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..:: Deficiente-Forum - Tipos de Deficiência ::.. Responsável:100nick => Deficiência Intelectual => Tópico iniciado por: Sininho em 18/05/2010, 15:58

Título: Demência e alimentação
Enviado por: Sininho em 18/05/2010, 15:58
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As pessoas com demência deparam-se com dificuldades, até "simplesmente" para beber água.

A «demência» traduz uma doença progressiva que afecta a memória e pelo menos uma capacidade cognitiva, o controlo emocional, o comportamento social e interfere nas actividades instrumentais e de vida diária. A doença de Alzheimer é a sua forma mais comum. Associada ao envelhecimento, com frequência se refere a «demência» ou se ouve a expressão «é o Alzheimer», justificando alguns esquecimentos e confusões, muito embora o envelhecimento não seja sinónimo da doença.

As manifestações que acontecem no fim da fase inicial e intermédia da doença, como as alterações da memória, défices na linguagem, desorientação, incapacidade para tomar decisões e inaptidão para algumas actividades, nomeadamente, a alimentação, causam grande impacto na pessoa/ família e cuidadores.

Esta actividade de vida parece-nos muito simples porque, em circunstâncias normais, realizamo-la quotidianamente sem nos apercebermos da sua complexidade. Contudo, temos de nos concentrar nela, iniciá-la, manter a atenção e desenvolver todos os passos necessários para a terminar. As pessoas com demência deparam-se com dificuldades, até «simplesmente» para beber água.

Do cuidado de Enfermagem faz parte a avaliação das mesmas, a implementação da estratégia para as minimizar e o ensino aos familiares/cuidadores, no sentido de os ajudar a melhorar a qualidade de vida. Assim, sugerem-se algumas estratégias facilitadoras para lidar com esta situação:

• É, pois, importante providenciar a comida para a mão (ex.: sopa em caneca; sandes);
• Mostrar a comida, para lembrar que precisam sentar-se;
• Exemplificar como sentar-se à mesa;
• No sentido de diminuir a agitação ou distracção – evitar que o seu rosto lhe pareça uma sombra (causa medo – recusa alimentar-se, fica mais confuso e agitado);
• Sentar-se ou chamar a pessoa a sentar-se apenas quando a comida está na mesa;
• Dar-lhe a comida para a mão;
• Tentar resolver a causa da agitação, antes da refeição;
• Fornecer indicações para iniciar, continuar ou terminar a refeição;
• Proporcionar contraste de cor entre mesa, prato e utensílios;
• Dirigir a atenção da pessoa para o que tem à mesa;
• Colocar utensílios nas suas mãos;
• Se necessário, colocar a mão sobre a mão da pessoa e iniciar o movimento;
• Reduzir focos de distracção;
• Simplificar a mesa o mais possível;
• Para contrariar a passividade – incentivar a pessoa a pôr a mesa;
• Conversar sobre comida/utensílios;
• Colocá-los na sua mão, guiar para iniciar ou dar a primeira colher na boca;
• Dar os utensílios só a cada fase da refeição;
• Dar pistas para passar de um pedaço de comida para outro;
• Para diminuir a recusa alimentar – falar sobre comida sem dar pistas directas;
• Encostar a colher com pequena quantidade de comida nos lábios e dizer para abrir a boca;
• Iniciar a alimentação usando o utensílio com o qual a pessoa abre melhor a boca;
• Dar alimentos preferidos;
• Deixar que prove primeiro;
• Persuadir com algo doce na ponta da colher;
• Se recusa por confusão (medo ou «regresso» ao passado), não direccionar a atenção para a comida, mas para a razão da angústia. Falar na refeição depois de estar mais calmo;
• Para evitar comer depressa/devagar demais – cortar a comida em pedaços pequenos (antes de dar a refeição – mantém a dignidade);
• Dizer para comer mais devagar;
• Servir alimentos em pequenas porções a intervalos regulares;
• «Mão na mão» nas primeiras colheres para perceber a velocidade e quantidade adequadas;
• Manter a comida quente;
• Dar pequenos «snacks» entre as principais refeições e alimentos ricos em calorias;
• Se necessário, alimentar a pessoa na 2.ª metade da refeição.

É importante ter também em conta que a necessidade de se alimentar e hidratar é entendida como mais do que a simples ingestão de alimentos para sobreviver ou satisfazer as quantidades nutri­cionais. O significado cultural dos hábitos alimentares deve ser incorporado no projecto de cuidados. Os alimentos familiares dão um sentimento de segurança. É necessário ter uma abordagem holística desta necessidade, ela está associada ao amor, à confiança, à afeição e à segurança nas relações humanas.
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