Doentes mentais indonésios estão a "Viver no Inferno"21 Março 2016 • Nuno Paixão Louro | FOTO: Andreas Star Reese/Human Rights Watch

Um relatório da Human Rights Watch (HRW), divulgado nesta segunda-feira, 21 de Março, revela que há instituições indonésias para doentes mentais a acorrentar os doentes e que os mesmos sofrem abusos físicos e sexuais, são submetidos a terapias de choque, e vivem como se fossem prisioneiros, confinados em celas.

Fotogaleria. O estudo da ONG Human Rights Watch revela que a prática do "pasung" – confinar as pessoas com deficiências psicossociais – foi proibido em 1977, mas ainda permanece o estigma e a falta crónica de cuidados de saúde mental e dos serviços de apoio, o que significa que a prática continua a ser generalizada. Veja as imagens chocantes
O relatório que tem por título "Viver no Inferno" expõe vários casos em que deficientes mentais foram sujeitos a pasung (acorrentar e/ou confinar), uma prática que está oficialmente banida desde 1977, mas que continua a fazer-se na Indonésia e é usada por muitas famílias.
Segundo o relatório, cerca de 57.000 pessoas com doenças mentais, foram acorrentadas e tiveram de viver em espaços reduzidos, muitas vezes em conjunto com animais e sem as menores condições de vida. Estima-se que, actualmente, haja ainda 18.800 pessoas nessa situação. Em muitos casos são as próprias famílias a fazê-lo, noutros a responsabilidade será de curandeiros religiosos.
O estigma das perturbações mentais levam as pessoas a manter os doentes presos durante anos, em muitos casos, impedindo-os de sair à rua e até de se vestir ou de fazer a higiene.
Além da crendice e falta de informação, outra causa é apontada para que as famílias recorram ao pasung: questões económicas. O pai de uma doente confessou à HRW que tinha a filha nessas condições há 15 anos por falta de dinheiro para levá-la ao médico.
"Ela tornou-se destrutiva", contou, acrescentando, "Tinha vergonha e medo que ela voltasse a fazer o mesmo". Por isso, confessa: "Primeiro atei-lhe os pulsos e os tornozelos com cabos", mas quando ela conseguiu soltar-se decidiu "trancá-la, porque os vizinhos tinham medo". Durante esse tempo, a rapariga fazia as suas necessidades no quarto, que nunca foi limpo, nunca tomou banho e não recebeu uma única visita. As refeições eram-lhe passadas através de um buraco na parede.
O responsável pelo relatório, Kriti Sharma, culpa o governo indonésio pela situação: "As pessoas passam anos trancadas e acorrentadas (...) porque as famílias não sabem o que mais fazer e o governo não faz um bom trabalho a oferecer alternativas humanas"
Há uma iniciativa oficial para acabar com o pasung até 2019, mas Sharma diz que os progressos têm sido muito lentos. O relatório refere que a Indonésia tem 250 milhões de habitantes e apenas cerca de 800 psiquiatras e 48 hospitais psiquiátricos, estando estes quase todos concentrados em 4 das 34 províncias do país.
Nos hospitais psiquiátricos, de acordo com o relatório, as condições dos pacientes não são muito diferentes do que acontece nas comunidades. Instalações sobre-lotadas, fracas condições de vida e condições de higiene consideradas "atrozes", foram encontradas pelos autores do documento.
Fonte:
https://www.google.pt/search?q=Doentes+mentais+indon%C3%A9sios+est%C3%A3o+a+%22Viver+no+Inferno%22&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwiin_Oz99bLAhVEvxQKHTh2AngQ_AUIBygB&biw=1366&bih=655#imgrc=m42TI0BHTFgFsM%3A