deu entrada na justiça britânica a pedir autorização para "suicídio assistido".
Desde que sofreu um derrame, em 2005, que o deixou paralisado do pescoço para baixo e lhe roubou a voz, Tony Nicklinson apenas consegue comunicar através de leves movimentos com a cabeça, os olhos e as pálpebras. Farto dessa situação, o britânico de 56 anos quer que a mulher o ajude a morrer sem correr o risco de ser processada. Para isso, entrou com um processo na justiça no Reino Unido.
Nicklinson - que segundo os seus advogados não deseja passar os próximos 20 anos com a síndrome do encarceramento - pede ao Ministério Público que esclareça a lei sobre a chamada "morte digna", isto é, quando um homicídio é cometido por compaixão, a pedido da vítima.
O Ministério Público (MP) britânico divulgou, no passado mês de fevereiro, orientações sobre suicídio assistido na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte.
Mulher pronta para ajudar marido a morrer
A única forma legal, atual, de Nicklinson conseguir morrer é por inanição, isto é, se recusar alimentos e bebida, mas a mulher, Jane, está preparada para lhe dar uma dose letal de medicamentos. O problema é que, se fizer isso, poderá ser acusada de homicídio.
Advogados da família querem que o MP esclareça se vai processar Jane. Caso a resposta seja afirmativa, deverão recorrer com o argumento de que a lei em vigor viola o direito à privacidade de Nicklinson, de acordo com o artigo 8º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Nicklinson, que sofreu o derrame durante uma viagem de negócios a Atenas, Grécia, lamenta não o terem deixado morrer naquela ocasião.
"Fiquei paralisado do pescoço para baixo, e não posso falar. Preciso de ajuda para quase tudo. E só posso comer quando me alimentam, mas, ao contrário de um bebé, eu não vou evoluir. Não me resta privacidade ou dignidade. Sou lavado, vestido e colocado na cama por enfermeiros que são, apesar de tudo, estranhos. Estou farto, e não quero passar os próximos 20 anos, ou o que seja, assim. Se perguntarem se estou grato aos médicos que me salvaram a vida em Atenas, a resposta é não, não estou", afirma Nicklinson, que conseguiu dizer isso apontando com a cabeça para letras num quadro colocado na sua frente.
O mais provável é que o caso de Tony Nicklinson acabe por ser decidido por um júri. Recorde-se que, no passado mês de Janeiro, a britânica Kay Gilderdale foi ilibada da acusação de tentativa de assassinato depois de admitir ter ajudado a filha deficiente (Lynn havia tentado o suicídio) a morrer.
Fonte: Expresso
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